8 de July, 2026
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Joyce Chipenda: da formação internacional ao compromisso com o desenvolvimento de Angola

Aos 22 anos, Joyce Chipenda afirma-se como um exemplo de determinação, visão estratégica e compromisso com o futuro de Angola. Natural de Luanda e licenciada em Direito e Relações Internacionais pela Middlesex University Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, a jovem angolana construiu um percurso marcado pela ambição académica e pelo desejo de contribuir activamente para o crescimento do seu país.

Uma decisão movida pela ambição académica

Em 2021, Joyce deixou Angola com um objectivo claro: expandir horizontes e ter acesso a uma educação internacional que lhe permitisse desenvolver uma visão mais ampla do mundo. A escolha pela área do Direito surgiu ainda no ensino médio, quando teve contacto com a disciplina de Introdução ao Direito.

Num contexto em que muitos estudantes optam por cursos técnicos, decidiu apostar numa área que exige pensamento crítico e responsabilidade social. O interesse pelas Relações Internacionais foi também influenciado pelo exemplo do pai, a quem hoje reconhece profunda gratidão.

A combinação das duas áreas permitiu-lhe desenvolver uma perspectiva estratégica e global, compreendendo melhor as dinâmicas internacionais e o papel que Angola pode desempenhar no cenário mundial.

Experiência internacional e espírito empreendedor

No Dubai, Joyce soube aproveitar as oportunidades que surgem através do networking. Conseguiu um estágio jurídico por intermédio da universidade e integrou actividades de voluntariado, experiências que reforçaram a sua maturidade profissional.

Paralelamente, transformou uma necessidade pessoal num negócio. Perante o elevado custo dos serviços de estética, decidiu aprender a fazer as próprias unhas. O que começou como uma solução económica tornou-se, com o tempo, a sua principal fonte de rendimento enquanto procura uma posição fixa na sua área de formação.

A trabalhar de forma independente como técnica de unhas, atende uma clientela multicultural — árabes, brasileiros, americanos, indianos e africanos — o que reforçou a sua capacidade de comunicação intercultural e adaptação.

Empreender num país exigente como o Dubai implicou analisar investimento inicial, custo de vida e posicionamento no mercado. Contudo, reconhece que o ambiente também recompensa organização, inovação e qualidade.

Visão estratégica para Angola

Apesar da experiência internacional, Joyce mantém uma ligação constante a Angola. Acompanha atentamente a realidade social, económica e política do país, demonstrando preocupação com desafios como o desemprego jovem, a diversificação económica e o fortalecimento das instituições jurídicas.

Defende que a crítica deve ser construtiva e acompanhada de soluções. Para si, a sua geração tem a responsabilidade de se preparar tecnicamente, agir com ética e contribuir para um desenvolvimento sustentável.

No campo jurídico, gostaria de ver um sistema mais acessível, eficiente e menos burocrático, onde a aplicação da lei acompanhe efectivamente as necessidades da população. Já nas relações internacionais, acredita que Angola tem um enorme potencial estratégico, graças aos seus recursos naturais, posição geográfica e riqueza cultural.

Aponta como prioridades a diversificação económica, a captação de investimento estrangeiro qualificado e o reforço da imagem do país além-fronteiras.

Regresso com propósito

Joyce pretende regressar a Angola, mas de forma estruturada e preparada. O objectivo é voltar com experiência, estabilidade e maturidade profissional suficientes para contribuir activamente para o crescimento do país.

Entre os seus planos futuros está a criação de uma organização dedicada à capacitação e empregabilidade de jovens angolanos, sobretudo daqueles com menos acesso a oportunidades. Paralelamente, quer expandir o seu negócio e formar outros jovens, criando fontes de rendimento sustentáveis.

Identidade e esperança activa

Longe de casa, sente falta da família, da energia contagiante do povo angolano e da riqueza cultural que se expressa na música, na gastronomia e na hospitalidade. Ainda assim, mantém uma esperança activa — baseada no trabalho, competência e participação cívica.

Aos jovens angolanos deixa uma mensagem clara: apostar na educação, desenvolver competências práticas, aprender línguas e sair da zona de conforto. Para Joyce Chipenda, o talento por si só não basta — é necessária disciplina, consistência e coragem.

A sua história reflecte o retrato de uma nova geração angolana: preparada, globalizada e determinada a regressar para construir soluções concretas para o futuro do país.

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