20 de May, 2026
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Angola em Genebra anuncia fábrica de mosquiteiros reforça liderança africana no combate à malária

A Ministra Silvia Lutucuta anunciou esta terça-feira, em Genebra, o avanço para a criação de uma fábrica de mosquiteiros tratados contra a malária no país, numa iniciativa apoiada pelo Africa CDC, durante o Encontro Ministerial sobre a Malária realizado à margem da 79.ª Assembleia Mundial da Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O anúncio foi feito pela Ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, durante a reunião ministerial subordinada ao tema “Delivering Africa’s Big Push Against Malaria”, que reuniu ministros africanos, representantes da União Africana, OMS, Banco Mundial, ALMA e parceiros internacionais de saúde.

Na sua intervenção, a governante afirmou que África enfrenta uma “verdadeira tempestade perfeita “ de ameaças no combate à malária, agravadas pela redução do financiamento internacional, alterações climáticas, resistência aos medicamentos e fragilidade dos sistemas de saúde.

“Zero Malária começa comigo. Zero Malária começa com todos nós”, declarou a ministra, defendendo uma mobilização continental urgente para evitar retrocessos no combate à doença.
Um dos momentos de maior destaque do encontro foi o anúncio de que Angola está a trabalhar, com apoio do Africa CDC, na transferência de tecnologia para produção local de redes mosquiteiras de nova geração tratadas com dupla acção insecticida.

Segundo a ministra, a iniciativa permitirá reforçar a soberania sanitária do país, reduzir dependência externa e criar oportunidades para a indústria têxtil nacional.

“Vamos iniciar ainda este ano o processo de fabrico de mosquiteiros em Angola”, afirmou.

As novas redes, consideradas mais eficazes contra mosquitos resistentes aos insecticidas tradicionais, combinam piretróides com uma nova classe de insecticidas e são apontadas como uma das ferramentas mais importantes na nova fase do combate à malária em África.

Durante o encontro, os parceiros internacionais alertaram que África continua a representar cerca de 95% dos casos e mortes por malária no mundo, apesar dos progressos registados nas últimas duas décadas.

A OMS, a ALMA e o Banco Mundial reconheceram avanços significativos, incluindo: Mais de um milhão de mortes evitadas; Expansão do acesso ao diagnóstico e tratamento; Crescimento da utilização de redes mosquiteiras tratadas;Redução da incidência em vários países africanos.

Contudo, os parceiros advertiram para o risco de retrocesso devido à redução do financiamento internacional, num contexto em que dois terços dos programas africanos de combate à malária continuam dependentes de ajuda externa.

A Comissão da União Africana apresentou o chamado “Roteiro Africano 2030 e além”, defendendo:
Reforço dos cuidados primários de saúde;Cooperação transfronteiriça; Sistemas de alerta precoce; Planeamento adaptado às alterações climáticas; Liderança africana e financiamento sustentável.

Os líderes africanos defenderam que o “Big Push Against Malaria” deve traduzir-se em investimentos concretos e numa nova era de produção local de medicamentos, vacinas e tecnologias de saúde.

Na sua intervenção, Sílvia Lutucuta destacou que África importa atualmente cerca de 70% dos medicamentos, 90% dos dispositivos médicos e 99% das vacinas utilizadas no continente.

Para Angola, o fabrico local representa não apenas uma questão de saúde pública, mas também uma estratégia económica e de segurança sanitária.

A ministra defendeu igualmente o fortalecimento da Agência Africana do Medicamento (AMA), da harmonização regulatória continental e do Mecanismo Africano de Aquisição Conjunta como instrumentos essenciais para garantir acesso sustentável a produtos de saúde.

O encontro terminou com forte apelo à mobilização política africana para acelerar a eliminação da malária, considerada simultaneamente uma doença da pobreza e um factor de agravamento da pobreza no continente.

Os participantes defenderam maior investimento doméstico, fortalecimento da vigilância epidemiológica, inovação tecnológica e envolvimento das comunidades e da juventude africana nas estratégias de prevenção.

A visão comum, reiterada pelos ministros africanos, permanece alinhada com a Agenda 2063 da União Africana: construir uma África livre da malária, resiliente e autossuficiente.