Débora Maira João: um talento angolano além-fronteiras
Com um percurso marcado pela criatividade, pela engenharia e pelo compromisso social, Débora Maira João é um exemplo de uma jovem angolana ” bem sucedida” que alia formação académica sólida a uma forte consciência cultural e patriótica.
Natural de Luanda, município da Maianga, com 29 anos de idade Débora Maira João é licenciada em Design de Interiores e mestre em Engenharia Civil, com especialização em Infraestruturas, formação concluída na Escola de Ciências de Engenharia, em Marrocos.
Da saída de Angola à formação internacional
Débora deixou Angola em 2016, motivada pelo desejo de dar continuidade à sua formação académica.
A busca por mais conhecimentos e especialização, levou-a a investir num percurso internacional, que hoje complementa com experiência profissional diversificada.
O interesse pelas áreas do design, arquitectura e engenharia surgiu desde muito cedo.
Segundo a própria, a veia artística começou ainda na infância, influenciada pelo programa infantil Art Attack, do Disney Channel.
Para Débora, estas áreas estão profundamente interligadas, permitindo a união entre o funcional e o belo.
Comunicação, conteúdos sociais e poesia
Para além da sua formação académica, Débora Meira João actua como mestre de cerimónias e criadora de conteúdos ligados a questões sociais e motivacionais, o que a torna uma das mulheres angolanas “de mil ofícios” além-fronteiras.
A ideia de produzir este tipo de conteúdos nasceu da experiência adquirida em intercâmbios dentro e fora de Angola, com o objectivo de partilhar vivências pessoais e inspirar outros angolanos.
A poesia é outra das suas formas de expressão. O gosto pela escrita poética surgiu em simultâneo com outras manifestações artísticas, ainda na infância.
Questionada sobre a possibilidade de lançar um livro, Débora afirma que é um projecto em consideração e que não descarta essa possibilidade no futuro.
Actividade profissional e visão sustentável
Actualmente, exerce actividade como freelancer nas áreas de arquitectura, design e engenharia civil, o que lhe permite assegurar as suas despesas e ganhar autonomia profissional.
Quanto aos projectos futuros, a jovem angolana destaca a aposta em iniciativas sustentáveis, sempre com foco no desenvolvimento do país.
Os seus interesses passam por projectos de carácter benevolente, cultural e arquitectónico, com impacto directo em Angola.
Regresso a Angola e contributo para o desenvolvimento
A entrevistada afirma que pretende regressar a Angola, com um dos principais objectivos de contribuir activamente para o desenvolvimento do país, aplicando os conhecimentos adquiridos nas áreas em que se formou, bem como a experiência profissional acumulada ao longo dos anos no exterior.
Vida e ligação à comunidade angolana na Diáspora Marroquina
Apesar de não ter família em Marrocos, a adaptação ao país foi tranquila.
Débora confessa que se surpreendeu positivamente, contrariando a ideia pré-concebida de que países árabes ou muçulmanos seriam excessivamente fechados.
Reafirma manter-se ligada à comunidade angolana no exterior, participando activamente em eventos, incluindo como mestre de cerimónias em algumas iniciativas.
Acompanhamento da realidade nacional
Mesmo fora do país, Débora acompanha atentamente a realidade de Angola através das redes sociais, jornais, rádio e contactos próximos.
Reconhece que Angola enfrenta desafios e tensões sociais, mas destaca também avanços importantes, como o acolhimento de cimeiras diplomáticas, a presidência da União Africana e projectos estruturantes no sector das infra-estruturas, como o Corredor do Lobito.
Em 2024, teve inclusive a oportunidade de constatar no terreno, com a MONAR, alguns projectos em curso em províncias do norte de Angola, como Porto Caio.
Valoriza igualmente a projecção internacional da cultura angolana, destacando o reconhecimento do semba além-fronteiras.
Sugestão de mudança em Angola
Para Débora, Angola ainda tem muito para oferecer aos seus cidadãos.
Assim sendo, revela, o principal aspecto que gostaria de ver transformado é a mentalidade dos jovens e da sociedade em geral.
Defende que o país deve ser encarado como uma nação voltada para a inovação, tecnologia, agro-economia e novos projectos estruturantes, tirando partido do facto de ter uma população maioritariamente jovem.
Saudades da “Terra Mãe”
Entre as maiores saudades de Angola, destaca o calor humano, a família, os amigos, o escutismo e a rotina ligada ao desporto, especialmente os treinos de capoeira.
Em jeito de mensagem, ao povo angolano afirma:“Mesmo diante dos desafios, não devemos cansar-nos de provar que somos fortes, criativos e capazes de nos reerguer. O angolano precisa de ser mais patriota e acreditar no seu país.”












