Angola presente da Reunião Ministerial da 34ª Sessão da Conferência regional da FAO para África
A Secretária de Estado para as Relações Exteriores, Esmeralda Bravo Conde da Silva Mendonça, participa desde a manhã desta quinta-feira, 16 de Abril, em Nouakchott, República Islâmica da Mauritânia, na Reunião Ministerial da 34ª Sessão da Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para África.
A sessão ministerial decorre até 17 de Abril, no Centro de Convenções Al Mourabitoune, sob o lema “Sustentar a transformação dos sistemas agroalimentares em África: inovar, cooperar e investir”.
O encontro foi antecedido pela Reunião de Altos Funcionários e um ciclo de eventos técnicos realizados entre 13 e 15 de Abril, que congregou representantes governamentais, especialistas séniores, parceiros de desenvolvimento e responsáveis da FAO, com foco na avaliação de políticas públicas, partilha de boas prácticas e identificação de soluções estruturais para o reforço da segurança alimentar no continente.
Ao intervir em representação do Ministro das Relações Exteriores, Téte António, a Secretária de Estado Esmeralda Mendonça afirmou que a República de Angola considera evidentes os impactos das alterações climáticas, com secas recorrentes no sul do país, situação que afecta milhares de famílias e pressiona os sistemas de produção agrícola.
Referiu que, apesar destes desafios, Angola tem implementado medidas concretas no quadro do seu Plano de Desenvolvimento Nacional, com foco na diversificação económica e no reforço da produção agrícola.
Indicou que o país tem investido em infra-estruturas rurais, apoio à agricultura familiar e promoção de cadeias de valor, bem como na atracção de investimento privado para o sector, reconhecendo o seu papel estruturante no crescimento inclusivo.
Afirmou que Angola acolhe com satisfação os quatro “Triggers For Transformatio*” identificados no relatório, por se alinharem com as prioridades nacionais.
No mesmo contexto, Esmeralda Mendonça apontou a importância de promover a industrialização, a mecanização e o valor acrescentado local, como forma de reduzir a dependência de importações.
Referiu que Angola insta a FAO e os seus parceiros a reforçarem o acesso a financiamento concessional e a instrumentos inovadores, considerados indispensáveis para acelerar a transformação dos sistemas agroalimentares no continente.
Outrossim, reafirmou o apoio do Governo angolano à FAO e encorajou o reforço do apoio técnico aos Estados-membros para a implementação destas recomendações no quadro do CAADP 2026–2035.
No plano das candidaturas internacionais, em nome da República de Angola, apresentou a candidatura da Embaixadora Josefa Leonel Correia Sacko ao cargo de Directora-Geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), no quadro do reforço da presença africana nas organizações internacionais e da promoção de uma liderança alinhada com os desafios do continente.
Referiu que a Embaixadora Josefa Sacko reúne uma sólida experiência nos domínios da agricultura, segurança alimentar e desenvolvimento rural, tendo desempenhado funções de elevada responsabilidade a nível continental e internacional, com reconhecido mérito.
Neste espírito, reiterou que Angola apela ao apoio e à solidariedade dos Estados africanos, com a convicção de que uma candidatura africana forte e consensual contribuirá para o reforço da voz do continente no seio da FAO.
A agenda de trabalhos da reunião ministerial integra intervenções de alto nível e sessões temáticas orientadas para a transformação dos sistemas agroalimentares em África.
Entre os principais pontos em análise constam a avaliação prospectiva dos factores e mecanismos de transformação dos sistemas agroalimentares, o impacto de dinâmicas geopolíticas internacionais na segurança alimentar africana e a promoção de soluções de investimento agrícola baseadas em inovação científica.
O programa contempla ainda uma mesa-redonda ministerial, eventos paralelos do país anfitrião e espaços de concertação entre governos, sociedade civil e sector privado.
A Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para África constitui uma plataforma estratégica para a definição de orientações regionais no quadro das prioridades africanas para o sector agrícola e alimentar, em alinhamento com os compromissos continentais e internacionais, com particular incidência no desenvolvimento sustentável, resiliência climática, financiamento agrícola e reforço das cadeias de valor.
A primeira sessão da Conferência Regional da África (ARC) foi realizada em Lagos, Nigéria, em Novembro de 1960.












