Talento angolano brilha na Rússia e aponta ao futuro do petróleo nacional
O frio intenso da República da Bashkiria contrasta com o calor de Luanda, mas não arrefece a determinação de Filemon Víctor Kahn Canjenguenga. Aos 26 anos, o jovem angolano frequenta Engenharia de Petróleo e Gás na Universidade Técnica Estatal de Petróleo de Ufa, na Rússia, com um objectivo firme: regressar a Angola para contribuir activamente no sector energético.
Nascido a 5 de Agosto de 1999, na Estalagem, em Luanda, Filemon iniciou o seu percurso escolar na Samaria, ligada à Igreja Evangélica Congregacional em Angola (IECA). Mais tarde, na Escola nº 8, consolidou as bases académicas, especialmente em matemática — disciplina que viria a definir o seu caminho. No ensino médio, na Escola Angola Quiluanje, destacou-se em Matemática, Física, Química, Geologia e Geometria Descritiva.
O gosto pelas ciências exactas levou-o ao ISPTEC, onde ingressou em Engenharia Informática. Não se limitou a assistir às aulas: tornou-se monitor em várias cadeiras, entre as quais Matemática, Física, Química e Electrónica Digital. A experiência reforçou-lhe a confiança e a vocação para áreas técnicas e tecnológicas.
Da informática ao petróleo: visão estratégica
A mudança para Engenharia de Petróleo e Gás surgiu através do programa “É Tempo de Estudar na Rússia”, no qual participou por meio das Olimpíadas de Matemática. Partiu de Angola a 27 de Outubro de 2023, concretizando um sonho antigo de estudar no exterior.
Para Filemon, a transição da informática para o petróleo não foi uma quebra, mas uma evolução natural. Defende que tecnologia e inovação são instrumentos essenciais para modernizar o sector petrolífero, sobretudo num país como Angola, cuja economia depende fortemente desta indústria.
Superação e mérito académico
Na Rússia, enfrentou desafios significativos: o clima rigoroso, a barreira linguística e as diferenças culturais. Ainda assim, destacou-se ao participar em Olimpíadas universitárias de Matemática, tendo sido o único estudante estrangeiro numa das competições. Posteriormente, integrou uma equipa que conquistou o terceiro lugar numa Olimpíada a nível nacional.
Paralelamente, tem mantido ligação activa à comunidade angolana na República da Basquíria, onde já desempenhou funções como secretário-geral, promovendo actividades de integração e intercâmbio cultural.
Apoios e sacrifícios
A bolsa atribuída pela Federação da Rússia cobre integralmente as propinas, mas despesas como viagem, seguro de saúde e alojamento ficaram sob sua responsabilidade. O apoio do Ministério da Juventude e Desportos (MINJUD), da família, amigos e professores foi determinante para viabilizar a sua deslocação.
Solteiro, conta ainda com a presença de um primo na Rússia, que frequenta o curso preparatório, reforçando os laços familiares num contexto distante.
Olhar para Angola
Mesmo longe, acompanha atentamente a realidade angolana através de plataformas digitais e contactos familiares. Reconhece avanços no sector petrolífero, mas defende maior investimento na formação técnica e na ligação efectiva entre universidades e indústria.
O plano é claro: concluir a formação, prosseguir para o mestrado em Engenharia de Reservatórios e regressar definitivamente a Angola. Ambiciona trabalhar em projectos de perfuração e produção, mas também leccionar no ensino superior, promovendo palestras e workshops que incentivem mais jovens a seguir carreiras técnicas.
Uma mensagem de persistência
A saudade da família, da comida e do calor da “banda” é constante. Ainda assim, encara essa distância como parte do preço a pagar pelo crescimento.
Aos jovens angolanos deixa um apelo simples e directo: acreditar, dar o primeiro passo e investir seriamente na formação. Para Filemon, “um homem formado vale por dois” — e Angola precisa de jovens preparados para transformar conhecimento em desenvolvimento.
Entre o frio de Ufá e o sonho do regresso, constrói-se a história de um jovem que vê na educação a principal ferramenta para servir o país.
Centro de Articulação com a Diáspora (CAD).












