Samuel Bernardo Garcia afirma-se na Turquia, mas quer regressar para ajudar Angola a crescer
Natural da província do Uíge e criado maioritariamente em Luanda, Samuel Bernardo Garcia, de 22 anos, representa uma nova geração de jovens angolanos na diáspora que alia formação académica, liderança associativa e sensibilidade artística.
Actualmente a residir na Turquia, onde frequenta o terceiro ano do curso de Jornalismo na Süleyman Demirel University , em Isparta, Samuel constrói um percurso marcado pela resiliência, pelo protagonismo juvenil e pelo compromisso com Angola.
O jovem deixou Angola em Setembro de 2022, movido pelo sonho de estudar no exterior e pela vontade de conhecer novas culturas. Antes da mudança, frequentava o curso de Comunicação Social na Faculdade de Ciências Sociais da
Universidade Agostinho Neto, depois de ter concluído o ensino médio em Ciências Humanas, no então PUNIV do Benfica, actualmente Liceu 9006.
“Desde o ensino médio que tinha o desejo de fazer a minha formação fora do país. A possibilidade de aprender um novo idioma e contactar com pessoas de diferentes culturas foi uma motivação muito forte”, conta.
A oportunidade surgiu através de uma bolsa integral do Governo turco, conquistada em 2022. Samuel explica que fez a candidatura no último dia das inscrições, depois de ter encontrado informações sobre o programa nas redes sociais.
Hoje, além da formação académica, assume também funções de liderança junto da comunidade estudantil angolana. É presidente da Associação dos Estudantes Angolanos na Turquia (AEAT), organização que acompanha dezenas de estudantes espalhados por várias cidades do país.
Segundo o próprio, a associação conta actualmente com 72 estudantes registados e as principais dificuldades enfrentadas pela comunidade prendem-se com a barreira linguística e a adaptação cultural.
“Viemos de um país maioritariamente cristão para uma realidade diferente, num país de maioria muçulmana. A adaptação nem sempre é fácil, sobretudo para quem chega sozinho”, refere.
Durante três anos, Samuel foi o único estudante angolano na cidade de Isparta, realidade que descreve como desafiante. Foi precisamente nesse período que desenvolveu aquilo a que chama “a síndrome do protagonista”, uma filosofia pessoal baseada na autovalorização, na disciplina e na capacidade de superação.
“Percebi que precisava de criar forças dentro de mim para ultrapassar a solidão. Passei a envolver-me em actividades académicas, culturais e sociais, como forma de representar Angola e de me adaptar melhor”, explica.
Entre a literatura e o jornalismo
Paralelamente ao percurso académico, Samuel Bernardo Garcia mantém uma forte ligação às artes. A paixão pela música nasceu ainda na infância, através do canto coral na Igreja Evangélica Reformada de Angola. Já a poesia surgiu durante a sétima classe, inicialmente como um exercício escolar, mas rapidamente se transformou numa forma de expressão pessoal.
Actualmente, o jovem escreve poemas centrados no amor, no pensamento colectivo, na valorização pessoal e na crítica social. Algumas das suas obras já foram publicadas na Turquia, incluindo participações na revista “Her Boydan”, dedicada a estudantes internacionais.
Entre os seus principais objectivos está a publicação de um livro com uma colectânea de poemas, bem como o lançamento de um portal noticioso voltado para a promoção de informação rigorosa e de qualidade em Angola.
“Quero criar um projecto jornalístico que possa ser referência no futuro e aplicar tudo aquilo que tenho aprendido durante a minha formação”, afirma.
Angola continua presente
Apesar da distância, Samuel garante que Angola permanece no centro das suas preocupações e acompanha regularmente a realidade social e económica do país.
A família, a gastronomia angolana e o sentimento de viver plenamente a “angolanidade” são apontados como as maiores saudades que carrega desde que saiu do país.
“Sinto muita falta da minha família, da comida angolana e daquele sentimento único de viver Angola estando em Angola”, confessa.
Ainda assim, acredita que os jovens angolanos têm um papel determinante na transformação do país, sobretudo através da educação, da criatividade e da participação activa na sociedade.
“Angola é uma terra de oportunidades. Quando estudamos fora e convivemos com outras realidades, passamos a enxergar oportunidades que muitos ainda não conseguem ver”, sublinha.
Regressar para ajudar no desenvolvimento do país
Samuel Bernardo Garcia não esconde o desejo de regressar a Angola depois de concluir a sua formação.
O jovem acredita que os conhecimentos adquiridos no exterior poderão ser fundamentais para contribuir para o desenvolvimento nacional, tanto na área da comunicação social como no campo cultural.
“Voltar para Angola é uma certeza. Quero aplicar no meu país tudo aquilo que tenho aprendido aqui fora e contribuir para o desenvolvimento da nossa sociedade”, afirma.
A mensagem que deixa à juventude angolana é marcada pelo incentivo à formação e à valorização pessoal.
“Devemos investir em nós mesmos, preparar-nos e acreditar nos nossos sonhos. As oportunidades vão surgir, mas precisamos de estar prontos para aproveitá-las”, conclui.
Centro de Articulação com a Diáspora (CAD)










