2 de November, 2026
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Angola entre as dez nações que mais melhoram no Índice Ibrahim de Governação Africana 2026

Angola figura entre as dez nações que mais progressos registaram na governação ao longo da última década, de acordo com Índice Ibrahim de Governação Africana (IIAG) de 2026, divulgado a 31 de Outubro último, no Cairo, pela Fundação Mo Ibrahim.

O relatório, que analisa o período compreendido entre 2016 e 2025, apresenta um quadro global de evolução positiva. Segundo a avaliação da Fundação Mo Ibrahim, Angola conseguiu melhorar o seu desempenho global face a 2016, referindo-se o período em análise à presidência de João Lourenço.

A classificação evidencia, assim, uma realidade marcada por progressos em determinadas áreas das políticas públicas, mas também por desafios persistentes na consolidação das instituições, na garantia dos direitos e no aprofundamento da participação dos cidadãos na vida pública.

 Agricultura ganha relevância

Neste último domínio, o relatório destaca a crescente importância da agricultura na estrutura económica nacional, referindo que o sector passou a representar aproximadamente 20% do Produto Interno Bruto (PIB), ultrapassando o petróleo.

A evolução é considerada relevante no contexto dos esforços de diversificação da economia angolana, tradicionalmente dependente da exploração petrolífera. O reforço da actividade agrícola e das oportunidades económicas nas zonas rurais constitui um dos elementos que contribuíram para a melhoria dos indicadores de governação.

Combate à corrupção entre as áreas de progresso

O desempenho de Angola na subcategoria de combate à corrupção também apresenta uma evolução positiva.

A Fundação Mo Ibrahim relaciona estes progressos com as reformas impulsionadas desde 2017, após a chegada de João Lourenço à Presidência da República.

Entre as medidas mencionadas encontram-se a Lei de 2018 sobre a Repatriação Coerciva e Perda Alargada de Bens e a criação do Serviço Nacional de Recuperação de Activos, mecanismos associados aos esforços de recuperação de património obtido ilicitamente e de combate à corrupção.

O índice destaca igualmente Angola entre os países onde o espaço de actuação da sociedade civil se tornou menos repressivo, sinalizando uma evolução favorável neste domínio.

96 indicadores avaliam a governação africana

A edição de 2026 do Índice Ibrahim de Governação Africana avalia os 54 países do continente através de 96 indicadores, organizados em 16 subcategorias e quatro grandes dimensões: Segurança e Estado de Direito; Participação, Direitos e Inclusão; Bases para as Oportunidades Económicas; e Desenvolvimento Humano.

A avaliação utiliza informação proveniente de 51 fontes independentes e procura medir os resultados concretos das políticas públicas, em vez de se limitar aos compromissos assumidos pelos governos.

Publicado de dois em dois anos, o IIAG é uma das principais ferramentas de análise comparativa da governação no continente africano.

No caso de Angola, a classificação de 37.º lugar traduz um desempenho que combina melhorias importantes ao longo de dez anos. O desafio passa agora por transformar os progressos alcançados em resultados sustentáveis, capazes de reforçar a confiança nas instituições e melhorar as condições de vida da população.