Antónia Margareth de Jesus: a menina que corria descalça
Antónia Margareth de Jesus nasceu na cidade da Huíla, a 23 de Agosto de 1974. Aos 12 anos começou a prática do atletismo na Escola Mandume no Lubango. Mais tarde, em Agosto de 1990, fez a primeira participação numa competição nacional com representantes de várias províncias e com as melhores atletas da época, como Guilhermina Cruz, Faustina Assis, Filomena Maurício e muitas outras, tendo-se salientado ao fazer marcas de sénior.
Foi campeã nacional dos 100m, 200m e de estafeta 4x00m, com as marcas de 12,89 (100m) e 200m 25,63, derrotando a maior velocista daquela altura, Guilhermina Cruz. Correndo descalça acabava por destronar a grande campeã, passando a ser a nova coqueluche do atletismo angolano.
Em 1991, os olhares voltaram ao estádio dos Coqueiros, com a prova de qualificação para o campeonato africano do Cairo – e a expectativa estava reservada para ver um campeonato nacional com a presença da grande campeã júnior, Antónia Margareth de Jesus, a ‘bater’ as então grandes vedetas do atletismo nacional. Na verdade, era a grande incógnita para os treinadores, dirigentes da Federação Angolana de Atletismo, atletas e público em geral.
Passados 30 anos, ainda mantém os recordes dos 100 metros planos, 100 metros livres, 60 e 200 metros em pista coberta. Nunca perdeu uma prova em Angola e foi a primeira atleta feminina angolana a entrar na casa dos 11 segundos
Em 1988 fundou o atletismo no clube Ngola da Huíla (Lubango). Em 1990 participou no primeiro Campeonato Provincial de atletismo, no campo de areia da Escola Mandume, onde se sagrou campeã provincial dos 100m, 200m e a estafeta 4*100, conseguindo o apuramento para participar na Taça Nacional em Agosto na Província de Luanda.
Esteve nos Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992, onde foi a atleta mais nova da caravana olímpica angolana, com 18 anos de idade. Porém, viu o sonho da estreia ser adiado por força de uma ruptura no músculo da coxa e foi o momento mais triste de toda a sua carreira.
Outras participações: em 1993 esteve no campeonato africano em Durban. Em 1995, no Campeonato do Mundo em Gotemburgo (Agosto). Em 1995, nos 6º Jogos Pan-Africanos no Zimbabwe (setembro). Em 2000 participou no intercâmbio entre Atletas Olímpicos e jornalistas (Atenas Grécia), para cada um falar da sua experiência. Em 2004 marcou presença no Campeonato Ibero-americano de atletismo (Huelva) 2005 participação no Campeonato do Mundo de Pista Coberta na Hungria (Budapeste).
Em 1994, chegou a Portugal pelas mãos do malogrado embaixador Rui Mingas e um ano depois tornou-se atleta do Sport Lisboa e Benfica, tendo, em diversas ocasiões, sido campeã nacional. Mas foi a 30 de Junho de 1995, no Campeonato Nacional de Pista ao ar livre (no Porto), que bateu o recorde de Angola dos 100m, com a marca de 11,69s. Outra marca de registo é nos 200m, com o tempo de 24,62s, a segunda melhor do país, superada em 17 de Junho de 2017, para 24,61s.
Em 2002, em Portugal, correu pelo clube Joma de Queluz Massamá. Em 2005, contando com 30 anos, teve a sua primeira filha que a obrigou a interromper a carreira durante dois anos.
Foi colaboradora do Comité Olímpico Angolano na vigência de Presidente Rogério Silva e esteve ligada ao projecto “Contactos com as Escolas”, onde falava da sua experiência como atleta, para incentivar a camada mais jovem a prática do desporto no nosso país.
Idealiza criar uma associação para angariar todo o tipo de equipamentos para ajudar as crianças que querem fazer desporto e não têm meios para isso.
Quer continuar a colaborar com o Comité Olímpico Angolano para prosseguir o Projecto de Incentivar os jovens à prática do desporto e ainda fazer um livro sobre a Menina que Corria Descalça que nem uma Gazela Angolana, a Coqueluche do Atletismo Angolano, A mulher imbatível, a menina do laço branco, que corria no Campo dos Coqueiros de Luanda.
Está radicada em Portugal desde 2018, morando nos arredores de Lisboa.
Formada em Recursos Humanos pela Universidade Lusíada, trabalha actualmente como assistente administrativa. Possui um curso de massagista, que pratica com aquilo que diz ser “o maior prazer”.












