23 de May, 2026
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Jovem angolana leva Cultura e Ciência a Moscovo

Natural da Gabela, província do Cuanza-Sul, e criada em Benguela, Adriana Alberto, de 24 anos de idade, tem vindo a destacar-se em múltiplas áreas na Rússia, onde frequenta o quarto ano do curso de Produção de Petróleo e Gás na prestigiada Universidade Estatal de Petróleo e Gás Gubkin, em Moscovo.
Detentora de uma notável trajectória académica, Adriana fez o ensino médio no Instituto Politécnico do Lobito, onde frequentou o curso de Petroquímica e conquistou diversos prémios de mérito, culminando com a vitória na Feira Nacional de Ciência em 2019.
De Benguela para Moscovo: um sonho com destino traçado
A decisão de deixar Angola, em 2021, surgiu da vontade de contribuir, de forma significativa, para o desenvolvimento do país através do sector petrolífero, um dos pilares da economia angolana.
“Hoje considero o campo petrolífero fundamental para o desenvolvimento do nosso país. Angola é rica em petróleo e gás, e quero ajudar a maximizar esse potencial”, sublinha.
“Coração de África”: Cultura angolana no coração da Rússia
Em paralelo com a formação académica, Adriana lidera o grupo cultural “Coração de África”, fundado por si em 2023. O grupo, composto por 17 membros — incluindo crianças, adolescentes e jovens —, tem como missão divulgar, preservar e valorizar a cultura angolana em terras russas.
“Danças, canto, teatro, declamação… É assim que mostramos aos russos o quão rica é a nossa cultura. Somos recebidos com aplausos e muito carinho”, conta.
As actividades do grupo decorrem em espaços como a Embaixada de Angola, instituições culturais russas e outros eventos internacionais, com o objetivo de despertar interesse por Angola e atrair mais turistas e parceiros culturais.
Poetisa por vocação
Desde tenra idade que a poesia faz parte da vida de Adriana. Começou na creche, com poemas infantis, e rapidamente passou a escrever os seus próprios versos. Hoje, declama com frequência em português e russo, em eventos diplomáticos, religiosos e universitários. Já venceu dois concursos nacionais de poesia na Rússia, ficando em segundo lugar, e ganhou viagens como prémio.
“Eu não escolhi a poesia, foi ela que me escolheu. A poesia é natural em mim”, afirma, com brilho nos olhos.

Ciência e liderança: o lado académico e institucional
Para além da poesia e da cultura, Adriana é também uma entusiasta da ciência. Participa activamente em debates e palestras sobre petróleo e gás, é membro do coral da universidade e foi eleita Melhor Artista da Universidade Gubkin em 2023.
Desempenha ainda o papel de Presidente dos Estudantes Angolanos na universidade, e é uma das organizadoras do projecto “Angolanos na Rússia”, que tem como objectivo partilhar testemunhos e motivar novos estudantes a seguir o caminho do estudo e do mérito.
Sonhos de futuro com Angola no coração
O regresso a Angola está no centro dos seus planos. “Havemos de voltar”, diz, citando Agostinho Neto.
Entre os seus projectos, destaca-se a implementação de uma planta para o reaproveitamento do óleo lubrificante — ideia premiada em feiras científicas em Angola — e o desejo de trabalhar numa refinaria de petróleo, aplicando os conhecimentos adquiridos na Rússia.
Adriana sonha ainda com a criação de escolas, centros de formação e programas de incentivo à juventude, especialmente no domínio da ciência e da tecnologia. Para ela, conhecimento é poder, e é essa a mensagem que deseja levar de volta ao país.
Desafios da adaptação na Rússia
A adaptação ao clima rigoroso e à barreira linguística não foi fácil. Sentia-se “como um bebé”, confessa, ao tentar comunicar em russo. No entanto, encontrou apoio numa nova “família” — composta por colegas, membros da igreja, figuras da embaixada e outras mulheres angolanas que a acolheram como uma filha.
“Família não é só sangue. Aqui encontrei mães, irmãs, irmãos. Sinto-me amada.”
Apesar da distância, Adriana acompanha de perto a realidade do seu país através das redes sociais e grupos de WhatsApp. Fica feliz com os avanços, mas entristecida com os desafios sociais e económicos que muitos angolanos enfrentam.
“É isso que me dá forças para estudar mais, para voltar e contribuir para a transformação de Angola.”
Da terra natal, guarda saudades da escola, da igreja, das crianças a quem ensinava e, acima de tudo, dos seus pais.
“Faz já quase oito anos que não os vejo. Eles são a minha força.”
A mensagem que Adriana deixa ao povo angolano é clara e poderosa: “Persistam com fé, foco e esperança. A educação é a chave para o desenvolvimento. Vamos todos à procura do conhecimento.”