Jovem Inocente Ndongala quer colocar experiência Turca ao serviço de Angola
O jovem angolano Inocente Pedro Ndongala, de 29 anos, propõe-se colocar a experiência turca adquirida nos variados domínios ao serviço de Angola.
Depois de deixar Angola em 2020 com o objectivo de procurar novas oportunidades de formação e de crescimento profissional, Inocente Ndongala constrói, na Turquia, um percurso académico e profissional ligado à diplomacia, aos negócios e às relações internacionais.
Formado em Negócios e Relações Internacionais pela Universidade de Istambul Aydin, na Turquia, onde foi distinguido como melhor estudante do seu Departamento, actualmente exerce funções de estagiário técnico e assistente diplomático no Consulado-Geral de Angola em Istambul.
A decisão de estudar no estrangeiro, segundo explica, esteve ligada à vontade de conhecer outras realidades, experimentar um ambiente internacional e desafiar-se a crescer tanto no plano pessoal como profissional.
A escolha da área de Negócios e Relações Internacionais surgiu do interesse que sempre teve pelos negócios, pela diplomacia e pelas relações entre países.
Para Ndongala, as duas áreas estão cada vez mais interligadas, sobretudo num contexto em que a diplomacia económica e a cooperação internacional assumem um papel relevante nas relações entre Estados.
“Para mim, negócios e relações internacionais completam-se muito bem, porque hoje a diplomacia também passa pela economia, pelo negócio e pela cooperação internacional”, explica.
Distinção académica em Istambul
Durante a sua formação na Istanbul University, Ndongala destacou-se pelo desempenho académico, tendo concluído o curso com honra e sido distinguido como o melhor estudante do seu departamento.
A experiência universitária permitiu-lhe, além da formação técnica, estabelecer contacto com pessoas de diferentes nacionalidades e culturas, uma realidade que considera importante para a sua preparação profissional.
No Consulado em Istambul, entre as suas responsabilidades estão o apoio nas áreas de protocolo, relações públicas, atendimento à comunidade angolana e algumas tarefas administrativas e consulares.
Considera ser uma experiência que lhe permite estar próximo da realidade diplomática e compreender melhor o funcionamento de uma missão consular.
O desafio de trabalhar entre culturas
Uma das principais dificuldades que identifica na sua experiência profissional é a necessidade de lidar diariamente com pessoas de diferentes culturas, línguas, hábitos e formas de pensar.
Embora considere que o domínio de várias línguas seja uma vantagem, Ndongala entende que ser poliglota, por si só, não é suficiente.
Para ele, a capacidade de adaptação, a paciência e uma comunicação clara são igualmente fundamentais.
“Cada um de nós carrega uma educação, um background, e eu preciso saber esses aspectos todos para poder lidar com qualquer tipo de pessoa”, explica.
A experiência internacional, acrescenta, tem contribuído para desenvolver competências que vão além da formação académica, sobretudo no relacionamento interpessoal, na capacidade de adaptação e na compreensão de diferentes contextos culturais.
Viver no estrangeiro e aprender a gerir as finanças
A vida fora de Angola também trouxe desafios relacionados com a gestão financeira.
Ndongala afirma procurar manter uma organização equilibrada das suas despesas, dando prioridade às necessidades essenciais.
Afirma organizar primeiro as despesas essenciais, como alojamento, alimentação e transporte e refere tentar, sempre, controlar os gastos e planear com antecedência.
Para o jovem angolano, viver no estrangeiro foi também uma oportunidade para desenvolver maior disciplina financeira e aprender a assumir responsabilidades de forma mais independente.
A distância da família
A distância da família continua a ser uma das dimensões mais difíceis da vida no estrangeiro.
A família de Ndongala permanece em Angola, e a ausência dos momentos de convivência é uma realidade que diz sentir.
As tecnologias, contudo, permitem manter o contacto à distância.
Confessa sentir a falta dos momentos em família, mas hoje a tecnologia ajuda-os muito a manterem o contacto.
Ao mesmo tempo, considera que a distância contribuiu para o seu amadurecimento pessoal.
Manter a ligação com Angola
Apesar de viver na Turquia há vários anos, Ndongala afirma manter uma ligação constante com Angola. Acompanha a actualidade do país através das redes sociais, dos meios de comunicação social e de plataformas digitais, até porque “estar fora não significa estar distante de Angola que continua a fazer parte da sua vida e preocupações”, salienta.
Para ele, continuar informado sobre a realidade nacional é uma forma de manter a ligação com o país e com os desafios enfrentados pelos angolanos.
A integração na sociedade turca, segundo relata, tem sido positiva. O contacto com pessoas de diferentes nacionalidades permitiu-lhe ampliar a sua rede de contactos e conhecer outras formas de trabalhar e de encarar diferentes desafios.
Ao mesmo tempo, procura preservar os laços com a comunidade angolana na Turquia.
Apela aos concidadãos a continuarem a preservar a sua identidade mesmo estando fora do país e a apoiarem-se mutuamente.
Educação, emprego e empreendedorismo como prioridades
Aponta a Educação, emprego e o empreendedorismo como prioridades
Ao falar sobre o futuro de Angola, Ndongala destaca a importância do investimento na educação, na formação profissional e na saúde.
Defende igualmente a criação de condições para o empreendedorismo e para a geração de empregos.
Na sua perspectiva, os jovens precisam de oportunidades que lhes permitam transformar conhecimento e potencial em resultados concretos.
A educação ocupa, para ele, um lugar central nesse processo, porque “o que está na cabeça ninguém pode roubar”.
O negócio pode cair, as pessoas desaparecem, mas o que está na tua cabeça ninguém pode roubar”, reafirma.
Por essa razão, considera que investir na formação individual é uma das formas mais importantes de preparar os jovens para os desafios do futuro.
Considera ainda a educação uma área extremamente poderosa para mudar ou transformar o futuro de uma nação.
Conhecimento adquirido no exterior para servir Angola
Ndongala rejeita a ideia de que viver no estrangeiro represente necessariamente uma fuga de Angola.
Conforme diz, a experiência internacional pode ser encarada como uma oportunidade de aprendizagem e aquisição de competências que, posteriormente, podem beneficiar o país de origem.
O objectivo, explica, é utilizar os conhecimentos adquiridos para contribuir para Angola, sobretudo nos domínios da diplomacia, negócios externos e cooperação internacional.
Próximos passos passam pela ciência política e diplomacia
O jovem angolano pretende continuar a sua formação académica e aprofundar os conhecimentos nas áreas de Ciência Política e Relações Internacionais.
Entre os seus objectivos está também o crescimento profissional na área da diplomacia e a criação de projectos que possam contribuir para o desenvolvimento do país.
A experiência adquirida na Turquia, considera, poderá servir como uma base para construir pontes entre diferentes realidades e contribuir para uma maior cooperação internacional.
Angola nunca deve ser esquecida
Apesar dos desafios, o cidadão deixa uma mensagem aos jovens angolanos, Angola é a nossa mãe, Angola é a nossa casa. E devemos proporcionar, devemos acrescentar uma coisa e cobrir a nossa responsabilidade como jovem, como cidadão pelo desenvolvimento do nosso país.
Centro de Articulação com a Diáspora (CAD)










