9 de May, 2026
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Angola participa em Adis Abeba nas celebrações dos 30º Aniversário da CPLP

As celebrações do Dia Internacional da Língua Portuguesa e o 30.º Aniversário da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) juntaram na tarde da quarta-feira, 07 de Maio de 2026, em Adis Abeba, diplomatas e comunidades falantes do português.

Ao lado dos Embaixadores dos Estados-Membros da CPLP, o Embaixador da República de Angola, Miguel César Domingos Bembe prestigiou o acto, tendo destacado a crescente importância da língua portuguesa no mundo, que ganha o seu espaço e se impõe por via da cultura e do turismo.

Os desvios da Língua Portuguesa estiveram em destaque na apresentação de curtas metragens onde os participantes apreciaram as variantes da língua de povo para povo e de regiões em regiões.

A Embaixada de Angola na Etiópia exibiu a curta-metragem documental do escritor angolano José Luís Mendonça, intitulada “Expressões da Bantulusofonia Mercantil em Luanda”, com o objectivo de destacar a influência das línguas nacionais angolanas (de matriz Bantu) na variante do português falado em Luanda, especialmente no contexto das trocas comerciais e da vida urbana.

Durante a sua alocução, o diplomata angolano classificou o idioma como uma “ponte robusta” que conecta povos e culturas, funcionando como um elemento estratégico no concerto das nações. Segundo Miguel Bembe, a CPLP cujo Secretariado Executivo é liderado pela Embaixadora angolana Fátima Jardim – consolida esta ligação ao transformar a língua num espaço de diálogo e cooperação intercontinental.

Para o representante angolano, o português transcende a comunicação verbal, afirmando-se como um instrumento de cidadania, justiça e reforço das instituições democráticas.

Miguel Bembe sublinhou que a riqueza do idioma reside na sua dinâmica inclusiva, capaz de acolher uma diversidade de sotaques e identidades sem desvirtuar a sua essência.

Na ocasião, Miguel Bembe enalteceu o empenho do Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, na promoção da mobilidade entre os cidadãos da comunidade e no aprofundamento de políticas educacionais e culturais. “Estes avanços demonstram o compromisso de Angola com uma CPLP cada vez mais próxima dos seus povos”, afirmou.

O discurso de Miguel Bembe serviu também para homenagear figuras que projectam a língua portuguesa globalmente.

Neste contexto aflorou que a língua portuguesa vive e ressoa nos versos imortais de “Havemos de Voltar* do Fundador da Nação Angolana, Dr. António Agostinho Neto, em “Os Lusíadas” de Luís de Camões, nos eternos Heterónimos de Fernando Pessoa, em “Ensaio sobre a Cegueira” de José Saramago, e no teatro de “Felizmente Há Luar!” de Luís de Sttau Monteiro. Ecoa igualmente em “Terra Sonâmbula” de Mia Couto, no Mayombe ou nas

Aventuras de Ngunga de Pepetela e nas Memórias Póstumas de Brás Cubase de Machado de Assis, bem como na literatura emergente da Guiné Equatorial, através de autores como Juan Tomás Ávila Laurel e da sua obra “Arde el Monte de Noche”.

Realçou igualmente que língua portuguesa se canta na morna “Sodade” de Cesária Évora, no Semba de *Paulo Flores, e nos ritmos inesquecíveis de “Sociedadi” dos Tabanka Djaz. Revela-se ainda na riqueza da dramaturgia brasileira contemporânea, recentemente celebrada no cinema internacional, e na resistência cultural e histórica do povo de Timor-Leste, cuja independência também foi afirmada em língua portuguesa.

O Embaixador Miguel Bembe destacou a escritora moçambicana Paulina Chiziane, recentemente distinguida como melhor autora africana. Para o Embaixador angolano num cenário onde a literatura lusófona ainda luta por espaço nos grandes circuitos editoriais, a obra de Chiziane surge como um poderoso veículo de projeção cultural.

Através da força da sua escrita, Paulina Chiziane faz irradiar a Língua Portuguesa, dando visibilidade às nossas raízes e valores civilizacionais comuns, reforçando o lugar da lusofonia no património cultural universal”, concluiu o diplomata.

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