8 de June, 2026
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Débora Maira João: um talento angolano além-fronteiras

Com um percurso marcado pela criatividade, pela engenharia e pelo compromisso social, Débora Maira João é um exemplo de uma jovem angolana ” bem sucedida” que alia formação académica sólida a uma forte consciência cultural e patriótica.

Natural de Luanda, município da Maianga, com 29 anos de idade Débora Maira João é licenciada em Design de Interiores e mestre em Engenharia Civil, com especialização em Infraestruturas, formação concluída na Escola de Ciências de Engenharia, em Marrocos.

Da saída de Angola à formação internacional

Débora deixou Angola em 2016, motivada pelo desejo de dar continuidade à sua formação académica.

A busca por mais conhecimentos e especialização, levou-a a investir num percurso internacional, que hoje complementa com experiência profissional diversificada.

O interesse pelas áreas do design, arquitectura e engenharia surgiu desde muito cedo.

Segundo a própria, a veia artística começou ainda na infância, influenciada pelo programa infantil Art Attack, do Disney Channel.

Para Débora, estas áreas estão profundamente interligadas, permitindo a união entre o funcional e o belo.

Comunicação, conteúdos sociais e poesia

Para além da sua formação académica, Débora Meira João actua como mestre de cerimónias e criadora de conteúdos ligados a questões sociais e motivacionais, o que a torna uma das mulheres angolanas “de mil ofícios” além-fronteiras.

A ideia de produzir este tipo de conteúdos nasceu da experiência adquirida em intercâmbios dentro e fora de Angola, com o objectivo de partilhar vivências pessoais e inspirar outros angolanos.

A poesia é outra das suas formas de expressão. O gosto pela escrita poética surgiu em simultâneo com outras manifestações artísticas, ainda na infância.

Questionada sobre a possibilidade de lançar um livro, Débora afirma que é um projecto em consideração e que não descarta essa possibilidade no futuro.

Actividade profissional e visão sustentável

Actualmente, exerce actividade como freelancer nas áreas de arquitectura, design e engenharia civil, o que lhe permite assegurar as suas despesas e ganhar autonomia profissional.

Quanto aos projectos futuros, a jovem angolana destaca a aposta em iniciativas sustentáveis, sempre com foco no desenvolvimento do país.

Os seus interesses passam por projectos de carácter benevolente, cultural e arquitectónico, com impacto directo em Angola.

Regresso a Angola e contributo para o desenvolvimento

A entrevistada afirma que pretende regressar a Angola, com um dos principais objectivos de contribuir activamente para o desenvolvimento do país, aplicando os conhecimentos adquiridos nas áreas em que se formou, bem como a experiência profissional acumulada ao longo dos anos no exterior.

Vida e ligação à comunidade angolana na Diáspora Marroquina

Apesar de não ter família em Marrocos, a adaptação ao país foi tranquila.

Débora confessa que se surpreendeu positivamente, contrariando a ideia pré-concebida de que países árabes ou muçulmanos seriam excessivamente fechados.

Reafirma manter-se ligada à comunidade angolana no exterior, participando activamente em eventos, incluindo como mestre de cerimónias em algumas iniciativas.

Acompanhamento da realidade nacional

Mesmo fora do país, Débora acompanha atentamente a realidade de Angola através das redes sociais, jornais, rádio e contactos próximos.

Reconhece que Angola enfrenta desafios e tensões sociais, mas destaca também avanços importantes, como o acolhimento de cimeiras diplomáticas, a presidência da União Africana e projectos estruturantes no sector das infra-estruturas, como o Corredor do Lobito.

Em 2024, teve inclusive a oportunidade de constatar no terreno, com a MONAR, alguns projectos em curso em províncias do norte de Angola, como Porto Caio.

Valoriza igualmente a projecção internacional da cultura angolana, destacando o reconhecimento do semba além-fronteiras.

Sugestão de mudança em Angola

Para Débora, Angola ainda tem muito para oferecer aos seus cidadãos.

Assim sendo, revela, o principal aspecto que gostaria de ver transformado é a mentalidade dos jovens e da sociedade em geral.

Defende que o país deve ser encarado como uma nação voltada para a inovação, tecnologia, agro-economia e novos projectos estruturantes, tirando partido do facto de ter uma população maioritariamente jovem.

Saudades da “Terra Mãe”

Entre as maiores saudades de Angola, destaca o calor humano, a família, os amigos, o escutismo e a rotina ligada ao desporto, especialmente os treinos de capoeira.

Em jeito de mensagem, ao povo angolano afirma:“Mesmo diante dos desafios, não devemos cansar-nos de provar que somos fortes, criativos e capazes de nos reerguer. O angolano precisa de ser mais patriota e acreditar no seu país.”