Discurso do ministro de Estado para a Coordenação Económica, José de Lima Massano, no 3.º Fórum Económico RDC-Angola
“Lema: “Integração Sub-Regional e Desenvolvimento do Comércio Fronteiriço”
Kinshasa, 01 de Abril de 2026
Excelentíssima Senhora Primeira-Ministra Judith Suminwa Tuluka,
Excelentíssimo Senhor Vice-Primeiro-Ministro Daniel Mukoko Samba,
Minhas Senhoras e Meus Senhores membros dos Governos da República Democrática do Congo e da República de Angola,
Excelências, Senhoras e Senhores Embaixadores,
Minhas Senhoras e Meus Senhores Empresários,
Distintos convidados,
Minhas Senhoras e Meus Senhores,
Bom dia a todos.
Permitam-me, em nome do Governo angolano, expressar a nossa sincera gratidão às autoridades congolesas pelo acolhimento fraterno e caloroso que nos foi reservado, bem como por terem criado as condições propícias para este encontro.
É com confiança no futuro das relações económicas entre Angola e a República Democrática do Congo que participamos neste 3.º Fórum Económico entre os nossos dois países, um momento que reafirma a solidez da nossa cooperação e a ambição comum de construir um espaço económico integrado, partilhado e próspero.
O lema que nos orienta — “Integração Sub-regional e Desenvolvimento do Comércio Fronteiriço” — traduz a opção estratégica de transformar a partilha histórica e proximidade geográfica num verdadeiro motor de crescimento económico e de desenvolvimento sustentável, com benefícios concretos para as nossas populações.
Esta é claramente a vontade política dos nossos líderes, os Presidentes João Lourenço e Felix Tchisekedi Tchilombo, e a expectativa justa e legítima dos nossos concidadãos.
Mais ainda, a complementaridade das nossas economias é uma vantagem competitiva natural que deve ser traduzida em resultados concretos em áreas de interesse comum, como a segurança alimentar, a transição energética, o desenvolvimento e partilha de infraestruturas de transportes e logística, à inclusão financeira e digital ou a integração de cadeias de valor, apenas para citar algumas.
Neste contexto, importa sublinhar que Angola tem vindo a implementar um conjunto de reformas estruturais orientadas para a estabilização da economia e a melhoria do ambiente de negócios.
Além de um programa de privatizações que contempla mais de 100 empresas no domínio público e de simplificação de procedimentos administrativos, estamos a realizar investimentos relevantes em infraestruturas energéticas, rodoviárias, ferroviárias e aeroportuárias, melhorando a capacidade logística e produtiva do país.
A combinação de reformas estruturais e desenvolvimento de infraestruturas de base têm permitido alcançar níveis assinaláveis de crescimento económico.
Nos últimos dois anos o sector não petrolífero cresceu acima de 5%; o desempenho mais robusto da última década.
A inflação tem vindo a desacelerar e estamos mais próximos da meta de 1 dígito. As reservas internacionais estão estimadas em USD 15,3 mil milhões, cobrindo 7,4 meses de importações de bens e serviços.
Actuamos hoje num ambiente macroeconómico interno mais favorável e amigo do investidor, isso deve merecer a atenção e interesse de mulheres e homens de negócios da RDC.
Por outro lado, o enquadramento regional é igualmente favorável. A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, da África Central e a Zona de Livre Comércio Continental Africana vêm criando condições para reduzir barreiras, estimular o investimento privado e reforçar a previsibilidade jurídica.
Caros Participantes,
Permitam-me dirigir uma palavra mais directa aos empresários, investidores e operadores económicos aqui presentes:
Estamos perante um mercado conjunto de cerca de 170 milhões de habitantes e um PIB nominal combinado que ronda USD 190 mil milhões.
Na nossa fronteira comum de cerca de 2 500 Kms, as transacções informais são intensas, mas o comércio formal entre os nossos países é bastante limitado, está estimado em não mais do que USD 600 milhões por ano, ou seja, cerca de 0,3% do PIB dos nossos países.
Como se apercebe, o potencial é imenso, mas o sucesso da integração que defendemos dependerá, sobretudo, da vossa capacidade de agir, investir e transformar oportunidades em projectos concretos, encarando nosso mercado comum como espaço privilegiado para investir, produzir e inovar.
Queremos transmitir-vos que, em resposta às preocupações expressas por operadores económicos nos dois Fórum anteriores, confirmamos estar já em funcionamento o Posto Fronteiriço do Luvo, uma infra-estrutura moderna que reforça a segurança das transacções, a capacidade de monitoramento e formalização progressiva da actividade comercial.
Vamos fazer os investimentos para termos a mesma qualidade de infraestruturas nos restantes Postos já com alguma intensidade económica.
Para facilitar e formalizar os fluxos financeiros, temos a indicação de instituições financeiras angolanas terem abordado recentemente o Banco Central da RDC com o intuito de constituição de dossiê para a obtenção de licença comercial bancária, o que encorajamos a prosseguir.
Tal como vimos já promovendo no Corredor do Lobito, com a criação e funcionamento da Agência responsável pela facilitação do transporte e trânsito entre a Zâmbia, RDC e Angola, a coordenação institucional vai manter-se e a simplificação de procedimentos que facilitem o comércio e investimentos consta da agenda bilateral entre os governos de Angola e da RDC,
Minhas Senhoras e Meus Senhores,
Sabemos que temos caminho a percorrer para superar as dificuldades e barreiras ainda existentes. Mas a nossa vontade e compromisso de superar é firme.
Os temas agendados para este encontro reflectem o nosso interesse comum em alargar e diversificar a cooperação económica em vários domínios estratégicos, evidenciado também nos quatro painéis temáticos deste Fórum.
Estamos convictos de que estes dois dias de partilha vão permitir-nos encontrar respostas conjuntas para que a relação económica bilateral seja cada vez mais dinâmica, estruturada, inclusiva e sustentável.
Reafirmamos a nossa total disponibilidade para juntos transformarmos esta relação entre países e povos irmãos num exemplo de integração económica bem-sucedida no continente africano.
Desejamos a todos um Fórum produtivo e que sirva de catalisador para a criação de novas parcerias entre operadores económicos dos nossos países.
Por fim, gostaria de apresentar as nossas felicitações pela qualificação histórica para o Campeonato do Mundo de futebol. Estamos convictos de que a RDC saberá representar, com dignidade, África e os africanos.
Como se diz em Angola, “Estamos Juntos!”
Muito obrigado pela vossa atenção.”












