18 de May, 2026
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Jovem angolano conquista liderança nos campos petrolíferos da Rússia

Lourenço Cassule, conhecido como engenheiro Angolar, é um daqueles exemplos que mostram até onde a determinação pode levar um jovem angolano. Natural de Malanje e criado no Sambizanga, em Luanda, a sua história é feita de escolhas corajosas, trabalho constante e muita disciplina.

Foi no Instituto Médio Politécnico do Sambizanga que deu os primeiros passos, ao estudar Energia e Instalações Eléctricas. Mais tarde, inspirado por colegas que conseguiram bolsas de estudo no exterior, decidiu sair de Angola em busca de novas oportunidades e crescimento académico.

Na Rússia, encontrou a sua verdadeira vocação: o sector de Petróleo e Gás. A complexidade da área e o seu impacto no dia-a-dia despertaram nele o interesse de se especializar. Hoje, já formado, trabalha nos campos petrolíferos, onde exerce funções como master (chefe de equipa).

O percurso até lá não foi imediato. Lourenço começou como assistente de perfuração, mas com consistência e dedicação foi subindo até liderar uma equipa de mais de 20 técnicos. No terreno, é responsável pela manutenção, segurança e qualidade das operações — uma função que exige rigor e liderança.

Ser jovem, estrangeiro e negro num ambiente internacional desafiante não o intimida. Pelo contrário, encara como uma oportunidade de crescimento e representação. “É uma responsabilidade grande, porque também represento Angola”, afirma. No dia-a-dia, destaca o respeito mútuo e a troca de experiências como pilares do bom ambiente de trabalho.

Antes de chegar ao sector petrolífero, teve uma fase marcante como professor de inglês. Começou em creches e, com o tempo, criou a sua própria escola. Essa experiência, além de o ajudar financeiramente enquanto estudante, moldou a sua forma de lidar com pessoas e desafios. Até hoje, mantém ligação com alguns alunos, que já considera parte da sua história.

Além da carreira, Lourenço também se dedica à comunidade. Apoia estudantes angolanos na Rússia, ajudando na adaptação, documentação e integração académica. Chegou a desempenhar funções de secretário-geral da comunidade angolana em Ufa, reforçando o seu espírito de liderança fora do ambiente profissional.

Apesar de estar estável no estrangeiro, não esquece Angola. Acompanha a realidade do país e acredita que é urgente criar mais oportunidades para os jovens, sobretudo para os recém-formados. O regresso está nos seus planos — quer aplicar a experiência adquirida e contribuir para o desenvolvimento do sector petrolífero nacional.

Longe da família, sente saudades dos irmãos, do pai e das pessoas que marcaram o seu percurso. Ainda assim, mantém-se focado nos seus objectivos e grato pelo caminho percorrido.

A sua mensagem final é simples, mas forte: deseja paz e tranquilidade para Angola, como base para o progresso.

A história de Lourenço Cassule prova que, com esforço e visão, é possível sair de um bairro de Luanda e chegar a liderar equipas num dos sectores mais exigentes do mundo. Um exemplo que inspira e orgulha.

Centro de Articulação com a Diáspora (CAD).