Angola participa na ONU em reunião especial do Conselho Económico e Social (ECOSOC)
O Representante Permanente de Angola junto das Nações Unidas, Embaixador Francisco José da Cruz, participou nesta sexta-feira, 15, numa Reunião Especial do Conselho Económico e Social (ECOSOC) sobre a Salvaguarda dos Fluxos de Energia e Abastecimento: Apoio ao Desenvolvimento Global Através da Cooperação Internacional.
A iniciativa teve como objectivo abordar as perturbações críticas e contínuas nas cadeias de energia e de abastecimento que estão a causar impactos globais significativos no comércio, na segurança alimentar e na estabilidade macroeconómica.
Na ocasião, o Embaixador Francisco José da Cruz salientou que as recentes perturbações nos fluxos de energia e de abastecimento expuseram, uma vez mais, as vulnerabilidades estruturais dos países em desenvolvimento, particularmente em África.
Segundo o diplomata, o aumento dos preços da energia, as pressões inflacionistas, as perturbações no comércio e na logística e o crescente endividamento* continuam a afectar “as nossas economias e o quotidiano das nossas populações”.
Referiu que para Angola, a salvaguarda dos fluxos energéticos e de abastecimento está fundamentalmente ligada ao desenvolvimento, à industrialização, à segurança alimentar, à erradicação da pobreza e à estabilidade regional.
Sublinhou que enquanto produtor de energia africano, Angola reconhece a importância de assegurar mercados energéticos estáveis e fiáveis, promovendo simultaneamente uma transição energética justa, equilibrada e inclusiva que tenha em conta as realidades nacionais e as prioridades de desenvolvimento.
A nível regional, assinalou que Angola considera que o reforço das infra-estruturas e da conectividade é essencial para aumentar a resiliência face a futuras perturbações globais.
Neste contexto, o Embaixador Francisco José da Cruz destacou a importância estratégica do Corredor de Lobito como uma iniciativa africana concreta destinada a melhorar a conectividade regional, a facilitar o comércio e a apoiar a integração económica em todo o continente, em consonância com os objectivos da Área de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA).
Disse que o Corredor representa um contributo importante para a construção de cadeias de abastecimento mais resilientes, a promoção de cadeias de valor regionais e o apoio à transformação económica sustentável em África.
Por isso, manifestou preocupação com a redução do espaço orçamental enfrentado por muitos países em desenvolvimento, particularmente em virtude do aumento dos custos do serviço da dívida e do acesso limitado a financiamento acessível.
Reiterou a importância do reforço da cooperação internacional, da melhoria do acesso ao financiamento concessional e do apoio a investimentos em infraestruturas resilientes e em desenvolvimento sustentável.
“Os desafios que enfrentamos reafirmam a necessidade urgente de um sistema económico internacional mais equitativo e orientado para o desenvolvimento, capaz de responder eficazmente às realidades e prioridades dos países em desenvolvimento”, enfatizou.
O Embaixador Francisco José da Cruz, reafirmou o compromisso de trabalhar em prol de soluções práticas e cooperativas que reforcem a resiliência, promovam o desenvolvimento sustentável e garantam que nenhum país fique para trás.
Reiterou a aposta na diversificação da sua matriz energética, incluindo a hidroelectricidade, a energia solar e programas de electrificação rural, com o objectivo de alargar o acesso a energia acessível e sustentável.










