2 de May, 2026
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Embaixada na Nigéria celebra com mesa-redonda os 50 anos da Independência Nacional

A Embaixada de Angola na República Federal da Nigéria celebrou por antecipação, nesta quinta-feira, em Abuja, o 50º Aniversário da Independência com uma Mesa Redonda intitulada “Pedaços da História de Angola Contados por Protagonistas”.

A Mesa Redonda, um tributo aos presidentes António Agostinho Neto (1975-1978) e Murtala Ramat Muhammed (1974-1975) contou com a participação do Corpo Diplomático, membros do Governo Federal, Generais da UNAVEM II, Governadores de Estado, Empresários, Comunidade Angolana e dos antigos bolseiros na Nigéria.

O antigo primeiro-ministro Lopo Ferreira do Nascimento e os antigos Ministros dos Petróleos Botelho de Vasconcelos, Albina Assis Africano e Desidério Veríssimo da Costa, respectivamente, prestaram depoimentos sobre a coerência do Presidente Murtala Muhammed, assassinado em 1975 por defender a causa libertadora de Angola e da África Austral.

No seu discurso o Embaixador José Bamóquina Zau agradeceu o legado dos Oficiais Generais nigerianos que participaram activamente nas Missões de Observação das Nações Unidas para o processo de paz e na fiscalização da unificação das Forças Armadas Angolanas. “O nosso muito obrigado pela vossa contribuição. O vosso legado é de honra por deixarem uma Angola em Paz”, sublinhou.

O Ministro da Informação e Orientação Nacional Mohammed Idris Malagi e a diretora África do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Embaixadora Inegkem Regina Ocheni, felicitaram Angola pela celebração do jubileu dos 50 Anos da Independência qualificando-a como um parceiro credível nas relações bilaterais e multilaterais, sempre disponível a cooperar para os desafios globais.

A Mesa Redonda teve como prelector principal, Adewale Onagbesan, Professor de história da Universidade de Lagos – UNILAG que dissertou sobre o percurso e afirmação de Angola no contexto das nações como país emancipado com todo potencial de recursos naturais que fortificam a sua soberania. “Angola é um país aberto e atractivo aos investimentos para grandes infra-estruturas e os investidores nigerianos tem esta oportunidade para desenvolver negócios com um irmão Pan-africano”, desafiou o académico.

A Embaixadora Filomena Delgado que em 1976 integrou o primeiro grupo de 20 bolseiros angolanos na Nigéria e o Embaixador Itinerante Mbala Dombele Bernardo, falaram do papel e da contribuição da Nigéria para a afirmação do primeiro governo pós-independência.

“A Nigéria impôs-se com firmeza como um centro de influência diplomática em questões relacionadas com a África Austral. A sua acção foi decisiva para estabilizar a região e reafirmar a primazia das soluções africanas para os problemas africanos”, declarou.

Disse que a luta de libertação angolana e os esforços diplomáticos que se seguiram ilustram a complexidade das questões africanas na era pós-colonial, mas também a força da solidariedade regional face à interferência externa.

O Embaixador Mbala Bernardo sustentou que o compromisso da Nigéria, baseado numa visão pragmática pan-africana, permitiu consolidar a nossa independência e contribuir para abertura do caminho a uma diplomacia africana baseada na soberania, no diálogo e na cooperação.

A Mesa Redonda sobre Pedaços da História de Angola contado por protagonistas, coincidiu com a condecoração de três eminentes personalidades nigerianas pelo Presidente da República João Manuel Gonçalves Lourenço.

Trata-se dos Presidentes Murtala Ramat Muhammed e Olusegun Obasanjo na Classe de Honra e do Professor Ibrahim Agboola Gambari, na Classe Paz e Desenvolvimento.

O gesto da condecoração do Presidente João Lourenço foi muito aplaudido pelos cinco Generais nigerianos participantes da Mesa Redonda e que na década de 1990 cumpriram em Angola missões de paz e fiscalização pela UNAVEM-I, II e III.

O Major-General Ike Nwachukwu, ex-ministro dos negócios estrangeiros, o Tenente-General Tukur Yusuf Buratai que foi Chefe do Estado Maior do Exercito e da Missão das Nacões Unidas em Angola, o Major-General Chris Abutu Garuba, então Comandante da Missão de Verificação da UNAVEM-III, o Brigadeiro-General Mohammed Buba Marwa que em 1976 dirigiu o asseguramento da visita do Presidente Agostinho Neto na cidade de Lagos e ainda o Brigadeiro-General Saleh Bala, Presidente do Think Tank WISER, consideraram a condecoração como uma expressão de profunda gratidão pelo papel da Nigéria à emancipação política de Angola.

“É um reconhecimento simbólico do povo angolano ao povo nigeriano mas de grande alcance político pelo sacrifício e apoio voluntário à causa da liberdade e independência em Angola”, afirmou o Brigadeiro-General Saleh Bala, Presidente do Think Tank WISER.