MENSAGEM DO CHEFE DE ESTADO À NAÇÃO
“Angolanas e Angolanos
Caros Compatriotas
Angola viveu momentos dramáticos da sua história que deixaram feridas profundas mas que temos sabido tratar no quadro da Paz e da Reconciliação Nacional que se vem consolidando ao longo dos últimos 24 anos, facto que constitui para nós motivo de grande orgulho e regozijo.
Entendemos criar a Comissão Interministerial das Vítimas dos Conflitos Políticos entre irmãos angolanos, ocorridos no período de 11 de Novembro de 1975 a 04 de Abril de 2002.
Desde a sua criação, em cerimónias solenes públicas, a Comissão já entregou aos familiares um certo número de ossadas de restos mortais de cidadãos mortos no quadro desses conflitos, para a realização de funerais dignos.
A paz e a reconciliação entre os angolanos, o perdão e o abraço de irmãos, só são genuínos se assentarem na transparência, no assumir por todos do passivo negativo da nossa história.
Sem necessidade de esconder ou apagar a verdade dolorosa dos factos, tudo deve ser feito para que nunca mais aconteça qualquer tipo de conflito étnico, religioso ou político em solo angolano, que leve ao sofrimento ou ameace a integridade física e a vida dos angolanos.
Angolanas e Angolanos
Caros Compatriotas
Na sequência do que já vem sendo feito, desta vez serão entregues centenas de restos mortais aos respectivos familiares.
Perdoar e abraçar é o caminho certo para nos erguermos como Nação reconciliada, pronta a se dedicar à grande missão do desenvolvimento económico e social, pela prosperidade e bem-estar dos angolanos e a de fazer de Angola um grande país.
Neste momento de grande consternação e de profunda reflexão, permitam-me, em nome do Estado angolano, transmitir uma palavra de encorajamento e conforto a todas as famílias atingidas por esta tragédia.
Angolanas e Angolanos
Caros Compatriotas
Pelo elevado número de vítimas e o consequente impacto que a cerimónia que se vai realizar terá na nossa sociedade, decidi decretar Luto Nacional de um dia em todo o território nacional para Sexta Feira 22 de Maio do corrente ano, em memória de todas as vítimas dos conflitos.
O passado não pode ser apagado, mas deve servir de ponto de reflexão para prevenir os erros e crimes cometidos e fazer dessas lições os alicerces da edificação de uma pátria de justiça, paz e desenvolvimento.
Falar dos horrores dos conflitos ocorridos naquela altura deve deixar de ser um tabu, não porque se pretenda tocar na ferida e torná-la ainda mais dolorosa, muito menos para apontar o dedo a presumíveis actores, mas para termos a noção clara de que a responsabilidade de tudo fazer para eliminar definitivamente qualquer possibilidade de aquela tragédia algum dia poder se repetir, é de todos nós.
Nosso propósito comum é o de restaurar a nossa nação, curar nossas feridas e renovar nossa esperança.
Este é um convite à humildade, ao arrependimento e ao perdão, para o fortalecimento da nossa identidade como nação próspera e abençoada”.










