4 de July, 2026
#A nossa diáspora #Capa #Multimedia #Vídeo

Elmara da Rosa constrói o seu futuro no Brasil e sonha regressar para transformar a saúde em Angola

Natural de Angola, estuda Medicina na Universidade Federal de Goiás através de uma bolsa do INAGBE e lidera a comunidade angolana como vice-presidente da associação local. Elmara Iracema Ferrão da Rosa representa uma geração de jovens angolanas que apostam na formação académica no exterior como alavanca para o desenvolvimento do país.

Actualmente a residir no Brasil, onde frequenta o curso de medicina na Universidade Federal de Goiás (UFG), a jovem chegou ao país em 2025 com um objectivo claro: adquirir conhecimentos que lhe permitam, no futuro, contribuir para a melhoria dos serviços de saúde em Angola.

O seu percurso académico começou em Angola, onde concluiu o ensino médio na área de enfermagem, base que lhe despertou a vocação para as ciências da saúde e que acabou por abrir caminho para o ingresso no curso de medicina no Brasil.

A bolsa que mudou o rumo

A oportunidade de estudar no exterior surgiu através do Instituto Nacional de Gestão de Bolsas de Estudo de Angola (INAGBE), pelo Programa de Estudantes Convénios para a Graduação (PEC-G). O processo envolveu candidatura, selecção criteriosa e o cumprimento de vários requisitos exigidos pelo programa.

“A experiência tem sido muito enriquecedora, tanto academicamente como pessoalmente”, afirma Elmara, reconhecendo ao mesmo tempo as exigências que o curso de medicina impõe no dia-a-dia. Entre os maiores desafios, aponta a adaptação a uma nova realidade, a distância da família e a intensidade da formação médica.

No plano académico e social, a jovem destaca a qualidade do intercâmbio entre estudantes de diferentes nacionalidades na UFG. “Existe uma boa convivência e a troca de experiências culturais e académicas entre os estudantes contribui para uma formação mais ampla e para o fortalecimento de amizades e parcerias”, sublinha.

Liderança ao serviço da comunidade

Para além dos estudos, Elmara Iracema Ferrão da Rosa assumiu um papel de relevo junto da comunidade angolana em Goiás. Actualmente ocupa o cargo de vice-presidente da Associação dos Angolanos em Goiás, posição à qual chegou pela confiança depositada nela pelos membros da própria comunidade.

“Sempre procurei participar activamente das actividades da associação e colaborar com iniciativas voltadas para o bem-estar dos estudantes e cidadãos angolanos residentes em Goiás”, explica.

A associação acompanha presentemente cerca de 34 angolanos residentes no estado, entre trabalhadores e estudantes. As principais dificuldades identificadas pela comunidade são transversais à generalidade da diáspora: questões relacionadas com documentação, adaptação cultural, constrangimentos financeiros e saudades da família.

No que diz respeito à sua sustentação, Elmara garante que as suas despesas são asseguradas sobretudo através da bolsa de estudos e, quando necessário, do apoio familiar.

Adaptação longe de casa

A chegada ao Brasil não foi isenta de dificuldades. Elmara recorda que, no início, as diferenças culturais e a distância da família tornaram o processo particularmente desafiante. Com o tempo, porém, foi construindo laços e integrando-se na comunidade local.

“Construí uma rede de amigos e colegas que se tornaram uma espécie de família durante esta caminhada”, confessa. A jovem não tem familiares próximos a viver no Brasil, o que torna ainda mais significativo o papel das amizades que foi cultivando ao longo do percurso.

Apesar da distância, mantém-se atenta ao que se passa em Angola. “Acompanho regularmente as notícias e os acontecimentos no país. Procuro manter-me informada sobre os avanços e desafios, sempre com a esperança de que haja cada vez mais oportunidades para os jovens e melhorias nas condições de vida da população”, afirma.

Angola no horizonte

Elmara não esconde o desejo de regressar a Angola depois de concluída a sua formação. O objectivo é claro: especializar-se numa área da saúde e desenvolver projectos que contribuam para a melhoria do acesso aos cuidados médicos no país.

“Acredito que, através da minha formação em medicina, poderei contribuir para a melhoria dos serviços de saúde, para a educação da população em temas de prevenção de doenças e para o fortalecimento do sistema de saúde angolano”, afirma com convicção.

As saudades que carrega são as de quem deixou para trás tudo o que lhe é mais querido: a família, a gastronomia angolana, as tradições culturais e o convívio diário com as pessoas que fazem parte da sua história.

A participação em eventos da comunidade angolana é, para si, uma forma de manter vivos esses laços. “Considero esses encontros muito importantes porque fortalecem os vínculos entre os angolanos, preservam a nossa cultura e criam uma rede de apoio para quem está longe de casa”, defende.

Uma mensagem de perseverança

À juventude angolana, Elmara Iracema Ferrão da Rosa deixa uma mensagem de esperança e determinação.
“A educação continua a ser uma das ferramentas mais poderosas para transformarmos vidas. Acreditem nos vossos sonhos, aproveitem as oportunidades e trabalhem com determinação para construir um futuro melhor para Angola”, conclui.

Centro de Articulação com a Diáspora (CAD)