2 de September, 2026
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Ministro Téte António defende reforço do multilateralismo na reunião de Alto Nível do Movimento dos Países Não Alinhados

Téte António, Ministro das Relações Exteriores, defendeu, nesta terça-feira, em Belgrado, o reforço do multilateralismo e o respeito pelos princípios da soberania, independência, igualdade, coexistência pacífica e cooperação, considerando-os fundamentais para fazer face aos actuais desafios internacionais.

O Chefe da diplomacia angolana falava na Reunião de Alto Nível por ocasião do 65º Aniversário da Primeira Conferência do Movimento dos Países Não Alinhados, que decorre em Belgrado, República da Sérvia, de 31 de Agosto a 01 de Setembro.

Ao intervir no encontro, o Ministro Téte António, que representou o Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço, afirmou que os princípios que estiveram na base do Movimento dos Países Não Alinhados continuam actuais, num contexto internacional marcado por tensões geopolíticas, conflitos, desigualdades e crescente fragmentação.

O Ministro das Relações Exteriores referiu que o não alinhamento “nunca significou indiferença” nem “isolamento”, mas antes a afirmação da soberania e a convicção de que o diálogo e a cooperação são preferíveis ao confronto.

Neste sentido, defendeu que os Estados devem dispor do espaço necessário para prosseguir os seus interesses nacionais, escolher as suas parcerias e participar nos assuntos internacionais sem serem obrigados a integrar divisões que não criaram.

Reafirmou, igualmente, o firme compromisso de Angola com os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas, incluindo a soberania, a integridade territorial, a independência política, a auto-determinação e a resolução pacífica de conflitos.

O Ministro Tété António chamou ainda a atenção para desafios globais que transcendem fronteiras, como as alterações climáticas, as pandemias, a insegurança alimentar, as ameaças cibernéticas e a instabilidade financeira, salientando que nenhum país poderá enfrentá-los isoladamente.

Perante este quadro, considerou o multilateralismo não apenas desejável, mas necessário, defendendo, ao mesmo tempo, que este deve produzir resultados concretos para todos os países.

No domínio económico, referiu as dificuldades que continuam a afectar muitos países em desenvolvimento, nomeadamente no acesso ao financiamento e à tecnologia, defendendo uma arquitectura financeira internacional que reflicta melhor as realidades e necessidades das economias em desenvolvimento.

Sobre a transição energética, o Ministro das Relações Exteriores defendeu que esta deve ser justa, equilibrada e sensível às diferentes circunstâncias nacionais, não devendo deixar os países em desenvolvimento com menos opções.

Ao abordar a Inteligência Artificial, o titular da pasta da diplomacia angolana referiu as suas enormes oportunidades para o desenvolvimento, mas alertou para a necessidade de os países em desenvolvimento participarem activamente na definição desta transformação tecnológica, evitando permanecerem apenas como consumidores de tecnologias, normas e soluções concebidas noutros lugares.

Relativamente ao Movimento dos Países Não Alinhados, o Ministro Téte António reiterou que a diversidade dos seus membros constitui uma força, defendendo a necessidade de encontrar pontos de convergência na defesa do direito internacional, no reforço do multilateralismo, no aprofundamento da cooperação económica, científica e tecnológica e na garantia de que as vozes dos países em desenvolvimento sejam ouvidas.

O responsável pelo pelouro das Relações Exteriores considerou ainda que o Movimento dos Países Não Alinhados pode desempenhar o papel de uma importante ponte num contexto internacional de aprofundamento das divisões, utilizando a diversidade dos seus membros para criar espaços de diálogo, compreensão e cooperação, e não para constituir um novo bloco.

A concluir, defendeu mais diálogo e menos confronto, mais cooperação e menos fragmentação, bem como instituições internacionais mais fortes e capazes de produzir resultados para todos os países.

“Cada nação tem uma voz, cada nação tem opções e cada nação tem o direito de definir o seu próprio futuro”, afirmou o Ministro Tété António, reiterando a actualidade dos princípios que estão no cerne do Movimento dos Países Não Alinhados.