Angola apresenta na ONU experiência da CIVICOP como exemplo de reconciliação e consolidação da paz
Angola destacou, esta quinta-feira,25, na sede das Nações Unidas, os progressos alcançados na promoção da reconciliação nacional e da coesão social através da Comissão para a Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP),apontando a iniciativa como uma importante contribuição para os esforços de consolidação de uma paz duradoura.
A abordagem foi feita pelo Embaixador Francisco José da Cruz, Representante Permanente de Angola junto das Nações Unidas, durante a Sessão Anual da Comissão de Consolidação da Paz, realizada no quadro das celebrações do vigésimo aniversário da Arquitectura de Consolidação da Paz da ONU.
Na ocasião, o diplomata destacou que a trajectória de Angola demonstra a importância da apropriação nacional, do diálogo inclusivo e das parcerias sustentadas na prevenção de conflitos e na promoção da estabilidade.Após décadas de conflito, o país tem vindo a consolidar a paz através do fortalecimento das instituições, da reconstrução nacional e da valorização de iniciativas voltadas para a cura das feridas do passado.
Neste contexto, foi realçado o papel desempenhado pela CIVICOP na localização, identificação e entrega dos restos mortais das vítimas dos conflitos políticos ocorridos entre 1975 e 2002 às respectivas famílias.
O processo, segundo o Embaixador Francisco José da Cruz, permitiu a realização de cerimónias fúnebres condignas e representou um importante gesto de reconhecimento, respeito e solidariedade para com milhares de cidadãos afectados por esse período da história nacional.
Realçou que esta iniciativa demonstra que o tratamento responsável do legado dos conflitos constitui um elemento essencial para fortalecer a confiança entre os cidadãos, preservar a memória coletiva e reforçar a unidade nacional.
“A abordagem adoptada assenta em princípios de dignidade humana, inclusão e respeito pelas vítimas, contribuindo para a construção de uma sociedade mais coesa e resiliente”, ressaltou.
Durante a sua intervenção, o Representante Permanente de Angola defendeu igualmente um maior investimento internacional na prevenção de conflitos e na consolidação da paz, sublinhando a necessidade de uma atuação mais integrada e sustentável das Nações Unidas no apoio às prioridades definidas pelos Estados.
Reiterou que os resultados mais duradouros são alcançados quando as respostas internacionais complementam os esforços nacionais e permanecem para além das fases imediatas de pós-conflito.
Olhando para o futuro, Angola reafirmou a sua determinação em continuar a promover a diplomacia preventiva, o diálogo inclusivo e a partilha de experiências com países em processo de recuperação pós-conflito, contribuindo para os esforços internacionais de promoção da paz, da estabilidade e do desenvolvimento sustentável.
Ainda nesta quinta-feira, durante o Debate Aberto do Conselho de Segurança sobre Crianças e Conflitos Armados* o Embaixador Francisco José da Cruz evidenciou os progressos alcançados no âmbito desta agenda das Nações Unidas, incluindo a libertação de mais de 220 mil crianças anteriormente associadas a forças e grupos armados.
Apesar destes avanços, manifestou preocupação com a persistência de graves violações contra crianças em contextos de conflito, particularmente em África, defendendo o reforço da protecção infantil nos processos de prevenção e resolução de conflitos, bem como a responsabilização dos autores dessas violações.
Ao assinalar o trigésimo aniversário da agenda Crianças e Conflitos Armados, Angola apelou ao reforço do apoio político, técnico e financeiro da comunidade internacional para assegurar a continuidade dos progressos alcançados.
A delegação angolana reiterou que a protecção das crianças deve permanecer no centro dos esforços internacionais de promoção da paz e da segurança, reafirmando o compromisso do país com a defesa dos direitos e do bem-estar das crianças afectadas por conflitos armados.










