4 de November, 2026
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Angola defende informação acessível para reforçar a confiança no multilateralismo

Angola defendeu, na segunda-feira, 2 de Novembro, perante a Quarta Comissão da Assembleia Geral das Nações Unidas, que o acesso a informação credível, imparcial e disponível em várias línguas é essencial para reforçar a confiança no multilateralismo e dar a conhecer os resultados da acção da Organização na vida das populações.

Ao intervir no debate sobre «Questões relativas à informação», o Representante Permanente Adjunto da Missão de Angola junto das Nações Unidas, Embaixador Mateus Luemba, sublinhou que a eficácia da comunicação da ONU deve ser avaliada pela acessibilidade e relevância da informação divulgada e pelo seu contributo concreto para melhorar a vida das pessoas.

O diplomata destacou cinco prioridades para a Organização, nomeadamente dar visibilidade aos resultados da acção multilateral, reduzir o fosso digital, proteger a integridade da informação, promover a utilização responsável e inclusiva da inteligência artificial e reforçar o multilinguismo e o equilíbrio geográfico na cobertura da ONU.

Para reduzir o fosso digital, apelou ao reforço da cooperação internacional, à transferência de tecnologia e ao desenvolvimento de competências digitais.

Defendeu igualmente que as Nações Unidas combinem as plataformas digitais com os meios de comunicação tradicionais e as iniciativas de proximidade, a fim de chegar às populações com acesso limitado à informação.

No combate à desinformação e ao discurso de ódio, o Embaixador Mateus Luemba incentivou o Departamento de Comunicação Global a reforçar as parcerias com os Estados-Membros, os órgãos de comunicação social , as instituições de ensino e a sociedade civil.

Salientou que estes esforços devem promover a literacia mediática e o acesso a informação verificada, no respeito pela liberdade de expressão e pela independência dos meios de comunicação social.

Quanto à inteligência artificial, o diplomata destacou o seu potencial para melhorar a tradução e facilitar a divulgação de informação em várias línguas. Defendeu o acesso equitativo às tecnologias emergentes, a supervisão humana e a adopção de medidas de protecção contra enviesamentos algorítmicos.

O Embaixador Mateus Luemba reiterou ainda o compromisso de Angola com a entrada em funcionamento do Centro de Informação das Nações Unidas em Luanda, conforme solicitado pela Assembleia Geral na sua resolução 64/243, para responder às necessidades de informação dos países africanos de língua portuguesa. Apelou também a uma cobertura mais equilibrada de África, que dê visibilidade ao contributo do continente para a prevenção de conflitos, a mediação, a consolidação da paz, a inovação e o desenvolvimento sustentável.

Na ocasião, recordou que Angola assinalará, a 1 de Dezembro de 2026, o 50.º aniversário da sua admissão nas Nações Unidas. Ao evocar a experiência angolana de construção da paz, reconciliação e reconstrução, reafirmou a convicção de que uma comunicação eficaz pode reforçar a compreensão mútua, promover o diálogo e mobilizar a acção colectiva.