11 de August, 2026
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Angola participa em formação especializada em ataques de ransomware no Qatar

Teve início, nesta segunda-feira, em Doha, Estado do Qatar, uma formação especializada subordinada ao tema “Investigação de Ransomware”, promovida pelo Centro Regional do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) para o Combate ao Cibercrime, reunindo representantes de Angola e Moçambique.

A sessão de abertura contou com a presença de António Cruz, Embaixador da República de Angola no Estado do Qatar, de Jassim Al Kuwari, Chefe-Adjunto do Centro Regional do UNODC para o Combate ao Cibercrime, e de Miguel Tungadza, Encarregado de Negócios da República de Moçambique.

A República de Angola está representada por uma delegação multidisciplinar integrada por quadros da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do Serviço de Investigação Criminal (SIC).

A delegação é chefiada pelo Magistrado do Ministério Público, Dr. Manuel Fragão e integra o Técnico de Justiça Eng.º Hemerson António, bem como os especialistas do Serviço de Investigação Criminal Abdoel Nataniel Caetano, da Direcção de Combate aos Crimes Informáticos, e Sílvio Silvério, do Laboratório Central de Criminalística.

Com a duração de uma semana, a formação tem como principal objectivo reforçar as capacidades técnicas e investigativas dos participantes para a prevenção, identificação, investigação e resposta aos ataques de ransomware, fenómeno que constitui actualmente uma das mais relevantes ameaças à segurança dos sistemas e redes de informação, com particular incidência sobre instituições públicas, empresas, infra-estruturas críticas e sectores estratégicos.

O programa contempla diversos módulos, com abordagem aos diferentes tipos de ransomware, principais grupos criminosos envolvidos neste tipo de criminalidade, respectivos modos de actuação e metodologias de ataque, bem como às técnicas de obtenção de acesso inicial aos sistemas, movimentação lateral nas redes comprometidas, exfiltração e encriptação de dados, formulação de pedidos de resgate e mecanismos de pagamento ou recuperação.

Especial atenção é igualmente dedicada às modalidades de dupla extorsão, em que os grupos criminosos, para além da encriptação dos sistemas, procedem previamente à extracção de informação das vítimas, utilizando posteriormente a ameaça de divulgação dos dados como instrumento adicional de pressão para o pagamento do resgate.

A formação aborda ainda medidas de mitigação e resposta a incidentes, técnicas e metodologias de investigação, análise dos métodos utilizados pelos diferentes grupos de ransomware, identificação e preservação de evidências digitais, estudo de casos e análise de vítimas, procurando proporcionar aos participantes instrumentos que permitam compreender todo o ciclo de um ataque, desde o acesso inicial à infraestrutura da vítima até à fase de extorsão e eventual recuperação dos sistemas.

Durante os trabalhos será igualmente analisado o panorama regional da ameaça, com particular incidência sobre Angola, Moçambique e outros países da África Austral, incluindo a actividade de grupos de ransomware e de cibercriminalidade organizada que têm direccionado ataques contra instituições governamentais, telecomunicações, energia, saúde, transportes, sector financeiro, indústria e outras infra-estruturas relevantes.

A participação angolana insere-se no quadro do reforço da capacidade nacional de investigação da cibercriminalidade e tratamento da prova electrónica, bem como do aprofundamento da cooperação internacional, tendo em conta a natureza transnacional dos ataques de ransomware e a necessidade de articulação entre autoridades judiciárias, órgãos de investigação criminal e parceiros internacionais para a identificação dos seus autores e consequente responsabilização criminal.