Nayara Mingas a angolana que se destaca nos palcos da Europa
Nayara Mingas, nome artístico de Marta Mingas, é uma jovem angolana cuja história reflete os desafios e conquistas da imigração. Nascida a 12 de abril de 1992, na província de Cabinda, deixou Angola em 2018 com um objectivo claro: prosseguir os estudos e abrir novas oportunidades para o seu futuro.
O primeiro destino foi Portugal, onde frequentou o mestrado na Universidade Autónoma de Lisboa. Mais tarde, fixou-se em França, país onde vive actualmente e onde tem vindo a desenvolver a sua carreira profissional e artística.
Adaptação e superação
A chegada a França trouxe dificuldades, sobretudo ao nível da língua. “No início não foi fácil”, recorda. No entanto, com esforço e persistência, conseguiu adaptar-se e integrar-se na sociedade francesa.
Destaca, aliás, o apoio dado aos imigrantes no processo de integração, especialmente na aprendizagem do idioma, factor essencial para a sua evolução pessoal e profissional.
Para além da língua, a adaptação implicou também a compreensão de novos hábitos sociais, regras institucionais e formas de convivência, exigindo uma constante capacidade de ajustamento e aprendizagem.
Uma paixão que virou sonho
A música sempre fez parte da vida de Nayara. Começou a cantar aos 13 anos, num coro da igreja, inicialmente como um passatempo. Com o tempo, transformou-se num verdadeiro projecto de vida.
Em França, encontrou um ambiente multicultural que valoriza diferentes expressões artísticas. A música africana, em particular, é bem recebida, o que facilitou a aceitação do seu trabalho. Após uma pausa devido aos estudos, está agora a regressar à música com renovado entusiasmo.
A artista procura afirmar uma identidade própria, cruzando influências da sua origem angolana com novas sonoridades adquiridas no contacto com outras culturas.
A saudade de casa
Apesar das oportunidades no estrangeiro, Nayara não esconde a saudade de Angola. O calor humano, a gastronomia e a proximidade da família continuam a ser elementos insubstituíveis.
A distância da família, especialmente vivendo sozinha, é um dos maiores desafios que enfrenta enquanto imigrante. Ainda assim, mantém ligações frequentes com os seus familiares, procurando preservar os laços afetivos apesar da distância.
Crescimento e novas perspectivas
A experiência fora do país trouxe-lhe uma visão mais ampla do mundo. Nayara destaca a importância de conhecer outras realidades, sobretudo no que diz respeito a direitos, liberdades e formas de organização social.
Actualmente, trabalha na área da fiscalidade, aplicando os conhecimentos adquiridos e ajudando também outros imigrantes a lidar com questões burocráticas.
O contacto com diferentes sistemas legais e administrativos permitiu-lhe desenvolver uma maior capacidade de análise crítica e adaptação a contextos diversos, competências essenciais num mundo cada vez mais globalizado.
Um futuro com raízes em Angola
Apesar da integração em França, o desejo de regressar a Angola mantém-se firme. Nayara acredita que a experiência adquirida no exterior pode contribuir para o desenvolvimento do seu país.
“Angola precisa de nós”, afirma, sublinhando a importância de investir no crescimento da nação.
A médio prazo, pretende levar consigo não apenas conhecimento técnico, mas também novas perspectivas culturais e profissionais que possam gerar impacto positivo na sociedade angolana.
A sua história termina com uma mensagem de força e motivação: apesar das dificuldades, é possível vencer.
Mais do que um percurso individual, o seu exemplo reflete a realidade de muitos jovens africanos que procuram no estrangeiro oportunidades de crescimento, sem nunca perder a ligação às suas origens.
Nayara Mingas representa, assim, uma geração resiliente, capaz de transformar desafios em oportunidades e de construir pontes entre diferentes culturas.
CAD – Centro de Articulação com a Diáspora












