“O Arquitecto Marinheiro” – Trabalhos de Troufa Real em exposição em Oeiras
Por Vladimir Prata
Uma exposição com vários trabalhos do arquitecto angolano Troufa Real, criados ao longo dos 50 anos da sua carreira, foi inaugurada, sábado último, no Círculo da Arquitectura de Oeiras, em Lisboa.
A mostra denominada “Troufa Real – O Arquitecto Marinheiro” e que pode ser apreciada até ao mês de Agosto deste ano é constituída por painéis com imagens de esboços, plantas, projectos arquitectónicos e edifícios, bem como maquetas da autoria do angolano.
Alguns dos trabalhos expostos retratam infra-estruturas construídas em Angola com a assinatura de Troufa Real, como é o caso do Campus Universitário de Cabinda, edificado em 2007, ou ainda o Pavilhão Nocal, na Feira Internacional de Luanda, criado em 1972.
Vários outros edifícios construídos em Portugal, como o Viaduto Infante D. Henrique (1985), a Igreja Paroquial de São Francisco Xavier no Restelo (1997-2001), o Edifício Écran no Parque das Nações (1998-2004), entre outros, estão igualmente retratados na exposição.
O presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Mendes, a quem coube a honra de inaugurar a mostra, destacou, na sua intervenção, o trabalho desenvolvido pelo arquitecto particularmente naquela localidade, como a Igreja da Santíssima Trindade em Miraflores (2001-2015), “controversa à data da sua idealização, mas que com o tempo veio a adquirir um estatuto de ícone na paisagem concelhia”.
“Em Oeiras, vimos afirmando, desde há décadas e de forma muito clara, a centralidade do planeamento urbano e da arquitectura na construção de um concelho mais inovador, mais sustentável e mais humano. Conheço o Arquitecto Troufa Real e acompanho o seu trabalho há mais de 30 anos. Com ele estabeleci uma relação de amizade e admiração, que se foi aprofundando ao longo de muitas horas de conversa, que contribuíram, sem dúvida, para a minha própria formação não apenas enquanto cidadão, mas também enquanto autarca, moldando mesmo a minha forma de ver a cidade”, expressou.
O governante português refere que Troufa Real – ausente no dia da inauguração da mostra, por razões de saúde – pertence uma geração que soube pensar a cidade para além do imediato, que, num tempo de transformação, contribuiu para introduzir novas formas de olhar o espaço urbano, mais funcional, mais atento às necessidades das pessoas e mais alinhado com os desafios do seu tempo.
“O seu trabalho integra esse movimento mais amplo de modernização, onde cada projecto era também uma reflexão sobre o território e o seu futuro. Um contributo que, ainda hoje, nos ajuda a compreender a importância de planear com visão, de construir com propósito e de intervir com responsabilidade”, destaca Isaltino Mendes.
Nascido no bairro da Ingombota, (Luanda), em 1941, José Deodoro Faria Troufa Real diplomou-se em Arquitectura na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, como bolseiro da Câmara Municipal de Luanda, em 1967. É ainda diplomado em Planeamento Nacional, Regional e Urbano, pela Architectural Association School of Architects, (AA), em Londres, equiparado ao Grau de Doutor sem restrições académicas e professor catedrático da Faculdade de Arquitectura de Lisboa.

Tem estudos, projectos e obras em Angola, Portugal Continental, Madeira, Açores, Macau e México, nos domínios do planeamento nacional, regional e urbano, arquitectura e design.
Em Angola, é autor do Plano do Golfe 1, escolas primárias, projecto do Campus Universitário de Cabinda 2007, Reitoria e Serviços Sociais de Cabinda (Caio), Projecto do Edifício dos Correios, Edifício Mosaiko (Dominicanos), Vila da Fraternidade (Dande), Cidade da Graça (Benguela), Alameda dos Ministérios (Luanda), instalações da Orion (Luanda) e Duriense Towers Conduril (Luanda).
Em 2023, foi condecorado com a Medalha Municipal de Mérito-Grau Ouro pela Câmara Municipal de Oeiras, pela contribuição dada ao longo da sua carreira profissional, e em Julho de 2025, no âmbito das Comemorações dos 50 Anos da Independência Nacional de Angola, foi condecorado com a Medalha de Ouro na Classe Paz e Desenvolvimento, atribuída pelo Presidente da República, João Manuel Lourenço.












