24 de June, 2026
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Embaixador Miguel Bembe abre trabalhos da 51ª Sessão Ordinária do Comité dos Representantes Permanentes da União Africana

O Embaixador da República de Angola na República Democrática Federal da Etiópia e Representante Permanente junto da União Africana (UA), e da Comissão Económica das Nações Unidas para África, Miguel César Domingos Bembe, procedeu hoje em Adis Abeba, à abertura dos trabalhos da 51ª Sessão Ordinária do Comité dos Representantes Permanentes (CRP) da União Africana, do qual é presidente em exercício.

Ao usar da palavra, o diplomata angolano defendeu a necessidade do reforço contínuo da unidade e coesão entre os Estados-membros. Miguel Bembe referiu que uma União Africana forte deve assentar em posições comuns e, sempre que necessário, em tomada de decisões e operacionalização de acções audaciosas ou inovadoras, face às grandes questões internacionais.

Num mundo marcado por mudanças rápidas e tensões crescentes, tal como se assiste, com incredulidade, nos últimos tempos, o diplomata angolano disse que a voz colectiva e unida na diversidade, deve ressoar com clareza e firmeza, reafirmando, assim, o papel e o lugar de África como um dos actores incontornáveis no sistema internacional.

Miguel Bembe sublinhou que nenhum país, nenhuma região do mundo, ninguém, mas absolutamente ninguém, pode viver em isolamento.

As relações internacionais, disse, ensinam-nos que, neste mundo globalizado e interdependente, Nação alguma consegue, por si só, enfrentar os grandes desafios contemporâneos transnacionais, sejam eles de carácter social, económico, ambiental ou político. O Representante de Angola junto da União Africana aflorou que esses desafios exigem uma abordagem multidisciplinar e colaborativa para serem superados.

Face à interdependência complexa e à multipolaridade, Miguel Bembe referiu que todos os actores, mesmo os mais modestos, incluindo os não-estatais, formais e não-formais, são chamados a contribuir para a busca de soluções concertadas e a construção de parcerias que reforcem a estabilidade, a integração e a prosperidade comum à escala mundial, valorizando o multilateralismo.

O diplomata angolano lamentou a persistência dos conflitos armados, o terrorismo e o extremismo violento, mas, também, as outras ameaças transnacionais híbridas, que envolvem uma combinação de actividades coercivas e subversivas, utilizando métodos convencionais e não convencionais (desinformação, ciberataques e manipulação económica), para comprometer a segurança dos países africanos e as respectivas instituições.

Este fenómeno, alertou, é um verdadeiro desafio à defesa nacional e à estabilidade política que tende a ser posta em causa pela exploração das vulnerabilidades estruturais que resultam, sobretudo, do défice da governação pública, perante as populações, em particular a juventude africana, cada vez mais conectada e ávida de mudança.

A este facto, Miguel Bembe falou da tendência preocupante para o regresso de comportamentos hegemónicos e unilaterais, que fragilizam o equilíbrio mundial, ameaçam a soberania das Nações e desvalorizam os princípios do multilateralismo, em contradição com os compromissos assumidos no “Pacto para o Futuro”.

Para o diplomata angolano, esta realidade geopolítica impõe que África reforce a sua posição comum e inequívoca, que não deixa margem para dúvidas ou interpretações ambíguas, contra qualquer forma de interferência externa nos assuntos do continente.

Para o efeito, disse ser necessário valorizar, cada vez mais, o espírito de unidade e solidariedade que caracteriza o continente africano, herdado dos pais fundadores de África.

“Tão-somente assim poderemos defender, com vigor e convicção, o nosso direito à autodeterminação e reafirmar o compromisso inabalável com um multilateralismo eficaz, o baluarte essencial para consolidar e promover a prosperidade”, destaca-se na comunicação de Miguel Bembe.

O Comité dos Representantes Permanentes ocupa um lugar fundamental na preparação e acompanhamento dos dossiês estratégicos da União Africana. A sua missão passa por garantir a boa condução dos assuntos da organização continental, assegurando a implementação dos projectos prioritários e emblemáticos previstos na Agenda 2063, denominada “a África que Queremos”.