3 de July, 2026
#Mundo

Angola defende estratégia africana comum para responder aos impactos do conflito no Médio Oriente

O Embaixador Téte António, Ministro das Relações Exteriores, defendeu esta quinta-feira, em Lomé, a necessidade de África adoptar uma estratégia continental comum para responder às consequências políticas, económicas e sociais decorrentes da instabilidade no Médio Oriente.

O posicionamento do chefe da diplomacia angolana foi apresentado durante a Conferência Extraordinária da Aliança Política Africana (APA), realizada sob a presidência da República do Togo, e dedicada à análise do impacto do conflito no Médio Oriente sobre o continente africano.

Na sua intervenção, o titular da pasta da diplomacia angolana felicitou o Governo togolês, em particular o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação, Integração Africana e Togoleses no Estrangeiro, Professor Robert Dussey, pela iniciativa de convocar a conferência, destacando a relevância do encontro para a definição de respostas africanas coordenadas face aos desafios impostos pela actual conjuntura internacional.

O Ministro Téte António sublinhou que o agravamento das tensões no Médio Oriente afecta directamente África, com repercussões nas cadeias de abastecimento, na segurança energética, no comércio internacional e no acesso a insumos agrícolas essenciais para garantir a segurança alimentar e nutricional dos Estados africanos.

Segundo o Embaixador Téte António, um dos principais resultados esperados da conferência deverá ser a inclusão desta matéria na agenda da União Africana, nomeadamente na próxima reunião do Conselho Executivo, com vista à adopção de uma estratégia continental capaz de mitigar os efeitos do conflito sobre as economias africanas.

O governante angolano defendeu igualmente que o encontro privilegie soluções práticas e um plano de acção concreto, permitindo transformar os actuais desafios em oportunidades para o fortalecimento da resiliência económica do continente.

Relativamente à situação no Médio Oriente, o Ministro reafirmou a posição da República de Angola em favor da resolução pacífica dos conflitos, com base no diálogo e no respeito pelas resoluções das Nações Unidas, reiterando o apoio à solução de dois Estados para o conflito israelo-palestiniano, considerada essencial para a promoção da paz e da estabilidade na região.

Durante a intervenção, o Chefe da diplomacia angolana alertou para os efeitos da instabilidade geopolítica sobre os mercados internacionais de petróleo, gás e fertilizantes, bem como sobre as principais rotas marítimas de comércio, factores que contribuem para o aumento da inflação, dos custos de transporte, do preço dos alimentos, da pressão sobre as finanças públicas e do abrandamento da actividade económica.

No quadro das respostas africanas a estes desafios, o Ministro destacou as iniciativas de autoajuda promovidas pelos Estados do continente, referindo, no caso de Angola, a construção das refinarias de Cabinda e do Lobito, sublinhando que a Refinaria de Cabinda já se encontra em fase operacional e permanece aberta à participação de capitais e investimentos africanos.

O Embaixador Téte António saudou igualmente as políticas adoptadas por vários países africanos para promover a transformação local das matérias-primas, defendendo a agregação de valor como instrumento de industrialização e de aumento da competitividade das exportações africanas.

Defendeu ainda a aceleração da implementação dos corredores de transporte, logística e desenvolvimento, com destaque para o Corredor Norte-Sul, a consolidação da Zona de Livre Comércio Continental Africana e a criação de Postos de Fronteira Única, como medidas fundamentais para reforçar a integração económica continental.

Na parte final da sua intervenção, o Ministro apelou ao reforço da autossuficiência africana, afirmando que o continente dispõe dos recursos naturais necessários para alcançar a soberania alimentar, desde que continue a investir na paz, estabilidade, formação de capital humano, agricultura e infraestruturas.

A Conferência Extraordinária da Aliança Política Africana reuniu Chefes de Estado, Ministros dos Negócios Estrangeiros e representantes de diversos países africanos para concertar posições sobre os impactos da crise no Médio Oriente e reforçar a coordenação diplomática africana perante os desafios internacionais.