26 de June, 2026
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Ana Celma Diogo – empreendedora angolana de valor na diáspora

Ana Celma Diogo, de 29 anos, natural de Luanda, é um exemplo de resiliência, visão estratégica e compromisso com o desenvolvimento de Angola.

Actualmente a residir em Marrocos, construiu um percurso marcado pela formação académica internacional, pela adaptação cultural e pela criação de um projecto empresarial próprio, que ultrapassa fronteiras e mantém uma ligação directa ao país de origem.

Formação académica e experiência internacional

O percurso académico de Ana Celma teve início em Angola, onde concluiu o ensino médio em Contabilidade e Gestão, no Instituto Médio de Administração e Gestão do Kilamba-Kiaxi, em Luanda.

Desde cedo, demonstrou interesse pelas áreas ligadas à gestão empresarial e à administração, o que influenciou as suas escolhas académicas e profissionais.

Após o ensino médio, beneficiou de uma bolsa de estudos que lhe permitiu prosseguir a formação superior em Marrocos.

Na Escola Nacional de Comércio e Gestão de Marraquexe, licenciou-se em Comércio Internacional, uma área que considera abrangente e versátil, com aplicações em diversos sectores, como a gestão, a administração, as vendas e até a diplomacia.

A saída de Angola foi motivada não só pela oportunidade académica, mas também pelo desejo de viver uma nova experiência cultural e aprender uma nova língua.

O nascimento da Kukala: da costura aos cosméticos

Paralelamente à vida académica, Ana Celma decidiu investir numa paixão antiga: a costura.

Durante o segundo ano da universidade, frequentou uma escola de modelismo e costura, especializando-se na área.

O projecto começou de forma modesta, no seu próprio quarto, onde produzia peças para amigos.

Com o aumento da procura, sentiu a necessidade de estruturar a actividade, levando à abertura de um atelier de costura e ao desenvolvimento de colecções próprias, trabalhando como estilista.

Com o tempo, a marca Kukala, fundada por Ana Celma, passou por uma transformação estratégica.

Actualmente, a Kukala actua no sector dos cosméticos, resultado de uma leitura atenta das necessidades do mercado.

Em parceria com um laboratório sediado em Marrocos, foram desenvolvidas formulações específicas, dando origem a uma linha de produtos composta por um óleo hidratante, uma loção hidratante e um protector solar.

A marca encontra-se devidamente registada em Angola.

O protector solar esteve na origem desta nova fase da Kukala.

A fundadora identificou dificuldades em encontrar produtos solares adequados à pele negra, sobretudo no que respeita à textura e ao acabamento.

Muitos protectores deixavam um tom acinzentado na pele, o que a levou a exigir uma fórmula verdadeiramente invisível, hidratante e adaptada às especificidades da pele negra. Posteriormente, após pesquisa de mercado, foram acrescentados outros produtos que respondem às necessidades de hidratação.

Vida profissional, estabilidade e integração em Marrocos

Para além da actividade empresarial, Ana Celma trabalha como intérprete profissional de português para francês, tendo colaborado em missões diplomáticas, conferências e eventos institucionais.

Considera esta actividade intelectualmente estimulante e fundamental para garantir maior estabilidade financeira, reconhecendo, contudo, que o empreendedorismo é uma jornada marcada por desafios, incertezas e períodos de instabilidade.

Casada e residente em Marrocos, descreve o primeiro ano de adaptação como particularmente difícil, sobretudo a nível cultural e linguístico. Ainda assim, sublinha o acolhimento positivo que encontrou no país, factor determinante para a sua integração e permanência.

A experiência no estrangeiro tem sido, segundo afirma, uma jornada rica de crescimento pessoal e profissional.

Ligação a Angola e contributo para o desenvolvimento

Apesar de viver fora do país, Ana Celma mantém uma ligação activa a Angola.

Participa regularmente em actividades da comunidade angolana na diáspora, o que lhe permitiu contactar com outros angolanos residentes em diferentes países.

Acompanha atentamente a realidade económica, social e política de Angola, procurando manter-se informada e preparada, sobretudo porque uma parte significativa da sua actividade empresarial está ligada ao país.

A empresária acredita que o seu contributo para o desenvolvimento nacional se concretiza através da produtividade, da criação de valor, da circulação de capital, do envio de divisas e do cumprimento das obrigações fiscais e contributivas.

Defende que cada acção individual, por menor que pareça, contribui para o crescimento colectivo da economia angolana.

Acrescenta ainda que, enquanto angolana a viver em Marrocos, sente uma responsabilidade acrescida pela imagem de Angola, uma vez que, numa comunidade reduzida, cada cidadão acaba por representar o país junto daqueles com quem contacta.

Saudade, identidade e mensagem à juventude

Questionada sobre o que mais sente falta de Angola, Ana Celma aponta, em primeiro lugar, a proximidade da família e dos amigos.

A gastronomia tradicional ocupa também um lugar especial, destacando pratos como o mufete, o peixe fresco, a banana-pão e a mandioca, que associa às memórias e à identidade cultural angolana.

Aos jovens angolanos, deixa uma mensagem clara de perseverança e acção.

Defende que é fundamental fazer algo, mesmo quando as condições não são ideais, em vez de permanecer na inércia à espera de oportunidades.

Para Ana Celma Diogo, as oportunidades não surgem espontaneamente: exigem procura activa, esforço contínuo e a coragem de tentar, mesmo correndo o risco de falhar.

O percurso de Ana Celma Diogo e da marca Kukala ilustra o papel estratégico da diáspora angolana na criação de valor económico, social e simbólico para Angola, demonstrando como a experiência internacional pode ser transformada em contributo concreto para o desenvolvimento do país.