24 de June, 2026
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Tonico “Kaveta: exemplo de serviço público além-fronteiras

Tonico Albino José, conhecido por muitos como Kaveta, é um exemplo de resiliência, disciplina e serviço público que atravessa fronteiras. Nascido a 7 de Janeiro de 1965, no município do Cuvango, província da Huíla, é filho de José Toulimaneve (já falecido) e de Teresa Tchahoula.

Filho único, cresceu num ambiente marcado por fortes valores de responsabilidade, patriotismo e sentido de dever para com a sociedade.

Formação cívica e compromisso com a pátria

Desde muito jovem, Tonico demonstrou um forte envolvimento cívico e político. Integrou a ex-OPA e a JMPLA, no município dos Gambos, estruturas que moldaram a sua consciência cidadã e o espírito de serviço público.

Mais tarde, passou a integrar a ex-ODP, onde prestou o seu primeiro juramento militar em 1979, sob orientação de instrutores cubanos. Este período ficou marcado por momentos difíceis da história de Angola, incluindo os bombardeamentos perpetrados pelo regime racista sul-africano contra posições da ex-FAPLA, na comuna de Sibemba, município de Lugão.

Em 1983, fruto do seu comportamento disciplinado e exemplar, foi requisitado para integrar o ex-Mício, onde recebeu formação militar rigorosa e prestou novo juramento, servindo com orgulho a defesa e a estabilidade do país.

Formação internacional e percurso profissional na Europa

Em 1991, Tonico Albino José foi seleccionado para frequentar um curso profissional de formação civil na então República Checa.

Posteriormente, esteve em Portugal, onde adquiriu a nacionalidade portuguesa e trabalhou durante cinco anos como técnico de montagem automóvel na multinacional Peugeot-Citroën.

A sua trajectória levou-o ainda à Alemanha, onde exerceu funções na construção civil e como gruísta, na cidade de Berlim.

Em 2004, rumou ao Reino Unido, motivado pela busca de melhores condições de vida e de crescimento profissional.

Integração no sistema de saúde britânico

Desde então, reside na cidade de Sheffield, onde trabalha há mais de 19 anos no National Health Service (NHS), como técnico de saúde.

A integração no sistema de saúde britânico exigiu dedicação, estudo e rigor. Realizou formações complementares, avaliações técnicas e aprendizagem contínua, cumprindo todos os requisitos legais para o exercício da profissão.

Ao longo dos anos, foi consolidando experiência e especialização, conquistando a confiança das equipas multidisciplinares e participando activamente em iniciativas ligadas à saúde pública e ao bem-estar comunitário.

Actualmente, frequenta um curso de Gestão da Saúde e Assistência Social na Bath Spa University.

Reconhecimento e prémios internacionais

O seu trabalho e empenho foram reconhecidos com a atribuição de um prémio internacional individual da UNISON, uma das maiores organizações sindicais do Reino Unido.

A distinção destacou a sua dedicação à defesa dos direitos dos trabalhadores e o contributo para o reforço da justiça social.

Em 2025, foi novamente nomeado para um prémio no âmbito do Mês da História Negra, cuja cerimónia decorreu a 30 de Outubro, reconhecimento que reforça o seu compromisso com o trabalho comunitário e inspira outros angolanos e africanos na diáspora.

Liderança comunitária e intervenção política

Para além da área da saúde, Tonico Albino José tem um vasto percurso político, comunitário e sindical.

Foi secretário de informação do MPLA no Reino Unido durante sete anos, secretário-geral da UDOA, presidente da Comunidade Angolana Residente em Sheffield e é membro honorário do Conselho Nacional da Sociedade Civil Angolana no Reino Unido.

É igualmente membro da Amnistia Internacional e integra actualmente o Partido Trabalhista Britânico, mantendo uma intervenção activa na defesa dos direitos sociais e laborais.

Ligação permanente a Angola

Apesar de viver no estrangeiro, acompanha diariamente a realidade angolana. Considera que Angola vive uma fase importante de reorganização e afirmação, reconhecendo avanços, mas também desafios.

Defende uma maior valorização do mérito, a modernização do sistema de saúde, a melhoria da qualidade da educação e o reforço da transparência na gestão pública.

Questionado sobre um eventual regresso ao país, afirma sem hesitar: “Angola é o meu chão, é onde estão as minhas raízes.”

Acredita que poderá contribuir com a experiência acumulada ao longo de décadas, sobretudo na gestão da saúde, formação técnica e organização comunitária, sublinhando que a diáspora angolana tem um papel importante na construção do país.

Saudade e mensagem ao povo angolano

O que mais sente falta de Angola é a família, a comida, o clima, as tradições e o calor humano do povo angolano — elementos que carrega consigo com orgulho.

A sua mensagem final é de esperança: “Somos um povo forte, criativo e trabalhador. Com disciplina, amor à pátria e compromisso colectivo, podemos construir uma Angola mais justa e mais próspera. O futuro do país depende de cada um de nós. Angola merece o nosso melhor.”