27 de June, 2026
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Marina Cabral, “testemunho” de resiliência angolana na Diáspora Londrina

A jovem angolana Izenaida Marina Cabral, hoje com uma vida consolidada no Reino Unido, é um testemunho de resiliência na Diáspora Londrina.

Nascida na província de Benguela, onde viveu os primeiros capítulos de uma história marcada por resiliência, talento e um percurso académico vasto, deixou Angola em tenra idade, ainda bebé, por alegada perseguição política que o pai enfrentava durante o período revolucionário.

Aliás, de Benguela para Londres, a história de Marina Cabral é, de facto, um “testemunho” de resiliência, dedicação e amor profundo às suas raízes — uma narrativa que continua a inspirar dentro e fora de Angola.

A família refugiou-se em Portugal, onde permaneceu entre 9/10 anos, regressando posteriormente a Pátria Mãe, Angola.

Apenas com oito anos, Marina Cabral iniciou o seu contacto com o mundo da comunicação.

Depois de participar no programa infantil “Comboio da Amizade” da TPA, foi convidada a integrar a equipa de apresentadores “graças” à sua expressividade e capacidade natural de contar histórias.

Mais tarde, viria também a apresentar o “Caça Talentos”, da TV Record Angola, e a trabalhar como produtora na revista CARAS Angola. O gosto pela comunicação e pelo jornalismo, como refere, “foi um bichinho que nunca mais saiu”.

Formação e carreira internacional

Aos 18 anos, Marina voltou a emigrar, desta vez para o Reino Unido, onde reside actualmente, em Londres.

Em 2008 concluiu a sua primeira formação em Jornalismo na South Bank University.

Ao longo dos anos, realizou vários cursos de especialização, mas foram as ciências comportamentais que acabariam por definir a nova fase da sua carreira.

A proximidade a um grande centro de autismo, situado perto da sua residência, despertou-lhe interesse e sensibilidade para a área.

Após ajudar espontaneamente num momento de necessidade, foi convidada a conhecer o trabalho desenvolvido no local.

Essa experiência levou-a a iniciar formação contínua em terapias comportamentais, até se tornar especialista em autismo, certificada pelo Instituto Nacional de Autismo, no Reino Unido.

Em 2022 concluiu o curso de Psicologia na East London University. Em 2025 finalizou o mestrado em Psicologia, seguindo, no mesmo ano, para o doutoramento em Ciências da Psicologia.

É também autora da obra “Educados Somos Mais Felizes e Bem-Sucedidos”, reforçando o seu compromisso com a educação e o desenvolvimento humano.

Entre a vida profissional e o papel de mãe

Com um trabalho exigente e emocionalmente intenso, Marina afirma conseguir manter com estabilidade todas as suas despesas.

No entanto, reconhece a dificuldade de equilibrar a profissão com a vida familiar. Casada e mãe de três filhos — dois ainda menores, o Nilson (12 anos) e a Nicole (6), e uma filha mais velha já independente —, relata que a adaptação à realidade inglesa exigiu esforço e disciplina.

Sem apoio de empregadas domésticas, como é habitual em Angola, organiza a rotina de forma rigorosa, acordando diariamente às 5H00 da manhã para conciliar casa, estudos, trabalho e maternidade.

Ao longo dos anos, familiares próximos também emigraram, formando hoje uma sólida rede de apoio em Londres.

O coração que continua em Angola

Apesar da integração bem-sucedida no Reino Unido, Marina não esconde a saudade:

“Sinto falta do meu povo, do cheiro da terra, da praia, dos convívios, do calor humano.”

Reconhece que, embora tenha sido muito bem acolhida, nada substitui a sensação de “pisar o solo que nos pertence”.

Quanto à possibilidade de regressar definitivamente, deixa a porta aberta: só acontecerá quando surgirem condições adequadas ou uma oportunidade alinhada com a sua área de especialização.

Mensagem ao povo angolano

Em jeito de despedida, Marina deixa um apelo carregado de fé e admiração: “O povo angolano é valente. Enfrenta tantas dificuldades, mas nunca perde o sorriso. Continuem com esse espírito. Nunca deixem de acreditar no vosso potencial. A maior riqueza de Angola é o seu capital humano.”