26 de April, 2026
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Arte Cultural Angolana enraiza-se nas Terras do Samba

A Arte cultural angolana vê-se, cada vez mais, enraizada na Diáspora mais concretamente nas “Terras do Samba”- Brasil (América do Sul), através de um dos seus cidadãos, um artista e intelectual, natural de Benguela (Angola).

Trata-se de Isidro Sanene, jovem de 38 anos de idade, saído do seu país rumo ao Brasil, onde se mantém desde 2011, tendo lá aproveitado estudar e desenvolvido muito dos seus trabalhos.

Casado com uma brasileira, com quem tem três filhos, é formado em Letras, Português e Espanhol , Economia criativa e Artes Visuais.

Artista plástico, actor, produtor cultural e escritor, com nove livros publicados, actua como docente na Universidade Federal do Brasil, bem como tem participações em diversas exposições e produções teatrais, como a peça Barulho D’água e o filme Meu Kota.

Fundador do Centro Cultural Casa de Angola em São Paulo, responsável pela visita histórica do Rei Ekuikui IV Tchongolola Tchongonga ao Brasil em 2023, actualmente considera-se especialista em estudos africanos.

A sua viagem ao Brasil em 2011, considera-a um “grande desafio”, pois quando lá chegou não tinha completamente nada, mas “apenas 30 dólares no bolso e a roupa do corpo era tudo que tinha”.

Após juntar algumas economias, decidiu emigrar para a Argentina, mas logo retornou ao Brasil, país que diz lhe ter feito conhecer mais a fundo a sua cultura, ter mais orgulho de si mesmo enquanto negro na América latina/sul.

Quando chegou ao Brasil teve uma percepção diferente, porque “em Angola temos uma ideia diferente do pais. Nós conhecemos o Brasil , mas o Brasil não nos conhece, o Brasil não sabe muito sobre Angola”, narrou.

“O Brasil ainda tem uma ideia muito deturpada de Angola , é como se Angola para eles tivesse parado no tempo, então aproveitei essa demanda para começar a mostrar que realmente não é assim”. Afirma.

O artista afirma que é um homem totalmente ligado a cultura africana.

Uma das coisas que afirma ter aprendido no Brasil é valorizar a sua própria cultura, após se aperceber que esse país sul americano tem uma “ideia do continente africano muito distante”.

Promoção das manifestações culturais angolanas no Brasil

Tem desenvolvido actividades culturais com foco na cultura africana, na diversidade, com o intuito de quebrar estereótipos sobre o angolano no Brasil.

Criou no Brasil o colectivo raízes, proporcionando mais espaço e lugar de destaque a muitos imigrantes africanos no brasil, com o objectivo de promover a cultura angolana e as manifestações culturais.

Isidro Senene apesar de querer evoluir constantemente, sente-se hoje realizado:

“Eu sempre vivo sonhando , vivo sempre querendo mais e mais. Mas sinto me realizado , Eu vivo da arte hoje , tenho grandes parcerias com centros culturais, dou aulas”. Salienta que “A cultura hoje é economia”.

Mentor de alguns projectos, um deles com maior destaque é a Casa de Angola em São Paulo, Sanene, como carinhosamente é tratados pelos mais queridos.

Refere que o objectivo deste projecto é sempre manter uma ponte entre outros artistas angolanos que querem apresentar o seu trabalho em são Paulo através deste espaço.

Igualmente, descreveu, a ideia é promover a cultura angolana através da arte , manifestações culturais e de outras linguagens ou seja o objetivo é “criar estereótipos de quem somos”.

Sanene reforça que a integração no mercado cultural brasileiro no começo foi dificil. Mas através do curso de economia criativa e de poemas que criava com pessoas na rua e conhecendo o sistema foi-se integrando.

Tem desenvolvido intercâmbio entre o Brasil e Angola, sendo que até hoje já levou mais de 90 brasileiros, principalmente afro brasileiros, para Angola , cujo intuito é “poderem reconectarem-se, traçar esse caminho de volta para casa.

Museu da Oralidade Angolana

Um outro projecto marcante tem a ver com o Museu da Oralidade Angolana para preservar a pessoalidade angolana, de que Sanene é um dos criadores.

Apesar de existir museus em Angola, ainda não tem esse tipo de museu, daí encarar a cultura angola com “uma preocupação”.

“Quando uma sociedade tem dificuldade em se rever , promover a sua própria cultura, isso é um problema”. Senene afirma que vê a cultura angola com um cepticismo, porque muitas vezes deixa-se de lado a cultura, apesar de esta ser economia, pelo que ainda há muito por se fazer na cultura angolana.

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