Embaixadora Guilhermina Prata destaca o Corredor do Lobito como motor de desenvolvimento e soberania
A Embaixadora da República de Angola em França, Guilhermina Prata, defendeu que o Corredor do Lobito deve traduzir-se em criação de riqueza nacional e oportunidades para os angolanos.
A mensagem foi apresentada na sua intervenção no colóquio «Angola 2035: Potência Regional, Soberania Estratégica e Novas Oportunidades na África Austral», realizado na HEC Paris.
A diplomata destacou o Corredor como uma oportunidade para transformar a posição geográfica de Angola numa vantagem estratégica, dinamizar o comércio e reforçar a integração regional.
Sublinhou que o seu sucesso não deve medir-se apenas pelo volume de mercadorias transportadas, mas sobretudo pelo valor acrescentado e pelos benefícios que gera e deixa no país.
Neste sentido, apontou como prioridades o apoio aos agricultores e ao escoamento da produção nacional, o estímulo à indústria transformadora e às pequenas e médias empresas, bem como a criação de emprego para a juventude.
Defendeu também o investimento no capital humano, associando as grandes infra-estruturas ao desenvolvimento de competências e à melhoria das condições de vida das populações.
Guilhermina Prata realçou a abertura de Angola à cooperação e às parcerias internacionais, com respeito pela soberania nacional e pelas prioridades do seu desenvolvimento.
Destacou, em particular, a importância da cooperação franco-angolana na formação técnico-profissional, na agricultura e no desenvolvimento de competências, para que os benefícios da transformação
económica cheguem efectivamente ao povo angolano.
A Embaixadora agradeceu à HEC Paris o espaço de reflexão e diálogo e saudou a presença dos deputados à Assembleia Nacional. O encontro reuniu ainda diplomatas, académicos, estudantes e representantes de associações, proporcionando a troca de perspectivas sobre o futuro de Angola.
O diálogo estratégico com Frederico Pinnock Makilanda, antigo aluno da HEC Paris, e Véronique Nguyen, Professora Afiliada da instituição, abordou a trajectória geopolítica e os desafios económicos de Angola.
Na mesa-redonda moderada por Christelle Bitouzet, os deputados João Mpilamosi Domingos e Adriano Abel Sapiñala e o jornalista José Gama debateram soberania,
governação e o papel das instituições.
O programa contemplou ainda a masterclass «Construir uma Estratégia Vencedora num Mundo Incerto: Ensinamentos para Angola» e o atelier «Prioridades 2035», com Véronique Nguyen, centrados na definição de prioridades, na inovação e na resiliência. A masterclass «Poder Digital, Política e Influência», com Cedric Mizidi e Matthieu Lille-Palette, da Digital IQ Strategy, propôs uma
reflexão sobre inteligência artificial, diplomacia digital, soberania tecnológica e desinformação.
A conversa estratégica «A África Austral no Horizonte 2035», com Ricardo Soares de Oliveira, Professor Titular de Ciências Políticas na Sciences Po Paris, integrou igualmente o programa, com enfoque na integração regional, na transição energética e nos minerais críticos. O encerramento previa uma síntese e plano de acção, sob moderação de Frederico Pinnock Makilanda e Véronique
Nguyen.
A iniciativa deu visibilidade às prioridades de Angola num espaço académico de projecção internacional, articulando a reflexão sobre soberania e diversificação económica com a criação de oportunidades para os cidadãos.
Sobre a HEC Paris — Fundada em 1881, a HEC Paris é uma instituição de referência internacional no ensino da gestão e na formação de dirigentes.
Classificada em segundo lugar no ranking europeu de escolas de negócios do Financial Times de 2025, distingue-se pela excelência académica, pela investigação e pela ligação ao mundo empresarial, constituindo um espaço de prestígio para o debate económico e estratégico.










