Discurso do Presidente João Lourenço ocasião da visita de Estado do Sultão de Omã
“Sua Majestade Haitham bin Tariq Al Said, Sultão de Omã,
Distintos Membros das delegações,
Minhas Senhoras, Meus Senhores,
É com grande satisfação que recebo Vossa Majestade, assim como a delegação que o acompanha nesta importante visita de Estado que realiza a Angola e que nos abre a oportunidade de prosseguir as discussões bastante frutíferas que mantivemos em Muscat, durante a memorável visita que efectuei em Dezembro de 2024.
Nos dias que estivemos no vosso belo país, ficámos muito bem impressionados, não só com o acolhimento e atenções que nos foram reservados, como também pelos resultados alcançados no quadro dos contactos que mantivemos, ao analisarmos com bastante pragmatismo e objectividade os sectores de cooperação bilateral em que os interesses dos nossos países melhor se encaixariam.
O ambiente em que decorreram as conversações abriu perspectivas bastante animadoras de um intercâmbio que, afortunadamente, se vem concretizando, dando expressão concreta às nossas intenções e à nossa visão sobre a linha de actuação a ser seguida pelos nossos países por forma a obtermos o maior proveito possível do grande potencial de recursos de que Angola e Omã dispõem.
Majestade,
Excelências,
As relações entre os nossos países são muito recentes, mas desenvolveram-se com uma dinâmica que lhe conferem uma importância histórica a partir de Maio de 2024, que marca o início de contactos intensos, antes dos quais não havia nenhum antecedente significativo.
Nessa altura, recebemos uma importante delegação do vosso país, com a qual foram assinados quatro acordos de cooperação nos sectores da Economia, Finanças, Petróleos e Telecomunicações.
Esse foi o marco a partir do qual foram lançadas as bases da cooperação bilateral, em cujo âmbito se criaram as condições para a visita que efectuei a Omã com bons resultados, parte dos quais começaram já a ter um impacto directo e bastante positivo na nossa economia, merecendo realce neste contexto a abertura este ano, em Luanda, do African Bank of Oman e a participação de empresas do vosso país nas minas de diamantes de Catoca e do Luele.
O início da actividade do banco agregou ao sector financeiro angolano novas capacidades e espero que venha a ter um papel activo no financiamento da economia nacional por via dos empreendedores angolanos e de empresários do vosso país e região, interessados em fazer investimentos em Angola, em diferentes sectores da economia.
A nossa expectativa com a Sua estadia entre nós é a de ampliarmos e consolidarmos os passos e realizações já conseguidos, o que estará reflectido nos instrumentos jurídicos que serão assinados daqui a instantes.
Angola está aberta a receber investimento directo do sector privado de OMÃ em todos os sectores da economia nacional, na agro-pecuária, pescas, recursos minerais, petróleo e gás, na energia eléctrica, na indústria farmacêutica e nas indústrias de defesa.
A par disso, considero importante para o reforço das nossas relações bilaterais, a abertura de missões diplomáticas do Sultanato de Omã em Angola, assim como de Angola em Moscat, em Omã, pelo papel que desempenhará na comunicação entre os nossos dois países.
Majestade,
Excelências,
Senhoras e Senhores,
A República de Angola dedica, no quadro da sua política exterior, uma atenção muito especial à questão da paz em África e no mundo, muito à semelhança dos esforços que Vossa Majestade empreende no Médio-Oriente e Golfo Pérsico, onde sobressai, do vosso lado, um posicionamento de equilíbrio na busca de soluções para a situação de guerra e de persistente tensão que reina nessa importante região do planeta.
Tudo deve ser feito para que não se agrave ainda mais a confrontação entre as forças que estão directamente envolvidas nesta guerra.
O Sultanato de Omã tem sido um exemplo de sensatez na construção de entendimentos para se pôr fim ao conflito que opõe os Estados Unidos da América e o Irão, para trazer a paz e a estabilidade no Golfo Pérsico e garantir a reabertura definitiva do Estreito de Ormuz, ponto nevrálgico da navegação marítima internacional.
Esse espírito de construção de pontes e de aglutinação de vontades, mesmo que por vezes se afigure complexo, é a garantia de que o mundo pode continuar a contar com as vossas iniciativas, para trazer os beligerantes à mesa de negociações para se discutirem as causas e possíveis soluções do conflito.
Desejo a Vossa Majestade uma excelente e produtiva estadia em Angola.
Muito obrigado”











