Referência inspiradora, Rosária Celestino, radicada na Bélgica
Uma angolana radicada em Bruxelas, Bélgica, com créditos bem firmados, é considerada, no seio da comunidade dos seus concidadãos, uma referência inspiradora, tudo em função dos talentos apresentados, quer no campo diplomático, na literatura ou na saúde reprodutiva, que revelam um compromisso profissional e com o próximo.
Trata-se de Rosária Celestino, de 45 anos de idade, natural do Huambo, e que deixou o país em 1999, após concluir o ensino médio no Instituto Médio de Economia de Luanda (IMEL) para dar início a uma nova etapa da sua vida na diáspora europeia.
A residir actualmente em Bruxelas, onde exerce funções na Embaixada de Angola, com acreditação no Grão-Ducado do Luxemburgo e na União Europeia, a sua formação académica inicial foi em Gestão de Empresas, mas, com o tempo, a sua trajetória foi-se moldando por experiências pessoais marcantes que a levaram a investir em outras áreas de conhecimento como o turismo e, sobretudo, a saúde reprodutiva.
Afirma, de forma categórica, não ter sido uma mudança brusca, mas situações que foram acontecendo com naturalidade e as experiências que viveu despertaram em si o desejo de dar sentido à dor, transformando-a numa missão ou, melhor, uma dor que virou missão.
Ligação à causa da infertilidade
Rosária Celestino refere que a sua ligação à causa da infertilidade é profunda e pessoal, porquanto depois de enfrentar, ela própria, esse desafio, decidiu não apenas falar sobre o tema — ainda envolto em tabu —, mas também agir concretamente para apoiar outras pessoas que passam pela mesma dor.
Apontou, como objectivo fundamental, ajudar todas as pessoas que passam por este processo, referindo ser muito difícil de ser suportado, especialmente com os questionamentos da família, dos amigos e da sociedade.
Rosária ressalta que o tema da infertilidade, principalmente em contextos africanos como o angolano, é muitas vezes silenciado, ignorado ou carregado de preconceito. Por isso, sente-se chamada a oferecer mais do que empatia: quer fornecer informação, quer acolhimento e suporte real.
Projectos com impacto em Angola
Em resposta à carência de apoio no país, Rosária criou o VitaFertil, um projecto que pretende abrir uma clínica e uma fundação especializada 100% em infertilidade em Angola.
“O que pretendo é levar mais informação, mais acolhimento a todas as pessoas que passam por este processo”, esclarece.
Em Janeiro do ano em curso, lançou o livro “O Milagre da Fertilidade – Um Caminho de Esperança e Cura”, uma obra que vai além do relato pessoal, abordando dimensões emocionais, espirituais e informativas sobre a fertilidade.
Este livro, explica, é um convite para quem precisa de claridade na área da fertilidade, assim sendo “é uma voz a dizer: não estás sozinho.”
Rosária admite que o tema da fertilidade ainda é pouco discutido em Angola, o que gera sofrimento em silêncio e falta de apoio real.
Destaca a urgência da criação de instituições e da formação de profissionais especializados na área da fertilidade e do apoio psicológico, porque “muitos casais sofrem com o estigma e há muito pouco apoio psicológico e acesso a tratamentos.”
Deixa uma mensagem de esperança especialmente dedicada às mulheres angolanas que enfrentam o problema da infertilidade: “Não estão sozinhas. Há caminhos, há cura, há esperança. A dor não define quem somos, mas pode transformar-se numa força para levantar outras mulheres”, definiu.
A magia de conciliar várias missões de vida
Desde 2013, Rosária trabalha na Embaixada de Angola em Bruxelas, um papel que desempenha com profundo sentido de missão e patriotismo.
“Chegar até aqui foi resultado de muita dedicação e amor ao meu país. Sinto-me honrada por representar Angola na diáspora”, enfatiza orgulhosa Rosária Celestino, para quem conseguir conciliar uma carreira diplomática exigente com projectos sociais e familiares exige organização e clareza de propósito.
Quando se tem um propósito, reafirma, encontra-se tempo onde não parece haver. E, claro, diz ter o apoio das pessoas certas.”
Apesar de viver há mais de duas décadas na Bélgica, tendo construído a sua família na diáspora, faz questão de manter vivas as suas raízes angolanas e de transmiti-las aos seus filhos através da música, culinária e tradição. Sempre que pode, participa em eventos da comunidade angolana, sublinhando a importância de manter a identidade e a união fora do país.
História revela um claro exemplo
A história de Rosária Celestino é um exemplo claro de como as dores pessoais podem ser sementes de projectos com impacto colectivo. Ao transformar o sofrimento em serviço, ela não só cura as suas próprias feridas, como também oferece caminhos de luz para outras pessoas.
Seja na diplomacia, na literatura ou na saúde reprodutiva, Rosária é uma ponte entre mundos- e uma voz firme a dizer: “Há esperança”












