Angola defende reforço da arquitectura de segurança nuclear em África e advoga uso pacífico da ciência atómica para o desenvolvimento sustentável
A República de Angola reafirmou, nesta quinta-feira, 25 de Junho de 2026, em Adis Abeba, capital etíope, a sua posição a favor do desarmamento nuclear mundial e o seu engajamento em manter o continente africano firmemente consolidado como uma zona inteiramente livre de armas nucleares.
A posição nacional foi apresentada durante os trabalhos da 7ª Sessão da Conferência dos Estados Partes do Tratado de Pelindaba, que decorre sob o lema de avaliar o progresso e os desafios institucionais na implementação deste importante pacto regional, reunindo delegados na sede da organização continental.
Na sua alocução, Miguel César Domingos Bembe, Embaixador da República de Angola na Etiópia e Representante Permanente junto da União Africana (UA) e da Comissão Económica das Nações Unidas para a África (UNECA) destacou que a herança africana de rejeitar testes ou armamentos nucleares honra os compromissos da Declaração do Cairo de 1964, adoptada pela Organização de Unidade Africana (OUA), predecessora da UA.
O Embaixador Miguel Domingos Bembe realçou que a posição está alinhanda com a visão estratégica do Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, na sua qualidade de Campeão da União Africana para a Paz e Reconciliação em África.
Neste sentido, o diplomata angolano conectou a segurança do continente à promoção activa e soberana do uso seguro da ciência e tecnologia nucleares para fins estritamente pacíficos, valorizando o papel da Comissão Africana de Energia Nuclear (AFCONE).
A delegação angolana considerou que a aplicação da tecnologia atómica em sectores cruciais como a saúde, a agricultura e a indústria é de extrema importância para o cumprimento integral das metas fixadas na Agenda 2063 da União Africana, dependendo directamente da edificação de uma estrutura administrativa e financeira que se guie por padrões sólidos, transparentes e previsíveis para o mandato de 2026 a 2029.
Para assegurar que a voz do continente seja ouvida com maior peso político nos fóruns multilaterais dedicados ao desarmamento global, Angola manifestou o seu apoio absoluto à integração e inclusão da AFCONE no Processo de Reforma Institucional em curso na União Africana.
Diante do xadrez da segurança internacional, o Embaixador Miguel Bembe apresentou um conjunto de recomendações estratégicas que incluem a actualização da Posição Comum Africana sobre o desarmamento, o reforço do Roteiro da Arquitectura Africana de Paz e Segurança (APSA), a aceleração da universalização do Tratado de Pelindaba e a garantia de assistência técnica contínua para o uso seguro da energia atómica entre os Estados-Membros.
A robusta e concertada participação angolana nesta magna sessão em Adis Abeba reflecte a continuidade e o dinamismo dos constantes esforços que o Executivo tem empreendido a nível interno, regional e multilateral para salvaguardar a paz, aprofundar a cooperação estratégica e consolidar a arquitectura de segurança colectiva no continente africano.
A República de Angola participa na 7.ª Sessão da Reunião da AFCONE com uma delegação integrada pelo Director da AREA/MINEA, Pedro Carlos Domingos Lemos, Director Adjunto da ANCAD/MDNACVP, Cláudio Roberto Crispim e pelo Chefe do Departamento de Armas Convencionais da ANCAD/MDNACVP, Coronel Adão Mendonça da Costa Valente, bem como por diplomatas da Embaixada na Etiópia e Representação Permanente junto da UA e da UNECA.










