23 de May, 2026
#Capa

Jovem angolano entre as vozes mais activas na Diáspora Brasileira

Trata-se de Eduardo José: Um rosto da juventude angolana no Brasil. Saiu de Luanda para São Paulo há mais de 10 anos, com um propósito bem definido: estudar, liderar e transformar. Eduardo José, 34 anos, é hoje uma das vozes mais activas da juventude angolana na Diáspora Brasileira.
Com uma sólida formação académica na área das tecnologias e um percurso marcado pela liderança comunitária, ocupa desde 2024 o cargo de coordenador nacional da juventude angolana no Brasil, nomeado pelo presidente do Conselho Nacional da Juventude (CNJ), Isaías Calunga.
Natural de Luanda, Eduardo deixou Angola em 2015 movido pelo desejo de aprofundar os seus estudos. “A motivação principal foi a busca por melhores condições de formação na área tecnológica, que sempre se apaixonou. O Brasil surgiu como opção viável pela língua e pelas oportunidades académicas disponíveis, segundo explica o próprio.
Formado em Engenharia de Computação e com uma pós-graduação em Cibersegurança, Eduardo José soma ainda uma certificação em Inteligência Artificial e experiência profissional como analista de sistemas numa empresa do sector financeiro. Ali, dedica-se à implementação de políticas de produção de dados e à prevenção de ataques cibernéticos.

Segurança digital como missão

Especialista em cibersegurança, Eduardo vê nesta área um dos pilares essenciais da transformação digital. “Trata-se de proteger dados, sistemas e redes contra acessos não autorizados. É um campo com grande procura e com impacto em todos os sectores, mas exige constante actualização devido ao ritmo acelerado da evolução das ameaças”, refere.
Foi esse espírito de missão e de constante superação que o levou a assumir, em 2024, o desafio de coordenar o CNJ no Brasil, cargo que aceitou por acreditar que este órgão juvenil pode ser uma ponte entre os jovens, as suas aspirações e oportunidades concretas de desenvolvimento.

Brasil acolhe perto de três mil jovens angolanos
Estima-se que estejam a residir actualmente perto de três mil jovens angolanos em território brasileiro, dos quais entre 600 a 700 mantêm contacto regular com o CNJ, sobretudo em cidades como São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Curitiba.
As preocupações desses jovens são diversas: regularização documental, acesso ao ensino superior, integração no mercado de trabalho e adaptação cultural, sendo que o CNJ actua como estrutura de apoio e orientação, organizando palestras, workshops, rodas de conversa, além de estabelecer parcerias com instituições brasileiras.
Entre os projectos futuros, destacam-se a criação de uma plataforma digital de apoio estudantil, um programa de mentoria académica e profissional e ainda a consolidação de um fundo de apoio emergencial para jovens em situação de vulnerabilidade.

Entre a comunidade e a profissão
Para além da liderança no CNJ, Eduardo mantém-se ligado à comunidade angolana no Brasil, participando, sempre que possível, em eventos culturais, celebrações diplomáticas e encontros da Diáspora.
Profissionalmente, mantém-se activo como analista de sistemas, função que, apesar do elevado custo de vida em São Paulo, lhe permite viver com dignidade e, por vezes, apoiar a família em Angola.
Sobre o país de origem, afirma manter-se atento e acompanha o que se passa em Angola através da imprensa, redes sociais e contactos pessoais, realçando sentir preocupação pelos desafios actuais, mas também esperança, especialmente ao ver uma juventude cada vez mais consciente e mobilizada.

Tecnologia e juventude como motores de mudança
Com a sua formação e experiência profissional, Eduardo acredita poder contribuir de forma activa para o desenvolvimento de Angola, reafirmando ver grande potencial na digitalização dos serviços públicos, na promoção da transparência e na formação de jovens em competências tecnológicas.
Manifesta-se disponível para transmitir este conhecimento, especialmente no que diz respeito à inteligência artificial — uma área que pode transformar sectores inteiros, como ele próprio defende.

Sobre o que gostaria de ver mudado no seu país, é claro e peremptório na resposta: “Instituições mais fortes, meritocracia, educação de qualidade e uma cultura de inovação. Angola tem de apostar seriamente na formação da sua juventude.”
Em jeito de mensagem, Eduardo expressa confiança e determinação e faz fé de que os jovens devem acreditar no seu potencial.
Angola é rica em cultura, juventude e talento. Com união, educação e coragem, “podemos construir o país com que todos sonhamos”.