13 de July, 2026
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Estados africanos do Atlântico querem reconfiguração das cadeias logísticas e maior segurança marítima

O Embaixador Téte António, Ministro das Relações Exteriores, é representado nesta segunda-feira, 13/07, em Cotonou, Benin, na 7ª Reunião Ministerial do Processo dos Estados Africanos do Atlântico (PEAA) pelo Embaixador de Angola no Benin, José Bamóquina Zau.

A 7ª reunião, aberta pela Ministra dos Negócios Estrangeiros da República do Benin, Corinne Amori Brunet, junta os ministros dos negócios estrangeiros dos países africanos banhados pelo Oceano Atlântico e está a reavaliar as questões de segurança marítima, corredores logísticos e transição energética para consolidar um espaço africano integrado.

Em nome do Ministro das Relações Exteriores, o Embaixador José Bamóquina Zau reafirmou o compromisso da República de Angola com os objectivos e princípios do Processo dos Estados Africanos do Atlântico, reconhecendo-o como uma plataforma estratégica para promover a paz, a segurança, o desenvolvimento sustentável e a integração regional no espaço atlântico africano.

Bamóquina Zau sustentou na sua intervenção que o espaço atlântico africano assume uma crescente importância geopolítica e constitui um vector estratégico de segurança, desenvolvimento e afirmação dos Estados a nível continental e no sistema internacional.

“A crescente competição geopolítica e geoestratégica tem conduzido à reconfiguração das cadeias logísticas globais e aumentado a pressão sobre os recursos naturais. Neste contexto, o nosso espaço marítimo deixou de ser periférico para se tornar um espaço central na arquitectura económica e estratégica mundial”, disse o diplomata.

Nesta 7ª Reunião Ministerial do Processo dos Estados Africanos do Atlântico (PEAA) a República de Angola defendeu o reforço da cooperação regional e da coordenação entre os Estados, mediante intercâmbio de informações, fortalecimento das capacidades institucionais, realização de acções conjuntas de vigilância marítima e a promoção de mecanismos eficazes de prevenção e resposta às ameaças transnacionais.

Angola entende que o desenvolvimento de uma economia azul africana integrada e a concertação de uma posição comum nos principais fóruns internacionais constituem pressupostos essenciais para a consolidação de uma verdadeira zona de paz, segurança e prosperidade no atlântico africano.

Os ministros participantes e chefes das delegações adoptaram a chamada “Declaração de Cotonou” como um sinal político inequívoco de que permanecem comprometidos com o Plano de Acção e com a consolidação de um espaço atlântico africano integrado, assente na segurança marítima, nos corredores logísticos ecológicos e na transição energética sustentável.

Este Plano de Acção produzirá resultados concretos e mensuráveis, para a implementação de um quadro de coordenação eficaz, assente em prioridades, metas e indicadores de desempenho, mecanismos de acompanhamento e avaliação periódica, bem como na mobilização dos recursos técnicos e financeiros necessários.

A Declaração orienta o reforço da articulação entre o Secretariado Permanente, os Estados-membros e os parceiros estratégicos, promovendo a apropriação nacional das iniciativas e assegurando que as acções acordadas se traduzam em benefícios concretos para os africanos.

O lema adoptado para a Reunião Ministerial foi a “Consolidação de um Espaço Atlântico Africano Integrado: Segurança Marítima, Corredores Logísticos Ecológicos e Transição Energética Sustentável” alinhado à visão estratégica privilegiada de cooperação regional e multilateral do Atlântico Africano.

O Processo dos Estados Africanos do Atlântico é um mecanismo geopolítico, criado por iniciativa do Rei de Marrocos, em 2022 e congrega 22 Estados Africanos banhados pelo Oceano Atlântico.