22 de May, 2026
#Economia

Angola ultrapassa Quénia sendo agora a 6ª economia de África

Com um PIB nominal de 152,35 mil milhões de dólares, Angola ultrapassou o Quénia (147,26 mil milhões de dólares) e tornou-se a 6.ª maior economia de África, segundo os mais recentes dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) de Abril de 2026. O país ocupa agora a terceira maior posição na África subsaariana, ficando atrás apenas da África do Sul e da Nigéria. No mercado da SADC, Angola figura como a segunda maior economia, consolidando o seu papel geoestratégico.

Os números reflectem mais do que um reposicionamento estatístico. Revelam uma transição estrutural profunda de uma economia historicamente dependente do petróleo que começa a afirmar-se através da diversificação. O sector não petrolífero tem crescido de uma forma consistente acima do sector petrolífero, com a agricultura, logística, telecomunicações, indústria e serviços financeiros a ganhar peso crescente na composição do PIB.

A ultrapassagem do Quénia e Etiópia é particularmente significativa por se tratar de duas economias frequentemente apresentadas como modelos de crescimento africano não dependente de recursos naturais.

A agricultura emerge como um dos exemplos mais claros desta transformação. Com mais de 35 milhões de hectares de terra arável, Angola tem intensificado os esforços para reduzir as importações alimentares, expandir a produção interna e fortalecer a capacidade agroindustrial.

O Corredor do Lobito reforça igualmente o posicionamento estratégico do país. A ligação entre o oceano Atlântico e as regiões ricas em minerais da África Central têm atraído parcerias com os Estados Unidos, a União Europeia e instituições financeiras multilaterais, elevando a relevância geopolítica de Angola nas cadeias globais de abastecimento.

A estabilização relativa da taxa de câmbio e a moderação da inflação contribuíram ainda para restaurar a confiança dos investidores, num contexto em que as telecomunicações e a infra-estrutura digital representam uma fronteira em expansão.

Embora persistam desafios relevantes, a trajectória de Angola é cada vez mais clara. Durante décadas o país foi visto como uma economia em busca da diversificação. As projecções do FMI sugerem que o inverso pode estar a emergir: uma economia africana em processo de diversificação que, por acaso, ainda produz petróleo. E essa distinção poderá ser decisiva na hierarquia económica africana da próxima década.

África do Sul continua a ser a maior economia do continente

A classificação de Abril de 2026 mostra que a África do Sul continua a ser a maior economia do continente, apesar dos protestos que têm abalado o país durante grande parte do último mês. O PIB sul-africano é de 479,96 mil milhões de dólares, quase três vezes e meia superior ao do Quénia.

Logo atrás da África do Sul surge o Egipto, com 429,65 mil milhões de dólares, enquanto a Nigéria mantém a terceira posição com 377,37 mil milhões.

A Argélia ocupa o quarto lugar com 317,17 mil milhões e Marrocos o quinto com 194,33 mil milhões.

Na África Oriental, o Quénia lidera, seguido pela República Democrática do Congo com um PIB de 123,41 mil milhões de dólares, e depois pela Etiópia com 121,53 mil milhões.

O PIB da Tanzânia caiu para 94,89 mil milhões de dólares, enquanto o da Uganda é de 73,37 mil milhões de dólares.