Angola amplia acesso à saúde para 79% da população e reduz mortalidade infantil
A ministra da Saúde de Angola, Sílvia Lutucuta, destacou avanços significativos nos principais indicadores sanitários do país, resultado das reformas estruturais e do processo de descentralização dos serviços de saúde implementados nos últimos anos.
As melhorias foram apresentadas durante uma intervenção em que também sublinhou o papel da cooperação com o Brasil no fortalecimento do sistema sanitário angolano.
Segundo a governante, o sistema de saúde angolano tem registado progressos consistentes no acesso aos cuidados médicos, sobretudo com a aposta nos cuidados de saúde primários e na municipalização dos serviços, aproximando a assistência das comunidades.
Entre os indicadores apresentados, destaca-se a redução da mortalidade infantil, que caiu de 68 mortes por mil nascidos vivos em 2022 para 52 em 2024, um avanço atribuído à ampliação da rede de serviços e ao reforço das equipas de saúde nos municípios.
A mortalidade neonatal também registou uma melhoria importante, passando de 44 mortes por mil nascidos vivos em 2022 para 32 em 2024. Já a mortalidade materna, embora ainda considerada elevada, apresentou uma queda significativa, passando de 239 mortes por cada 100 mil nascidos vivos em 2022 para 170 em 2024.
Outro indicador relevante é o acesso da população aos serviços de saúde, que atingiu 79% dos cidadãos, demonstrando o impacto da expansão das infraestruturas sanitárias e da descentralização administrativa.
A ministra salientou que estes resultados refletem a estratégia do Governo liderado pelo Presidente João Lourenço, que tem colocado o setor social, particularmente a saúde, entre as prioridades nacionais. O objetivo, segundo afirmou, é garantir acesso equitativo, qualidade e continuidade dos cuidados de saúde, elementos essenciais para o desenvolvimento sustentável do país.
No plano dos recursos humanos, Angola realizou os maiores concursos públicos da história do setor da saúde, aumentando em 43% a força de trabalho do sistema sanitário.
Cerca de 80% dos novos profissionais foram colocados nos cuidados primários, reforçando a estratégia de atendimento próximo das comunidades.
A expansão das infraestruturas também foi determinante para os resultados alcançados. Em 2017, o país contava com 2.772 unidades sanitárias, número que subiu para 3.348 unidades em 2024. Paralelamente, a capacidade hospitalar aumentou de 37.800 camas em 2022 para 42.707 em 2024, um acréscimo de 4.899 camas no Serviço Nacional de Saúde.
Outro marco destacado foi a construção de 14 novos hospitais, alguns de especialidade e equipados com tecnologia avançada. O país tem igualmente investido em inovação médica, tendo realizado a primeira cirurgia robótica em Angola em 2024, além de uma telecirurgia robótica realizada a partir de Orlando para Luanda, a cerca de 17 mil quilómetros de distância, com resultados bem-sucedidos. Até ao momento, já foram
realizadas 99 cirurgias robóticas no país.
Durante a apresentação, a ministra reforçou que Angola pretende aprofundar a cooperação com o Brasil, considerada estratégica para a expansão dos serviços de saúde.
Entre as áreas prioritárias estão a formação de recursos humanos, a transferência de tecnologia, a telemedicina e a produção nacional de medicamentos.
A governante revelou que já foram mantidos contactos com o sector privado brasileiro
para instalar unidades de produção de medicamentos em Angola, iniciativa que poderá reduzir a dependência externa e fortalecer a indústria farmacêutica nacional.
Com cerca de 35 milhões de habitantes, dos quais 64% são jovens, Angola aposta no fortalecimento do sistema de saúde e da educação como pilares fundamentais para o desenvolvimento do país. Nesse contexto, a parceria com o Brasil surge como um
elemento estratégico para consolidar os avanços registados e ampliar o acesso aos serviços sanitários em todo o território nacional.












