“Unir para Crescer”: A História de Victorino David da Cruz, Presidente da Comunidade Angolana Residentes no Quénia.
Aos 40 anos, Victorino David da Cruz, natural de Viana, em Luanda, traça um percurso marcado pela determinação e pelo desejo de contribuir para o desenvolvimento do turismo angolano. Formado em Gestão de Viagem e Turismo pelo Kenya Utalii College, em Nairobi, Victorino deixou Angola em Setembro de 2022 com o objectivo claro de se especializar na área turística e regressar ao seu país com novos conhecimentos.
Uma oportunidade que mudou o rumo da carreira
Actualmente um dos bolseiro do governo Queniano, Victorino revela que a oportunidade surgiu no âmbito de um programa destinado aos funcionários do Ministério do Turismo na altura. “ _Como sou quadro, manifestei interesse, inscrevi-me e fui contemplado”, explica. Esta formação internacional representa para si uma porta aberta para o crescimento profissional, mas também para contribuir futuramente para o sector turístico em Angola.
*A liderança de uma comunidade no exterior
Para além do percurso académico, Victorino desempenha hoje um papel central na diáspora angolana no Quénia: o de presidente da comunidade angolana residente no país. A ascensão ao cargo, conta, deveu-se “à escolha dos membros da comunidade e à confiança depositada em mim como alguém capaz de responder melhor às necessidades e questões correntes”.
A associação, sublinha, tem como principal objectivo unificar os angolanos no território queniano e servir de ponte com a Embaixada de Angola no país. Para além de apoiar cidadãos nacionais, os serviços estendem-se também a estrangeiros que procuram assistência, sobretudo na obtenção de vistos ou renovação de documentos.
“Somos uma comunidade pequena”, destaca Victorino. “Sem contar com o pessoal diplomático, somos apenas 31 membros. Juntando todos, chegamos a 55 angolanos residentes no Quénia.”
Integrar, apoiar e registar: os projectos em curso
O líder comunitário tem como prioridade fortalecer a união entre todos os angolanos no país. Para isso, temos incentivado o registo consular através de uma ficha própria onde o cidadão anexa uma fotografia e cópia do passaporte. “Unir, unir e unir” — é esta a visão que repete com convicção.
O regresso a Angola: um plano anunciado
Apesar da integração no Quénia, Victorino afirma que o regresso a Angola está próximo. O objectivo é claro: “Aplicar todo o conhecimento adquirido aqui e contribuir para o crescimento do turismo interno.”
Desafios financeiros e de adaptação
A vida no estrangeiro raramente é simples e Victorino não esconde os desafios. Com um subsídio insuficiente para cobrir todas as despesas, teve de recorrer a pequenos trabalhos, como traduções e interpretações em reuniões e conferências.
A adaptação ao país de acolhimento também exigiu resiliência. “Foi difícil deixar tudo em Angola, especialmente a família”, confessa. A gastronomia e o clima frio de Nairobi foram obstáculos iniciais, mas que, com o tempo, conseguiu superar.
Uma ligação que não se perde: Angola sempre presente mesmo longe
Victorino mantém-se atento ao que acontece em Angola, através das redes sociais e de informações enviadas por familiares e amigos. “Fico triste sempre que algo afecta negativamente o nosso povo”, lamenta, lembrando que entre aqueles que sofrem estão as pessoas que lhe são mais próximas.
Questionado sobre o que gostaria de ver mudado no país, é directo: melhores condições sociais, preços acessíveis da cesta básica, facilidades no acesso à habitação, políticas de investimento mais eficazes e menos burocracia. Usa uma metáfora simples para expressar o que espera do país: “Se o filho chora de fome e o pai não pode dar tudo, que ao menos dê algo para suavizar a dor.”
A saudade que não se cala
Para Victorino, as saudades são um sentimento constante. “Da família, dos amigos, da gastronomia, das nossas cervejas geladas, do nosso Vinho, das danças… tudo que é nosso me dá saudades”, afirma com emoção.
A mensagem de um líder para os jovens angolanos
Apaixonado por livros e defensor da educação, deixa um apelo especial à juventude:
“Encorajo os jovens a empenharem-se nos estudos. Quanto mais cedo, melhor. E que não hesitem em estudar no exterior quando houver oportunidade. É preciso coragem e determinação para vencer os obstáculos que surgem no caminho dos vossos sonhos.”






