Angola defende reforço de mecanismos institucionais e financeiros para atenuar crise humanitária em África
A República de Angola defendeu nesta sexta-feira, 19 de Junho de 2026, em Adis Abeba, Etiópia, a urgência de fortalecer os mecanismos políticos, institucionais e financeiros do continente africano para mitigar o severo impacto humanitário decorrente dos conflitos armados, de outras crises e das deslocações forçadas de populações em África.
A posição foi expressa por Miguel César Domingos Bembe, Embaixador da República de Angola na República Democrática Federal da Etiópia e Representante Permanente junto da União Africana (UA) e da Comissão Económica das Nações Unidas para a África (UNECA), durante uma Sessão Interactiva de Alto Nível, realizada na Sede da União Africana, com o Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Barham Salih.
No seu pronunciamento, o diplomata angolano manifestou a preocupação face à persistência de focos de tensão em regiões críticas como o Sahel, o Corno de África e a Região dos Grandes Lagos.
O Embaixador Miguel Domingos Bembe sublinhou que estas crises cíclicas continuam a flagelar o continente com deslocações em massa, insegurança alimentar e a desestruturação do tecido familiar. Na ocasião, o Representante Permanente de Angola enalteceu o papel crucial desempenhado pelo Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados e pelo Comité Internacional da Cruz Vermelha na protecção de civis e na salvaguarda do Direito Internacional Humanitário em cenários de conflito.
Como resposta estrutural a este quadro, o Embaixador Miguel Bembe anunciou a realização, em Luanda, nos dias 29 e 30 de Agosto de 2026, da Sessão Extraordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana sobre a Resolução de Conflitos em África. O evento, convocado por iniciativa do Presidente da República de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço, também Campeão da União Africana para a Paz e Reconciliação em África, debruçar-se-á sobre o “Reforço dos Mecanismos de Prevenção e de Resolução de Conflitos em África”.
O diplomata angolano esclareceu que, embora este importante encontro seja de participação exclusiva dos Estados-Membros e das instituições da União Africana, as suas decisões estratégicas focar-se-ão não apenas nas causas profundas das crises, mas sobretudo na dotação de recursos financeiros e ferramentas institucionais robustas. O objectivo final é garantir que o continente disponha de capacidade própria e imediata para responder aos desafios de paz e segurança em África, através do reforço e da reforma dos mecanismos existentes. Esta iniciativa apoiada pelos Estados-Membros da UA, reafirma o papel de liderança geopolítica e humanitária de Angola na arquitectura de paz e segurança do continente africano, com impacto global.
Por último, o Embaixador Miguel César Domingos Bembe destacou a realização da 4ª edição do Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz e Não-Violência Bienal de Luanda, agendada para os dias 22 e 23 de Outubro de 2026. O evento afirmar-se-á como um espaço privilegiado de promoção da cultura de paz, de não violência e de diálogo intergeracional, consolidando o contributo estratégico de Angola na prevenção e resolução de conflitos, na protecção dos direitos humanos e na construção de um futuro seguro para o continente africano.










