30 de July, 2026
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África unida fala a uma só voz: Conselho Executivo da UA chancela candidatura de Josefa Sacko à liderança da FAO

A 49.ª Sessão Ordinária do Conselho Executivo da União Africana, reunida nos dias 28 e 29 de Julho de 2026, em Adis Abeba, selou uma histórica vitória diplomática ao aprovar, por consenso, a candidatura da Engenheira e Embaixadora Josefa Leonel Correia Sacko ao cargo de Director-Geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para o mandato 2027–2031.

O endosso unânime dos Estados-Membros converteu a proposta apresentada pela República de Angola, em representação da Região da África Austral, na candidatura oficial de toda a África e da organização continental, demonstrando a determinação do bloco em falar a uma só voz na arena multilateral global. O respectivo acto eleitoral decorrerá em Julho de 2027, em Roma, República Italiana.

Neste contexto de magna afirmação política, o Ministro das Relações Exteriores da República de Angola, Téte António, exprimiu os profundos agradecimentos do Estado angolano ao Reino de Marrocos e à República do Uganda. Ambos os países retiraram as suas candidaturas em prol do consenso em torno do nome de Angola. O Chefe da diplomacia angolana sublinhou que estes gestos de elevada solidariedade política honram o Continente africano, evitam divisões internas e robustecem a posição de África como um bloco coeso e incontornável nas instâncias de governação mundial.

O Ministro Téte António enfatizou, igualmente, que a Embaixadora Josefa Sacko não ambiciona reinventar a FAO, mas propõe-se consolidar as conquistas já alcançadas pela organização. O cerne do seu programa radica no reforço da eficácia operacional e na aproximação da instituição aos seus Estados-Membros. A meta fundamental desta liderança unificada consiste em colocar a experiência acumulada, a capacidade de inovação e a resiliência demonstradas por África ao serviço das soluções globais para os complexos desafios da segurança alimentar mundial.

A Embaixada da República de Angola na República Democrática Federal da Etiópia e Representação Permanente junto da União Africana (UA) e da Comissão Económica das Nações Unidas para África (UNECA) detalha a visão estratégica apresentada pela candidata. A exposição programática ocorreu no dia 27 de Julho de 2026, em Adis Abeba, durante a audição solene realizada perante o Comité Ministerial sobre as Candidaturas Africanas no Sistema Internacional.

Intitulada “Uma Ambição Continental para a Governação Mundial da Alimentação e da Agricultura”, a proposta de liderança assenta numa abordagem universal, integradora e estritamente orientada para a obtenção de resultados tangíveis para todos os Estados-Membros. O plano estabelece uma convergência técnica rigorosa entre as directrizes do Quadro Estratégico 2022-2031 da FAO e as aspirações de desenvolvimento socio-económico preconizadas pela Agenda 2063 da União Africana.

O plano de acção estruturado pela diplomata angolana define quatro eixos prioritários para acelerar as metas globais de transformação agro-alimentar. No âmbito da produção, o foco centraliza-se na optimização dos factores produtivos através do fomento de agro-tecnologias inclusivas e da transferência massiva de conhecimento técnico especializado para as zonas rurais.

A vertente nutricional assume como objectivo fulcral a erradicação da fome e o combate sistemático a todas as formas de subnutrição, em estrito alinhamento com as metas fixadas pelo ODS 2 da Agenda 2030 das Nações Unidas. No domínio ambiental, a estratégia confere prioridade à mitigação dos riscos climáticos por via da gestão sustentável dos recursos hídricos, da conservação integrada da biodiversidade e da promoção de mecanismos eficazes de adaptação ecológica.

Finalmente, a melhoria da qualidade de vida rural é projectada sob a óptica do desenvolvimento inclusivo. O plano programático preconiza o empoderamento efectivo e a inclusão produtiva das mulheres e dos jovens no tecido sectorial agrícola, potenciando a sustentabilidade demográfica do campo.

No capítulo da governação institucional, a Engenheira Josefa Sacko preconiza um modelo de reforma cirúrgica que visa potenciar a eficiência operacional da FAO por intermédio de uma arquitectura administrativa equilibrada. Longe de configurar uma ruptura com a estrutura central, a estratégia assenta numa descentralização concertada que opera em estreita simbiose e articulação com as competências nucleares da Sede, em Roma.

Esta abordagem integrada garante o estreitamento dos mecanismos de comunicação técnica bidireccional entre o núcleo central e a rede de escritórios regionais, sub-regionais e representações nacionais* A proximidade operacional proposta visa a adequação dos serviços técnicos às realidades geográficas e aos ecossistemas específicos de cada Estado-Membro, maximizando o impacto das intervenções locais.

Esta reconfiguração descentralizada tem igualmente por objectivo dotar as representações locais de maior capacidade técnica para uma reacção célere e coordenada face a choques climáticos ou alimentares, operando invariavelmente sob a égide metodológica e supervisão da Sede.

O princípio da subsidiariedade norteia esta visão de governação, assegurando que a actuação da FAO se oriente para o reforço das capacidades institucionais internas de cada país, funcionando como um parceiro catalisador que respeita estritamente a soberania e as lideranças nacionais.

A arquitectura proposta reconhece de forma inequívoca que a segurança alimentar contemporânea é indissociável da estabilidade global, da manutenção da paz e do desenvolvimento sustentável. Para salvaguardar a viabilidade financeira e a eficácia técnica da FAO, a candidatura de consenso de África defende a diversificação das fontes de financiamento através do estabelecimento de alianças estratégicas com instituições financeiras internacionais, o sector privado, a comunidade académica e as organizações de produtores locais.

A estratégia também potencia a economia azul como vector complementar de resiliência, promovendo o aproveitamento sustentável dos recursos hídricos e marinhos para robustecer os meios de subsistência das populações costeiras e ribeirinhas.

Esta visão programática é validada pelo percurso de Estado e pelo perfil multilateral da Engenheira Josefa Sacko. A nível nacional, a diplomata desempenhou funções nucleares enquanto consultora do Governo de Angola, prestando assessoria directa aos Ministérios da Agricultura, das Florestas e do Desenvolvimento Rural e do Ambiente, com foco em cooperação internacional, segurança alimentar e alterações climáticas. No plano continental, serviu com distinção na liderança executiva da União Africana (2017-2025) como Comissária para a Agricultura, Desenvolvimento Rural, Economia Azul e Ambiente Sustentável (ARBE). Presentemente, na qualidade de Embaixadora Extraordinária e Plenipotenciária da República de Angola na República Italiana e Representante Permanente junto das Organizações Internacionais sedeadas em Roma, a diplomata domina os actuais mecanismos de concertação da FAO, reiterando o seu firme compromisso com uma gestão institucional pautada pela integridade, total imparcialidade e busca do consenso multilateral universal.