Gilmar Francisco: um engenheiro angolano em Marrocos, com a ‘banda’ no coração
O jovem angolano Gilmar Caetano Carlos Francisco, 34 anos de idade, natural de Luanda, é hoje um engenheiro industrial formado e especializado em riscos de manutenção industrial, com um percurso académico e profissional construído entre Angola e o Reino de Marrocos, onde actualmente reside.
Desde cedo, Gilmar demonstrou uma curiosidade natural pelos mecanismos e pela tecnologia.
Ainda criança, desmontava brinquedos para perceber como funcionavam, um sinal precoce da paixão que viria a consolidar-se na área da engenharia.
Essa inclinação foi reforçada durante a sua formação média técnica no Instituto Nacional de Telecomunicações (ITEL), em Angola, uma instituição de referência no país, onde teve contacto directo com a eletrotecnia, telecomunicações e sistemas tecnológicos.
Em 2010, por decisão familiar e impulsionado pela oportunidade de uma bolsa de estudos, Gilmar deixou Angola rumo ao Reino de Marrocos, com o objectivo de prosseguir a sua formação académica.
Após um período inicial dedicado à aprendizagem linguística, ingressou no Instituto Industrial de Marrakech, onde iniciou o seu percurso no ensino superior e deu os primeiros passos no ciclo de engenharia.
A escolha pela engenharia industrial surgiu da conjugação entre a base técnica adquirida em Angola e a descoberta do ambiente industrial marroquino, onde a eletrotecnia e a automação desempenham um papel central.
Essa complementaridade levou-o a aprofundar conhecimentos em automação, gestão de riscos e manutenção industrial, áreas que actualmente se cruzam no seu perfil profissional.
Durante a sua formação académica em Marrocos, Gilmar destacou-se pelo elevado desempenho, tendo sido integrado no Palmarés dos 30 melhores estudantes a nível nacional no sector industrial.
Este reconhecimento distingue estudantes que, para além da excelência académica, apresentam propostas inovadoras para o meio industrial.
A cerimónia contou com a presença de Sua Majestade, o Rei Mohammed VI, que procedeu pessoalmente à entrega dos diplomas, um marco que Gilmar considera determinante para a valorização do seu percurso profissional.
No plano profissional, trabalhou em contextos tecnológicos exigentes, incluindo a empresa ALTRAN, onde iniciou a sua carreira como engenheiro júnior consultor.
Nesta fase, esteve envolvido na análise e diagnóstico de sistemas mecânicos e electrónicos, particularmente no sector automóvel, bem como na utilização de softwares de sistemas inteligentes. Esta experiência permitiu-lhe consolidar conhecimentos em engenharia aplicada e compreender melhor a evolução constante dos sistemas tecnológicos industriais.
Actualmente, exerce funções como engenheiro industrial no sector de suporte técnico, especializado em riscos e manutenção industrial.
Entre as suas principais responsabilidades, destacam-se a análise e diagnóstico de riscos operacionais, a definição de políticas de manutenção, o planeamento estratégico de projectos industriais e a gestão global dos processos de manutenção.
Apesar de se encontrar profissionalmente estável em Marrocos, onde constituiu família e se integrou cultural e linguisticamente — dominando o francês e adquirindo noções de darija marroquino—, Gilmar mantém uma forte ligação a Angola.
Participa activamente na comunidade angolana em Marrocos, tendo integrado associações estudantis e participado em actividades culturais e comemorativas ligadas à diáspora.
Acompanha de perto a realidade angolana através da rádio, redes sociais, fóruns científicos e, em particular, das iniciativas do Instituto Nacional de Telecomunicações.
Na sua visão, Angola tem registado avanços graduais, embora reconheça que ainda há muito a fazer, especialmente nos sectores da educação, indústria e tecnologia.
Para Gilmar, é fundamental investir em infra-estruturas educativas, políticas de estágios e maior ligação entre o ensino e o sector industrial, de modo a preparar melhor os jovens para o mercado de trabalho.
Defende ainda que a indústria e a tecnologia devem caminhar juntas, com foco na implementação de soluções adaptadas às reais necessidades do país.
Depois de quase 16 anos fora de Angola, confessa sentir saudades da gastronomia, do clima, da natureza, da família, dos amigos e de hábitos simples como os passeios de domingo e as idas à praia.
O seu desejo a médio e longo prazo é claro: regressar definitivamente a Angola e colocar os seus conhecimentos ao serviço do desenvolvimento industrial e tecnológico do país, contribuindo para a criação de políticas, projectos e soluções inovadoras.
À juventude angolana, deixa uma mensagem de perseverança e esperança: estudar ou trabalhar no exterior é uma mais-valia, não apenas pelo conhecimento técnico, mas também pelo enriquecimento cultural e humano.
As dificuldades existem em qualquer parte do mundo, mas com determinação, foco e escolhas conscientes, é possível alcançar os objectivos e, um dia, devolver ao país aquilo que se aprendeu além-fronteiras.












