24 de May, 2026
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Uma angolana radicada em Israel que transforma vidas através da beleza

Nesta rubrica, o Centro de Articulação com a Diáspora (CAD) traz a história de uma angolana que devolve auto-estima a outras mulheres pelo mundo ao transformar vidas através da beleza.

Trata-se da jovem Lassalete Florinda Lucas dos Santos Barbalat, de 37 anos de idade, um exemplo inspirador de resiliência, fé e propósito.

Natural de Angola, casada e mãe de três filhos, formou-se em Engenharia Informática pela Universidade Metodista de Angola (UMA), mas foi no universo da beleza e das perucas artesanais (as famosas laces) que encontrou a verdadeira paixão e missão de vida: transformar a auto-estima e o destino de mulheres através da arte e do empreendedorismo.

Lassalete sempre foi apaixonada por inovação e trabalhos manuais, reconhecendo que a engenharia lhe deu a disciplina e estratégia e usou isso para empreender na área da estética.

Da união nasceu a Academia African Style, a primeira em Israel a ensinar a confeccionar laces do zero.

“Gosto de desafios e acredito que todos os anos devemos apresentar a nossa melhor versão. Assim como um software precisa de actualização, também nós devemos evoluir. A minha técnica de hoje não é a mesma de ontem — estou sempre a inovar”, afirma com entusiasmo.

African Style: um espaço de beleza e formação

O empreendimento, criado em conjunto com o marido, divide-se em duas áreas: uma de beleza, onde atende mulheres em busca de transformação visual — muitas delas em tratamentos oncológicos ou com alopecia —, e outra de formação profissional, voltada sobretudo para jovens e mães solteiras que procuram uma nova oportunidade de sustento.

Considera um orgulho ser angolana e trazer algo novo num país tão competitivo como Israel. Manter-se aqui é um desafio, mas também uma vitória”, reconhece.

Projetos sociais com coração

Mais do que um negócio, Lassalete faz da sua arte uma missão social. Lidera dois projectos solidários: Sonhando com Fios e Leve Tov (que significa Coração Bom em hebraico).

O primeiro consiste em confeccionar laces personalizadas para crianças que perderam o cabelo por doença ou acidente. Já o segundo visa oferecer formação gratuita a jovens mulheres sem recursos, principalmente em Angola.

Revela ter recebido este dom de Deus e acredita que mais vale dar do que receber. Se puder ensinar cinco jovens gratuitamente, já será uma grande vitória”, conta emocionada.

Estes projectos foram também apresentados na Conferência sobre o Capital Humano, em alusão aos 50 anos da independência de Angola, reforçando o compromisso de Lassalete com o desenvolvimento social e feminino do seu país.

Planos para o futuro

Com os olhos postos no futuro, Lassalete sonha em abrir uma fábrica de confecção de laces em Angola, com mão-de-obra nacional e qualidade internacional.

Frisa que o mercado angolano tem muito potencial. Podemos empregar jovens, produzir com qualidade e mostrar que o talento angolano é reconhecido no mundo. Se o modelo funciona em Israel, pode funcionar em qualquer parte”, garante.

Uma mulher de fé, família e propósito

Radicada em Israel com o marido e os filhos, Lassalete recorda as dificuldades iniciais de adaptação. “A língua, a cultura, o clima — tudo era diferente. Mas quando temos um propósito, conseguimos adaptar-nos a qualquer lugar. Hoje sinto-me completamente integrada e feliz por contribuir para a sociedade israelita.”

Apesar de a comunidade angolana em Israel ser pequena, Lassalete participa sempre que possível nos encontros organizados, especialmente pela compatriota Laura, empreendedora na área da decoração e eventos. “São momentos que nos fazem matar as saudades da comida, da música e da energia da nossa terra”, conta com um sorriso.

Mesmo longe, Lassalete acompanha de perto o que se passa em Angola. “Vejo o talento e a criatividade dos jovens, mas preocupa-me a falta de oportunidades. É por isso que quero investir mais em Angola, para ajudar a mudar este quadro. Acredito num futuro promissor, mas é preciso trabalharmos juntos”, defende.

Para Lassalete, o desenvolvimento de Angola passa necessariamente pela educação e pelo investimento no capital humano, pelo que “Quando uma mulher ganha uma profissão, ganha voz, independência e poder para mudar a sua comunidade. É isso que quero levar para Angola: dignidade e capacitação”, sublinha.

Da terra natal, o que mais sente falta é da família, da comida e da energia contagiante do povo angolano.

“Angola tem um toque especial. Mesmo quem passou por dificuldades sente falta da banda. Precisamos apenas de mais oportunidades”, confessa.

A empreendedora deixa palavras de fé e motivação ao povo angolano.

“Não desistam dos vossos sonhos. O meu lema é servir para viver. Quem serve, alcança. Ajudar o próximo é um mandamento, e não é preciso ser milionário para o fazer. Acreditem, tenham fé, e lutem pelos vossos objectivos. Com dedicação e esperança, tudo é possível”, afirmou