12 de May, 2026
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Entrevista: Fredy Ribeiro espalha na Turquia a magia do futebol angolano

Fredy Monteiro, capitão dos Palancas Negras, vive feliz com a família em terras turcas, onde joga ao mais alto nível – representando as cores do Antalyasport – e prestigia o futebol angolano, o que muita honra o nosso país.

Apesar de estar feliz, não esconde as saudades de Angola, onde perspectiva voltar quando arrumar as chuteiras, para ajudar a fomentar a prática do futebol.

Fomos até ele, para o conhecermos um pouco melhor.

Por Júlio Gonçalves

Onde e quando nasceu?

Nasci em Luanda a 27/03/1990.

Sempre viveu em Angola? Em que cidade?

Não, vivi em Angola só até aos meus 4 meses, depois fui para Portugal e voltei aos 22 anos, durante 6 meses. Aos 25 anos voltei novamente e nessa altura já fiquei durante aproximadamente um ano e meio.

Como olha o futuro do nosso país?

Um olhar de esperança, mas ainda com muito caminho para fazer. Nota-se alguma evolução, principalmente a nível da parte turística, que penso que será algo bom de se explorar.

Como veio parar à Turkiye?

Em 2019 recebi uma oferta para jogar no Antalyasport. Então quando vim ver as condições, apaixonei-me logo pela cidade, o clube e a cultura e cá estou até hoje.

Gosta de cá estar ou sente saudades de alguma coisa da sua origem?

Gosto bastante de cá estar. Adaptei-me muito bem à cultura, sempre escolhi boas cidades para viver. A família também se adaptou bem. Saudades, sinto do nosso calor, da nossa alegria e da comida.

Como nasceu a sua paixão pelo futebol?

Desde pequeno, quando chegámos a Portugal, fui viver para um bairro social. As saídas profissionais eram poucas e o futebol era das poucas e correctas. Fui vendo mais velhos a jogar e, aos poucos, também fui crescendo e jogando e a paixão junto com talento fizeram-me ser o que sou hoje.

Quais são os clubes em que já jogou e, hoje, qual a experiência que passa aos jovens iniciantes e apaixonados pelo futebol, uma modalidade que arrasta multidões e une nações?

Comecei no Clube de Futebol “Belenenses”, onde estive mais de 15 anos. Depois passei pelo Recreativo do Libolo por duas vezes, Excelsior de Rotterdam – uma equipa da Holanda. Aqui na Turkiye representei o Antalyasport por 4 épocas, Eyupsor, Bodrumspor por um ano e meio e agora cheguei recentemente ao Çorum FK. O que posso dizer é: devem trabalhar sempre para evoluir, com foco, dedicação, disciplina, paixão e consistência. O Futebol é lindo.

É casado e quantos filhos tem?

Sim, sou casado há 7 anos, mas estamos há 17 anos juntos e tenho 2 meninos.

Falando sobre a sua integração e como capitão da Selecção Nacional de futebol, como encara a responsabilidade de representar o país em grandes campeonatos como o CAN?

A responsabilidade é grande, de representar o nosso país. Sendo capitão, há um acréscimo, mas felizmente acho que a minha maturidade soube fazer as coisas de maneira correcta, sendo eu próprio. Tendo também a ajuda dos meus colegas, torna as coisas mais leves. Conseguimos estar em dois CANs, um correu muito bem o outro nem tanto. Mas como disse, fica um sabor muito amargo por não termos conseguido chegar ao Mundial.

O nosso futebol já esteve mais adormecido e depois de alguns anos com a Selecção que integra voltou a arrastar corações e multidões para os nossos estádios. É difícil estar à frente da nossa Selecção? Sente muita pressão?

Pressão existe pelo facto de estarmos a representar o nosso país. Uma vitória pode deixar mais de 38/39 milhões de pessoas alegres. Então essa responsabilidade é acrescida, mas eu levo-a como motivação. Sou abençoado por poder participar na felicidade de muitos, nem sempre corre como queremos e existe muita “gente” que espera por esse momento para apontar o dedo, mas faz parte.

Tem planos de regressar a Angola? O que pensa fazer depois do futebol?

Angola é o meu país irei regressar com certeza, seja para ir de férias, jogar, ver a família. Sim, tenho alguns planos já em mente, mas ainda tenho 2/3 anos para continuar a jogar.

Uma vez que grandes futebolistas depois da carreira abrem algumas escolas, que legado pensa deixar para os angolanos. Vai pendurar as chuteiras ou pensa continuar – e de que forma?

Como disse tenho algumas ideias, não algo muito profundo, porque quero continuar ainda a dedicar-me e focar-me no futebol. Mas existe uma ideia normal de continuar dentro do futebol, ajudar de outras formas.

Como olha para o futebol e o futuro do nosso país nesta modalidade?

Temos tudo para ter um futuro cada vez melhor. Mas para isso, precisamos de evoluir e mudar a mentalidade, principalmente de quem lidera. Mas já vemos, por exemplo, o Petro a ter uma evolução no crescimento de jogadores jovens, alimentação, acompanhamento escolar, emocional. Outras equipas, como a Kiala FC, também. São esses exemplos que temos que seguir.

Gosta de jogar na posição em que joga, ou preferia outra?

Sim, gosto de jogar no meio-campo. Sou um jogador que precisa de estar envolvido no jogo.

Como está a ser a sua integração aqui na Turkiye?

Eu já cá estou há 7 anos. Conheço imensas cidades, naturalmente gosto mais de Antalya, Bodrum, onde joguei e vivi durante anos, e Izmir também. O clima para mim foi sempre super agradável por estar em cidades quentes e clima tropical. Mas agora vim para Çorum, mais interior, o frio tem estado a custar-me. Adoro a comida e o patriotismo dos turcos algo que precisamos resgatar.

Qual é o seu prato preferido angolano? E turco? Por onde passa, o que fala sobre Angola?

Mufete, se for um cacusso, então melhor. O turco, Çig kofte. Falo sobre o quanto é lindo o nosso país e as pessoas são acolhedoras.

Como é o companheirismo com os seus colegas?

Super bom. Pessoas alegres e de bom coração

Quem de vocês é o mais brincalhão, o dançarino, o conselheiro no momento de tensão, o mais vaidoso?

Mais brincalhão, o Nurio e o Tó Carneiro. Dançarino há vários, penso que o melhor é o Ary papel, mas o Chico o show e o Gibele também dançam muito bem. Conselheiros eu sendo capitão o Gaspar e o Hugo também. Mais vaidoso penso ser eu, o Gaspar, o Nurio e o Depu.

Já se imaginou a fazer outra coisa que não o futebol?

Neste momento não me imagino a fazer outra coisa.

Como é viver na diáspora?

A minha experiência tem sido muito boa. Ajudou-me a crescer muito como homem, e poder conhecer outras culturas e mentalidades é sempre enriquecedor.

Que mensagem dirige ao povo angolano no geral e aos amantes de futebol em particular.

Aos Angolanos, muito amor, que continuemos a batalhar para um futuro mais risonho, que continuemos com a alegria e a paixão que nos caracteriza. Aos amantes de futebol que continuemos a fazer deste desporto lindo uma coisa boa, com todo entusiasmo e paixão, mas sempre com moderação e respeito. Mais que um desporto, o futebol é um estilo de vida.