Embaixadora Ana Maria de Oliveira mantém encontro de trabalho com representante da Áustria junto do Escritório das Nações Unidas em Genebra
A Embaixadora, Ana Maria de Oliveira, Representante Permanente de Angola junto do Escritório das Nações Unidas e outras Organizações Internacionais em Genebra, manteve esta sexta-feira, 20, um encontro de trabalho com o seu homólogo Alexander Kmentt, da Missão Permanente da Missão Permanente da Áustria, junto do Escritório das Nações Unidas e outras Organizações Internacionais, com quem reflectiu sobre os desafios contemporâneos que afectam o sistema internacional.
No encontro, foi igualmente destacada uma preocupação comum ao actual estado do multilateralismo. Os dois Embaixadores reconheceram que, embora a cooperação internacional esteja a enfrentar limitações de vária ordem, o contexto actual distingue-se pela acentuada erosão da confiança entre os Estados, pelo recrudescimento de conflitos armados em diversas regiões do mundo e pela crescente dificuldade em preservar canais de diálogo eficazes.
Concordaram que, tal conjuntura contribui para um ambiente internacional mais volátil, no qual os mecanismos tradicionais de concertação parecem enfrentar desafios significativos.
A diplomata angolana sublinhou a trajectória histórica de Angola como elemento estruturante de sua política externa.
Vincou que, o período de colonização, a luta pela independência e a prolongada guerra civil encerrada em 2002, constituíram-se em experiências e moldaram uma orientação clara a favor do diálogo, da reconciliação nacional e da resolução pacífica de conflitos.
Nesse quadro, reafirmou o firme compromisso com o multilateralismo, considerado um instrumento essencial para a promoção da paz, do respeito à soberania dos Estados e da observância do Direito Internacional.
Por outro lado, foi ressaltado o papel construtivo de Angola na mediação de conflitos regionais, particularmente na região dos Grandes Lagos.
Ambos diplomatas reconheceram que a estabilidade dessa região tem implicações directas para o conjunto do continente africano, dada a interdependência geopolítica existente.
Angola também evidencia seu engajamento contínuo no enfrentamento das consequências dos conflitos armados, nomeadamente no que se refere à remoção de minas terrestres, no âmbito do Tratado de Proibição de Minas Terrestres, sublinhando os progressos alcançados e a necessidade de assegurar a continuidade dos esforços por meio de apoio técnico e financeiro sustentado.
Por seu lado, o Embaixador Alexander Kmentt, destacou que a Áustria é um Estado com tradição de neutralidade e compromisso consolidado com a ordem internacional desde a sua adesão à Organização das Nações Unidas em 1955.
Destacou o papel central da diplomacia e das instituições multilaterais na preservação da paz e da segurança internacionais, salientando, em particular, a relevância de pólos como Genebra e Viena, enquanto espaços privilegiados para o diálogo internacional e a construção de consensos.
Com efeito, manifestou preocupação com a actual conjuntura internacional, caracterizada pela crescente interdependência entre dimensões políticas, económicas e sociais.
“Observa-se que os conflitos contemporâneos produzem efeitos sistémicos imediatos, afectando áreas como energia, produção de insumos agrícolas e segurança alimentar global, o que reforça a necessidade de respostas coordenadas e baseadas na cooperação internacional”, referiu.
No âmbito das relações inter-regionais, foi enfatizada a importância de revitalizar o diálogo entre a União Europeia e a União Africana, com vista a promover uma cooperação mais pragmática e orientada a resultados.
Os dois Embaixadores defendem a superação de abordagens excessivamente retóricas em favor de iniciativas concretas, incluindo o fortalecimento de mecanismos de coordenação técnica, a realização de reuniões preparatórias, bem como o intercâmbio de especialistas em áreas estratégicas como direitos humanos, desarmamento e tecnologias emergentes.
No decorrer do encontro foi analisada a situação em diversas regiões em conflito, com particular referência ao Médio Oriente.
Nesse contexto, foi reiterada a importância de preservar canais de comunicação abertos, mesmo em cenários de divergência acentuada, como forma de mitigar riscos de escalada e promover soluções negociadas.
Ressaltou-se, igualmente, que decisões unilaterais que fragilizam acordos multilaterais tendem a agravar a instabilidadeinternacional.












