Da Saúde Ambiental à Ciência Agroalimentar: a trajectória de um investigador angolano em Marrocos
Dorivaldo Patrício Gomes Cardoso, natural de Luanda, de 28 anos de idade, é um jovem académico angolano que se destaca no panorama científico internacional.
Licenciado em Saúde Ambiental, encontra-se actualmente a frequentar o segundo ano de doutoramento em Ciências e Tecnologias Agroalimentares na Faculdade de Ciências de Rabat, no Reino de Marrocos.
A saída de Angola foi motivada, sobretudo, pela atribuição de uma bolsa de estudo, factor decisivo que lhe abriu portas para a continuação da sua formação académica no estrangeiro.
Aliada a esta oportunidade, esteve também a possibilidade de aprofundar conhecimentos numa área estratégica e com grande impacto no desenvolvimento sustentável, tanto a nível internacional como nacional.
Apesar da sua formação inicial em Saúde Ambiental, Dorivaldo Cardoso integrou um grupo restrito de investigação em Ciências e Tecnologias Agroalimentares, composto por quatro membros, sendo ele o único estrangeiro.
A selecção resultou da sua persistência, resiliência e dedicação académica, evidenciadas pelo seu desempenho consistente nas aulas teóricas e práticas, bem como pela sua postura activa na procura constante de esclarecimentos junto dos docentes.
O projecto de investigação no qual está envolvido centra-se no desenvolvimento de métodos eficazes para a selecção e germinação do grão-de-bico num contexto de alterações climáticas.
O objectivo principal é possibilitar a produção deste alimento ao longo das quatro estações do ano em Marrocos, estudando mecanismos que, futuramente, poderão também ser aplicados em Angola, tendo em conta as diferenças climáticas entre as duas regiões.
Segundo o investigador, este conhecimento poderá contribuir para o reforço da segurança alimentar e para a adaptação da agricultura às mudanças climáticas.
Para além da actividade académica, Dorivaldo Cardoso exerce várias funções profissionais.
Destaca-se a sua colaboração como freelancer na Embaixada de Angola no Reino de Marrocos, durante o mandato do Embaixador Baltazar Diogo Cristóvão, experiência que considera fundamental para o seu crescimento profissional.
Actua igualmente como tradutor de português, francês e inglês e participa em diversos projectos de call centers multilingues.
Sem família residente em Marrocos, e não sendo casado, o processo de adaptação ao país foi desafiante, sobretudo devido à barreira linguística.
Após seis meses de aprendizagem do francês, enfrentou ainda a realidade do uso simultâneo do francês e do darija nas universidades, exigindo um esforço contínuo de integração linguística e cultural.
Apesar da distância, Dorivaldo mantém uma ligação activa à comunidade angolana em Marrocos, participando em eventos culturais e contribuindo para a organização de actividades comunitárias, sobretudo na área musical.
Atento à realidade do seu país de origem, acompanha de perto a situação social e económica de Angola. Reconhece os desafios existentes, mas mantém uma visão optimista, acreditando que a formação académica da juventude é um dos pilares fundamentais para o desenvolvimento do país.
No que respeita ao futuro, o jovem investigador ambiciona concluir com sucesso a sua formação académica e regressar a Angola.
O seu objectivo é aplicar os conhecimentos adquiridos no estrangeiro em benefício do desenvolvimento nacional, particularmente nas áreas da ciência, tecnologia e produção agroalimentar.
Saudades da família, da cultura, da gastronomia e da vivência angolana fazem parte do seu quotidiano, mas não diminuem o seu compromisso com o país.
A sua mensagem à juventude angolana é clara: investir na formação, adquirir experiência fora e regressar para contribuir activamente no crescimento e valorização de Angola.












