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Dilson Cabango: a dança como bandeira de Angola fora de portas

Nascido em Luanda, no bairro do Marçal, Dilson Cabango construiu um percurso marcado pela resiliência, talento e paixão pela dança. Atualmente com 39 anos, reside em França, onde se afirma como bailarino profissional, professor e promotor da cultura angolana além-fronteiras.

A sua ligação à arte nem sempre foi evidente. Durante a adolescência, o futebol era a sua maior paixão. Contudo, um problema de saúde obrigou-o a abandonar a prática desportiva, levando-o a redirecionar o seu percurso para a dança — uma actividade que já fazia parte da sua vida desde cedo, sobretudo através do carnaval e de estilos urbanos.

O ponto de viragem surgiu quando venceu concursos internacionais de Kizomba e Semba, realizados entre Angola, Portugal e Brasil. Esse reconhecimento abriu-lhe portas para participar em festivais e congressos internacionais, onde começou a ensinar danças angolanas. Em 2012, iniciou o processo de emigração para a Europa, fixando-se posteriormente em França.

Apesar de ter regressado temporariamente a Angola em 2015, a falta de estrutura e de valorização da dança no país levou-o a voltar à Europa. Em França, encontrou melhores condições para desenvolver o seu trabalho artístico e pedagógico.

Actualmente, dirige a Dilson Dance Academy, uma escola integrada numa associação cultural francesa dedicada à promoção das culturas africanas. Neste espaço, ensina estilos tradicionais e populares angolanos, como Kizomba, Semba e Bolero, além de um conceito próprio denominado “Afro Vibes”, criado para adaptar as danças tradicionais ao público europeu.

A escola recebe alunos de várias nacionalidades, maioritariamente europeus interessados em aprender danças africanas. Para além das aulas, Dilson organiza eventos culturais em França e em Portugal, proporcionando aos alunos espaços de prática e divulgação da cultura angolana.

Apesar das conquistas, a vida na diáspora não está isenta de dificuldades. O artista admite que a ausência de família torna o percurso mais solitário, embora encontre na comunidade da dança um importante apoio emocional.

Ligado às suas raízes, mantém também projectos em Angola, incluindo escolas de dança e iniciativas comunitárias, como o projecto “Kotas que Bailam”, direcionado para pessoas mais velhas. No futuro, pretende regressar ao seu país natal e implementar modelos organizacionais inspirados na Europa, contribuindo para a profissionalização do sector da dança.

Dilson acredita que Angola possui um enorme potencial cultural, mas defende a necessidade de maior investimento, estrutura e valorização dos artistas. Destaca ainda a importância da educação, alertando para o impacto da música e da dança na formação das novas gerações.

Para o bailarino, a dança é actualmente um dos principais cartões de visita de Angola no mundo. Através do seu trabalho na diáspora, contribui para a promoção do país, levando cultura, identidade e tradição a diferentes públicos internacionais.

No final, deixa uma mensagem clara: união, valorização da cultura e mais ação por parte dos jovens angolanos. Como afirma, “a cultura fortalece a nação” — e a dança pode ser uma das suas maiores forças.

Centro de Articulação com a Diáspora (CAD)

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