Ministra da Saúde apresenta números do programa de formação de quadros durante aula inaugural na USP
A ministra da Saúde de Angola, Sílvia Lutucuta, apresentou esta terça-feira (10) um balanço detalhado dos investimentos e resultados do sector da saúde angolano durante a aula inaugural do Ciclo 2026 do Programa de Formação de Recursos Humanos em Saúde Brasil–Angola, realizada na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), na cidade de São Paulo.
O evento reuniu autoridades dos governos de Angola e do Brasil, directores nacionais e dos gabinetes provinciais de saúde angolanos, responsáveis do Ministério da Saúde brasileiro, técnicos do projecto de formação de recursos humanos e bolseiros angolanos que realizam formação em instituições académicas brasileiras.
Durante a sua intervenção, a ministra destacou os avanços registados pelo sector da saúde angolano nos últimos anos, com especial enfoque na expansão da força de trabalho e na
formação de quadros especializados. Segundo Sílvia Lutucuta, Angola realizou recentemente os três maiores concursos públicos da história do sector, o que permitiu um aumento de 43,6% da força de trabalho na saúde, passo considerado essencial para alcançar a cobertura universal dos serviços de saúde.
No domínio da formação médica, a ministra revelou que cerca de 4.000 médicos internos de especialidade se encontram actualmente em formação no país, distribuídos por 39programas de especialização, com destaque para a medicina geral e familiar. Apenas em2025, 399 novos especialistas foram certificados nesta área.
Outro dado relevante apresentado durante a conferência foi o início, de forma inédita no sector público angolano, da formação pós-graduada em enfermagem, estruturada em 10 programas de especialização. A iniciativa deverá permitir a qualificação de 3.954 enfermeiros em áreas consideradas prioritárias, como enfermagem médico-cirúrgica, saúde comunitária, pediatria, saúde materna e neonatal, emergência e trauma, nefrologia,
cuidados intensivos, infectologia, dermatologia com ênfase em feridas, anestesiologia e reanimação.
A ministra sublinhou que este esforço faz parte de um ambicioso programa nacional que prevê a especialização de 38 mil profissionais de saúde até 2028. Deste total, 20% deverão realizar formação no exterior, enquanto 80% serão formados em território angolano, reforçando simultaneamente a capacidade interna do sistema. No âmbito do programa de cooperação com o Brasil, Sílvia Lutucuta revelou que 11.648 profissionais angolanos já estão a beneficiar directamente das iniciativas de formação, incluindo 1.174 profissionais actualmente em formação no exterior.
Entre estes, 783 profissionais desenvolvem os seus estudos no Brasil, número que deverá aumentar ainda este ano, com mais de 800 novos profissionais com processos de formação em fase de preparação.
A cooperação envolve 68 instituições brasileiras de ensino e pesquisa distribuídas por 23 estados, que acolhem profissionais angolanos em programas de estágios de curta, média e longa duração, especializações e programas de fellowship.
Para o ano académico de 2026, as instituições brasileiras disponibilizaram 1.403 vagas de formação, das quais 771 já foram preenchidas por profissionais angolanos seleccionados para iniciar os seus estudos no Brasil.
Durante o discurso, a ministra destacou ainda que a cooperação bilateral na área da saúde ganhou novo impulso após a visita do Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva a Angola, em 2023, e recordou o acordo de cooperação assinado em 23 de abril de 2024, que consolidou a parceria entre os dois países na formação de quadros e no intercâmbio científico.
Sílvia Lutucuta agradeceu também o apoio institucional do Presidente angolano João Lourenço, cuja visão estratégica, segundo afirmou, tem colocado o sector social — em
particular a saúde — no centro das prioridades nacionais.
Ao encerrar a sua intervenção, a ministra dirigiu uma mensagem aos profissionais angolanos em formação no Brasil, sublinhando que o país conta com o seu contributo para reforçar o sistema nacional de saúde e responder aos desafios futuros.
“Precisamos de vocês. Estamos convosco para construir o futuro das próximas gerações”, afirmou.












