21 de April, 2026
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Documentário “Chão Verde Pássaros Escritos”, sobre Luandino Vieira teve antestreia no Porto

O documentário “Chão Verde de Pássaros Escritos”, sobre Luandino Vieira, teve a sua antae-estreia, neste Domingo, no Cinema Trindade, na cidade do Porto, em Portugal.

Produzido pela “Um Segundo Filmes” e realizado por Sandra Inês Cruz, o documentário, que será estreado nas salas de cinemas portuguesas no dia 23 de Abril, aborda Luandino Vieira no passado, revisitando os anos em que esteve preso pelo seu envolvimento na luta pela independência de Angola.

O documentário coloca-o de novo no Aljube, onde começou o longo percurso prisional, mergulha nos milhares de escritos que produziu nesse e nos anos que se seguiram nas cadeias de Angola e, finalmente, no Tarrafal, em Cabo Verde.

A realizadora Sandra Inês Cruz, considera o documentário uma viagem à liberdade que sempre morou no homem e no escritor durante o tempo de reclusão, apesar das grades, da solidão, da desesperança. Realça, também, ser um retrato possível da resistência que o trouxe até ao presente, a Portugal, ao Minho, onde continua a viver.

De acordo com a realizadora, o documentário procura fixar e perpetuar, com a ajuda e participação do Luandino Vieira, o percurso de um homem que se destacou no processo de libertação de um território, transformando-o em país independente, por um lado. Por outro, o caminho sinuoso por detrás do escritor que inventou uma forma de escrever ao usar a língua do colonizador para demonstrar a necessidade e a justiça da descolonização.

Enfatizou ter escrito em português, salpicando a língua de expressões em kimbundu, enrolando tudo num modo de falar que pôs nos livros a vida real dos musseques de Luanda.

Quanto à influência que pode o documentário ter na vida das pessoas, a realizadora reconhece que, por se tratar de uma pessoa tão extraordinária e com um papel de relevo tão decisivo em diferentes frentes da história de mais do que um país, não consegue imaginar que expectativas terá a assistência deste documentário nas salas de cinema.

“Julgo que algumas pessoas quererão saber do escritor, do seu processo criativo, da importância que teve na formação e consolidação da literatura angolana. Outras irão talvez procurar conhecer um dos mais influentes homens no caminho para a independência de Angola”.

Segundo a entrevistada, “num momento em que o planeta se contorce em trágicas acrobacias que almejam o poder acima de tudo, em que os valores e os direitos fundamentais se pisam e se anulam, em que a humanidade anda para trás num retrocesso consciente e deplorável, são importantes todos os exemplos de coragem, resistência e luta pela liberdade e pela dignidade humana”.

“As gerações que nasceram com os caminhos abertos e o futuro claro devem saber que muita gente se sacrificou antes delas, muita gente pagou um preço incalculável para que pudessem falar livremente e viver sem medo”, disse.

A realizadora, considera ser necessário manter o alerta e educar a bravura e, sobretudo, resistir.
Salientou que a escolha da cidade do Porto para antestreia do documentário, foi natural por ser no norte de Portugal que vivem e trabalham todas as pessoas envolvidas no mesmo.

“Eu sou do Porto, a Um Segundo Filmes, a produtora com quem trabalhei, está sediada no Porto, o Luandino Vieira radicou-se em Vila Nova de Cerveira, no Alto Minho, a região mais a norte de Portugal.

O documentário vai, no entanto, ser exibido em várias salas de cinema em todo o país e que, provavelmente, vai integrartambém o Festival Literário Douro, no início de Maio.

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