Angolanos na República da Irlanda clamam por serviços consulares
Os angolanos residentes na República da Irlanda clamam pela implementação de uma missão consular naquele país, com vista a facilitar o processo de obtenção de documentos. A preocupação foi manifestada pelo presidente da Confederação das Comunidades Angolanas na Irlanda, António Manuel.
“Uma das principais preocupações da nossa comunidade na Irlanda é a obtenção dos documentos angolanos, visto que, para tratar e levantar documentos, temos de nos deslocar ao Reino Unido”, afirmou.
Este é um constrangimento que tem limitado os mais de 3.000 angolanos que residem na República da Irlanda, uma vez que são obrigados a percorrer quase 600 quilómetros de Dublin ou, de outros pontos daquele país para Londres, capital da Inglaterra, onde se encontra o Consulado-Geral de Angola no Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, sempre que tenham urgência em tratar documentos como Bilhete de Identidade, renovar o Passaporte ou até emitir uma Procuração.
António Manuel refere que, para colmatar tal dificuldade, a Confederação das Comunidades Angolanas na Irlanda tem solicitado, de dois em dois anos, por carta, que seja deslocada uma equipa do Consulado-Geral de Angola em Londres a Dublin para a realização de vários actos, entre os quais o registo de nascimento de filhos de angolanos nascidos na República da Irlanda.
O líder comunitário refere que a implementação de um sector consular permitirá também que os angolanos que vivem na Irlanda se sintam partícipes na tomada de decisões importantes para o país. Por outro lado, considera que as relações entre os dois países podem ser melhoradas caso haja uma representação diplomática de Angola na Irlanda.
“Há empresários irlandeses que têm interesse em investir em Angola nas áreas das pescas, agricultura, educação, indústria, ciência de computação, etc. Os irlandeses têm acompanhado o desenvolvimento dos países africanos através das suas embaixadas no continente”, disse.
Convidado a participar no fórum sobre o comércio Irlanda-África que decorreu na cidade de Dublin, em Junho deste ano, numa iniciativa do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Irlanda, António Manuel disse ter sido uma excelente oportunidade para interagir com empresários irlandeses e de outros países africanos que se mostram interessados em fazer negócios com empresários angolanos.
O presidente da Confederação das Comunidades Angolanas na Irlanda referiu que os mais de 3.000 angolanos que se encontram naquele país são maioritariamente jovens estudantes e trabalhadores, residentes em cidades como Dublin, Limerick, Galway, Cork, Athlone, Sligo, Longford, Dundalk, Drogheba e Wicklow, estando organizados em associações comunitárias.
Lamenta que sejam pouco ouvidas as comunidades africanas residentes naquele país no que diz respeito à inclusão social, e fala da inexistência de um plano estratégico por parte do governo irlandês que vise os imigrantes de origem africana.
“Pelos anos que vivo cá, penso que as relações entre Angola e a República da Irlanda deviam ser melhores em várias áreas”, disse, apelando ao Executivo dirigido por João Lourenço no sentido de fortalecer a cooperação bilateral.












