Sector das Pescas de Angola afirma posição estratégica na 27.ª edição da CONXEMAR
Num impactante testemunho da robustez, inovação e acelerado crescimento que posicionam o sector pesqueiro nacional na vanguarda da economia angolana, Angola destaca-se como o país convidado com maior representação empresarial na sessão de abertura da 27.ª Edição da CONXEMAR (Feira Internacional de Produtos do Mar Congelados), que arrancou formalmente esta terça-feira, em Vigo, Reino de Espanha.
A comitiva oficial angolana é chefiada pela Ministra das Pescas e Recursos Marinhos, Carmen dos Santos, que acompanha uma delegação de perto de uma dezena de operadores económicos nacionais numa digressão estratégica de intercâmbio comercial.
O certame, reconhecido como uma das maiores plataformas globais do setor, conta este ano com a participação de mais de 836 expositores internacionais.
A forte delegação angolana reflete o peso e a diversidade geográfica das principais regiões pesqueiras do país, com especial incidência nos tecidos produtivos de Namibe, Benguela e Luanda. Na linha da frente da cadeia de abastecimento nacional, a Edipesca Luanda, E.P. (Empresa Distribuidora de Produtos de Pesca) assume o posicionamento prioritário e central nesta comitiva, destacando-se na comercialização, escoamento e estabilização logística do mercado de pescado.
No âmbito da transformação industrial e das grandes infraestruturas, a Seatag Pesca marca presença através do seu Administrador, liderando projetos de mega-investimentos em superestruturas de apoio, cais de carga e produção em grande escala de farinha e óleo de peixe. Em complementaridade, o Grupo Crustangola, SA. foca a sua atuação no segmento de mariscos e crustáceos selvagens, destacando-se pela elevada capacidade de frio direcionada para o mercado externo.
No segmento da captura extrativa sustentável e exportação, a Empresa Jorana-Agropecuária e Pescas Lda participa através do seu Diretor-Geral, apresentando operações de pesca sustentável de espécies demersais e moluscos orientados para o comércio internacional. Este esforço é acompanhado por marcas de forte penetração no mercado nacional e regional, tais como a Vash Fish, a Vimae e Filhos Lda e a MAS & FILHOS, operadoras essenciais tanto no abastecimento das redes domésticas como no processamento de pescado em blocos congelados.
A cadeia de valor fica completa com a vertente logística de frio e gestão corporativa assegurada pela HIPERGESTA, S.A., que atua na gestão de ativos e otimização financeira de projetos do setor primário, e pela JXP18, companhia especializada na distribuição grossista e canais B2B que interligam os portos de descarga aos grandes centros de consumo.
A participação coordenada destas operadoras assume uma relevância crucial para o desenvolvimento económico de Angola, actuando diretamente na atração de Investimento Directo Estrangeiro (IDE) ao apresentar projetos de larga escala a parceiros globais.
Sob a perspetiva dos empresários angolanos, a presença na feira constitui uma soberana oportunidade para posicionar os produtos nacionais em nichos de alto valor acrescentado, assegurar a transferência de competências industriais e consolidar contratos estáveis de exportação que impulsionem a robustez financeira do sector privado nacional.
Este posicionamento estratégico impulsiona a expansão comercial e a captura de divisas através do estabelecimento de contratos de longo prazo com mercados europeus e asiáticos, aumentando as exportações de pescado congelado.
Ao alinharem as suas operações com as diretrizes da FAO, as marcas angolanas elevam a reputação internacional do país, demonstrando aptidão para responder às exigências ecológicas dos mercados mais rigorosos.
Adicionalmente, este intercâmbio com os maiores líderes mundiais acelera a adoção de novas tecnologias de congelação rápida e otimização da logística portuária em Luanda, Benguela e Namibe, comprovando que a Economia Azul é um pilar prático e prioritário na estratégia do Executivo para reduzir a dependência histórica do sector petrolífero.
O ambiente de Vigo consolida-se como o palco ideal para estreitar a relação comercial bilateral, promovendo uma transferência profunda de experiência e conhecimento técnico entre o sector pesqueiro de Angola e a consolidada indústria de transformação de Espanha. Este intercâmbio prático foca-se na partilha de boas práticas regulamentares, inovação e modernização de processos agroindustriais.
Através do contacto direto com o ecossistema empresarial espanhol, as empresas angolanas colhem soluções avançadas em economia circular e sustentabilidade dos recursos marítimos, ao mesmo tempo que oferecem ao mercado europeu a vasta matéria-prima e a experiência de pesca extrativa que caracteriza a frota nacional da costa ocidental africana.
No fecho dos encontros de ontem, segunda-feira, 05 de Outubro, a conselheira do Mar da Xunta de Galicia, Marta Villaverde, reuniu-se com a delegação de alto nível de Angola, chefiada pela ministra Carmen Ivelise do Sacramento Neto dos Santos e acompanhada pela embaixadora extraordinária e plenipotenciária de Angola em Espanha, Balbina Malheiros Dias da Silva.
No encontro, que contou também com a representação de Vigo através da delegada da Xunta, Ana Ortiz, e do diretor-geral de Pesca da Galiza, Isaac Rosón — foram debatidas parcerias estratégicas em áreas como a gestão sustentável dos recursos, investigação marinha, formação especializada e o reforço das relações comerciais entre o mercado galego e o angolano. A comitiva angolana aproveitou ainda o Congresso Conxemar-FAO para destacar o firme compromisso do país com a Economia Azul e a inovação tecnológica no setor pesqueiro.
Um dos momentos mais altos da agenda oficial será o fórum empresarial de alto nível realizado pela SATEC, que conta com o apoio institucional direto da Embaixada de Angola no Reino de Espanha. Este evento corporativo constituirá a plataforma decisiva para apresentação formal de portefólios de investimento, assinatura de memorandos de entendimento e consolidação de alianças estratégicas entre os investidores ibéricos e os líderes do sector privado nacional.
A cerimónia oficial de inauração foi assinalada pela abertura liderada pelo Presidente da Junta da Galiza, Alfonso Rueda, que realçou o facto de o setor produtivo ser o “primeiro interessado em garantir a saúde do meio ambiente”. Durante a sessão, o Alcaide de Vigo, Abel Caballero, deu as boas-vindas oficiais às comitivas destacando a projeção internacional da cidade como capital mundial dos produtos do mar.
Por sua vez, nas intervenções da Secretaria-Geral das Pescas de Espanha, representada por Isabel Artime, foi defendida a necessidade de assegurar maior financiamento para a modernização das frotas, sustentando que a Liderança futura passa por “produzir melhor antes que produzir mais”. As alocuções contaram ainda com intervenções do Presidente da Conxemar, Eloy García, do Presidente da FAO e do Presidente da Banca, cujos discursos convergiram na urgência de promover a sustentabilidade dos oceanos, a segurança alimentar global e a modernização das cadeias de abastecimento.
Para além da vertente expositiva, a agenda da delegação angolana incluirá encontros bilaterais e a participação central em debates de alto nível focados na Economia Azul, consolidando os esforços do Executivo no fortalecimento das competências técnicas e científicas do setor pesqueiro nacional.










